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Custa-me porque na verdade as pessoas que me contactam e fazem os convites não têm culpa nenhuma, o problema é mesmo a opção editorial (e de gestão do negócio, é de facto muito barato preencher horas de televisão com imagens espectaculares de fogos).
Por outro lado, ao contrário do costume (dias razoáveis e pouco dias catastróficos) este ano os dias complicados, mas não catastróficos, têm-se prolongado continuamente no tempo, o que vai esgotando a capacidade de produzir qualquer coisa que não seja a repetição do dia anterior, substituindo o sítio de onde se faz a reportagem por outro igual (e entra agora alguma instabilidade meteorológica que, pelo que vou lendo de quem sabe, pode ser bastante perigosa).
Não gostei das minhas últimas intervenções a convite de televisões, com pouco tempo para responder a perguntas muito fechadas e fortemente influenciadas pelos preconceitos sobre o fogo, sem contexto e tempo para respostas calmas e didácticas (gaba-te cesta).
Influenciado por isso, já hoje fui dando umas respostas por escrito ou de viva voz, que me incomodam por ser a pessoas que estão a fazer o seu trabalho o melhor que sabem (e sempre de enorme simpatia), quando os verdadeiros destinatários deveriam ser as pessoas que definem a orientação geral seguida na cobertura dos fogos.
"Agradeço o convite, mas como não se cansam de dizer, é tudo fogo posto, não se consegue chegar aos fogos, portanto só os meios aéreos é que podem fazer alguma coisa, o vento é imprevisível e estão não sei quantas viaturas e não sei quantos homens posicionados para resolver o problema que até estava calmo a meio da manhã mas que, não se sabe porquê, se agravou por volta do fim da manhã, princípio da tarde, como todos os outros dias anteriores. Qual é o interesse de no meio disto que é repetido sistematicamente, horas seguidas com chamas como pano de fundo, convidar alguém durante cinco minutos para fazerem umas perguntas em que toda esta sabedoria está implícita sem darem tempo para que se possa explicar que tudo isto que os vossos repórteres e pivots andam a dizer são asneiras?"
Mas como o trabalho das pessoas que me contactam é convencer-me a ir a um determinado sítio a uma determinada hora, simpaticamente, e esquecendo a evidente falta de simpatia da primeira resposta, insistem, como manda a boa prática profissional (houve uma pessoa que me convenceu, mas de repente reparei a que horas era e eu não queria condicionar essa parte do dia a terceiros).
"Compreendo a insistência, e até agradeço no sentido em que revela interesse em que eu vá, mais uma vez, fazer o papel que tenho vindo a fazer, mas não vejo grande utilidade nisso, ponham mais um repórter que nunca leu o Piroceno do Stephen J. Pyne a dar opiniões sobre um fogo qualquer, entrevistando autarcas em campanha eleitoral que não percebem nada do assunto e pessoas aflitas com a situação, que o circo fica montado na mesma. Peço desculpa por não estar a dar as respostas mais simpáticas do mundo, mas francamente, a indigência intelectual da cobertura mediática dos fogos está a deixar-me à beira de um ataque de nervos, como as mulheres do Almodovar."
Claro que passado algum tempo arrependo-me destas respostas antipáticas, ligo cinco minutos um canal de notícias e, milagre, as respostas passam a parecer-me moderadíssimas.
Caro H. Pereira dos Santos,
Continue! Continue esse trabalho essencial de informação, de identificação das pessoas que realmente trabalham e compreendem o combate e a prevenção de incêndios. Continue!
Hoje, na Rádio Observador, a sua intervenção — e a dos convidados que sugeriu — despertou consciências. Alertei algumas pessoas para ouvirem o programa, e todas, rigorosamente todas, me enviaram mensagens. Agradeceram e perguntaram: "Se há quem sabe, porque não se faz?"
Poucos de cada vez… talvez, chegue a muitos.
E lembre-se: a verdade raramente é simpática.
Obrigado. E continue
VSR
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