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Cansaço

por henrique pereira dos santos, em 26.07.20

O título do post é de um fado fantástico de Amália, mas neste caso é motivado por uma coisa bem pequenina:

"“Neste momento [07:45] temos 207 veículos com 644 operacionais. Houve um reforço significativo durante a noite com 11 grupos terrestres para reorganizar o teatro de operações, visto que o perímetro já é demasiado extenso”, disse à agência o comandante Carlos Pereira, oficial de operações do Comando Nacional de Emergência e Proteção Civil."

Uma conversa tonta, sem nada de relevante, que se repete, repete, repete em cada fogo mais complicado.

Meus caros senhores jornalistas - sim, o problema é de jornalistas transformados em pés de microfone, não é dos esforçados funcionários da protecção civil - nisto que transcrevem não há valor informativo nenhum.

Não interessa nada o número de veículos, não interessa nada o número de operacionais, não interessa nada o número de grupos terrestres, isto é como os vossos críticos de cozinha descreverem a cozinha do restaurante, dando informação sobre o número de panelas, ou  quilos de batatas, em vez de explicarem o que se come, que tal é e essas coisas que convém ao leitor saber.

Num incêndio o que interessa é a caracterização do incêndio (francamente, dizer que o perímetro já é demasiado extenso, e por isso tem de se reorganizar o teatro de operações, está ao nível da redacção da vaca que diz que tem quatro patas e um par de cornos), isto é, onde está a frente de fogo, qual a sua relação com o terreno e a meteorologia, o que se prevê nas próximas horas em função dessa caracterização - por estranho que vos pareça, é possível prever a evolução de um fogo, com razoável precisão, para as próximas três ou quatro horas, nem precisam de grande coisa, basta acompanhar o facebook de algumas pessoas que o fazem com um histórico de acerto bastante sólido -, quais são os objectivos do dispositivo de combate em função dessa situação de referência, que oportunidades existem de intervenção, e o que está a ser feito para gerir o fogo com o mínimo de perdas.

Mas não, nada disto é perguntado e exigido pelos senhores jornalistas, que como papagaios amestrados repetem incessantemente o número de veículos, meios aéreros e operacionais que estão no teatro de operações a fazer não se sabe o quê.

Não dá mesmo para um bocadinho mais de exigência?

Se não fizerem ideia do que se pretende, podem treinar acompanhando os briefings de quem sabe ao que anda. Comecem na teoria que está nesta ligação, e depois podem ver casos práticos nesta outra ligação, se por acaso não estiverem para ir procurar no google.



2 comentários

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De Carlos Sousa a 26.07.2020 às 14:27

Não é de admirar, a cobertura jornalística da pandemia está igual. 
Repetem, repetem, repetem até à exaustão números que por muitas voltas que dêem nunca atingem os números da gripe do ano passado.
Com os fogos é a mesma histeria. 
Até quando?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 26.07.2020 às 19:15

Sr. H. Pereira dos Santos


Não perca mais tempo a escrever sobre este flagelo dos incêndios florestais.
Seria muito mais interessante resumir toda a sua nobre escrita ao seguinte:


É preciso distribuir anualmente um milhão de euros dos nossos recursos aos interessados no fogo?
Nâo. Não e não.
O que é preciso é vigiar a floresta  a sério, com profissionais responsáveis e tesos.
Aplicar a Lei na hora e os que do fogo vivem que vão mas é procurar outra mina.

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