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Cavaco Silva sai com chave de oiro

por Maria Teixeira Alves, em 25.01.16

O Presidente da República vetou a adopção pelos homossexuais e as alterações à lei do aborto. É a medida que se impunha. Fê-lo no dia a seguir às eleições que escolheu o seu sucessor, Marcelo Rebelo de Sousa, que tem em comum os mesmos valores. 

Podemos tirar daqui uma de duas conclusões. Cavaco Silva sabia que ia vetar as leis que a esquerda se apressou a aprovar assim que conseguiram tirar o PSD/CDS do Governo (de tal maneira é a coisa mais importante para a esquerda que foi a primeira medida a ir ao Parlamento - que obsessão!).

Se o fizesse antes podia prejudicar a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente e por isso (combinado) anunciou o veto quando a eleição já não estava em risco.

Pode também ser visto como um presente envenenado que Cavaco Silva deixa ao seu sucessor. Até onde vai a ditadura do consenso de Marcelo? O consenso pode muito bem ser uma ditadura. Dada a falta de liberdade que lhe pode estar subjacente. Marcelo, o homem que marchou contra o casamento gay na manifestação pela família em 2010, como vai ser a sua posição? 

Cavaco Silva argumentou que falta um “amplo e esclarecedor debate público” sobre a adopção plena por casais do mesmo sexo para que se possa introduzir uma alteração tão “radical e profunda” na lei. Eu na minha parte acho que não falta debate nenhum, é evidentemente uma lei que não defende as crianças, mas sim os adultos. Mas o importante é vetar a lei. Não ceder à força do marketing, às pressões da moda, à intimidação dos defensores. Foi isto tudo Aníbal Cavaco Silva, e isso dignifica a sua passagem por este mundo. O seu papel na política portuguesa é inegável. Aníbal Cavaco Silva é sem dúvida uma personagem incontornável da História de Portugal das últimas décadas. Poucos se podem orgulhar de tal. É um homem da velha guarda, com um casamento de amor, estável e duradoiro, que lhe deu uma família feliz. Cavaco Silva pode orgulhar-se da sua vida, somou triunfos pessoais e profissionais invejáveis. 

O mundo que Aníbal Cavaco Silva conheceu quando entrou na vida política portuguesa como primeiro-ministro mudou muito, não necessariamente para melhor. Mas disso pouco se-lhe pode atribuir.



37 comentários

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De Luís Lavoura a 26.01.2016 às 15:57

acredito que a adopção será boa para as crianças se reproduzir ipsis verbis a realidade natural: pai e mãe

A Maria pode acreditar no que quiser, mas os estudos feitos sobre o assunto não confirmam as suas crenças. Os estudos mostram que os filhos de homossexuais (e de heterossexuais) têm comportamentos de atração sexual mais ou menos de acordo com os de todos os outros jovens.
A Maria concebe que, em casamentos "de amor" como ela própria defende, as pessoas estejam a agir apenas para imitar os comportamentos sexuais dos pais? Acredita - baseada na sua própria experiência, e na dos seus conhecidos - que as pessoas desenvolvam uma atração sexual apenas para imitar os pais?
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De Maria Teixeira Alves a 26.01.2016 às 17:52

Esqueça isso dos "estudos", não há estudos nenhuns porque isso implicava usar seres humanos como cobaias, e ao longo de um numero considerável de anos, e não é permitido por lei. 
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De Luís Lavoura a 26.01.2016 às 18:05

Não é preciso usar seres humanos como cobaias, Maria. Basta estudar a realidade à nossa volta. E isso não somente pode ser feito como, de facto, já foi feito.
Há montes de casais homossexuais que educam os filhos de um ou outro dos parceiros. Pode-se perfeitamente observar as preferências sexuais desses filhos (muitos dos quais são hoje adultos, porque já há dezenas de anos que há casais homossexuais a educar filhos) e constatar que essas preferências estão de acordo com a média.

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