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Bruxaria

por henrique pereira dos santos, em 20.10.18

Tenho uns amigos que perdem tempos infindos a tentar demonstrar que estou o serviço da indústria das celuloses. Mas como não conseguem encontrar um único texto meu de defesa do eucalipto, perdem tempos infindos a ler o que escrevo desde a pré-história (pelo menos).

Ora numa dessas faenas, um desses meus amigos deu com um texto meu, de 2012, que era um comentário a um post de Daniel Oliveira no Arrastão (mais um post apocalítptico sobre o que ia suceder a Portugal por causa de uma legislação qualquer, como se a marcha do mundo fosse determinada pela legislação, que lido agora, a partir do que então era o futuro, é também uma boa demonstração de que Daniel Oliveira se engana muito sobre o futuro).

Fiquei muito satisfeito com o facto de verificar que, embora errado em muitos pormenores, a minha visão do futuro da paisagem em 2012 não era assim tão absurda como isso

"...a expansão do eucaliptal tem razões económicas e ecológicas racionais que se vão manter.
A grande maioria das pessoas esteve-se nas tintas para a lei anterior e estar-se-á a nas tintas para a lei que virá.
...
Com a nova legislação não vai desatar tudo a fazer eucaliptos porque nada se altera nas condições base da decisão: o risco de fogo é elevadíssimo e baixá-lo implica uma gestão de combustíveis ... incomportável, em especial face ao risco de incêndio que permanece. A única espécie que paga limpezas é o eucalipto, e mesmo assim só se o povoamento estiver preparado para ser limpo com uma grade de discos, o que implica uma florestação pesada e de raiz que a grande maioria dos proprietários nunca fará (espera pela regeneração natural, simplesmente).
Ou seja, a lei não vai aquecer nem arrefecer nada, e o eucalipto vai continuando a expandir-se enquanto isso for economicamente racional, e a floresta irá tendo cada vez mais problemas de gestão do fogo.
Um dia, não sei em que ano, mas um dia começará um episódio de vento Leste que em vez de durar dois dias como este de ontem, vai durar dez dias. E se o vento estiver forte arderão meio milhão de hectares mais coisa menos coisa.
Nessa altura haverá oportunidade para discutir o ordenamento do território rural, como houve em 2003 oportunidade para discutir o ordenamento florestal.
Tenho pena que só nessa altura apareça uma quantidade de especialistas que já hoje sabem que não há alternativa à gestão do mundo rural que não passe pelo pagamento de serviços à pastorícia.
Os eucaliptais bem geridos também arderão em parte, mas serão o que vai sobrar, juntamente com o montado que seja pastoreado ou agricultado (porque se não o for arde tanto como o eucalipto ou o pinheiro ou os matos).
Nessa altura virão os indignados profissionais indignar-se com a incompetência do Governo (cuja responsabilidade no que acontecer nesse ano será marginal). E virão falar dos interesses económicos. E virão protestar com tudo o que os outros deviam ter feito e não fizeram, esquecendo-se que responsáveis somos nós todos, todos os dias, quando escolhemos o que comer nesse dia e nos esquecemos de valorizar os cabritos, o azeite, o milho, as batatas cuja produção gere as paisagens, pensando que comer cabritos estabulados e alimentados com cereais do corn belt americano é o mesmo que comer cabritos cujas mães fizeram o seu trabalho de limpeza de combustíveis nas serras do Barroso."



2 comentários

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De Anónimo a 22.10.2018 às 09:21

comer cabritos estabulados e alimentados com cereais do corn belt americano é o mesmo que comer cabritos cujas mães fizeram o seu trabalho de limpeza de combustíveis nas serras do Barroso

O problema é que não se distingue um cabrito do outro.

O Henrique gosta de nos aconselhar a comer cabritos, mas precisamente nunca sabemos se não estaremos a comer um cabrito estabulado e alimentado a partir do Corn Belt.
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De Anónimo a 22.10.2018 às 10:29

só se o povoamento estiver preparado para ser limpo com uma grade de discos, o que implica uma florestação pesada e de raiz que a grande maioria dos proprietários nunca fará (espera pela regeneração natural, simplesmente)

Não sei onde o Henrique observa isto, mas eu na zona que conheço (região de Águeda) o que vejo é que quase toda a florestação com eucaliptos é feita de raiz, com plantação em fileiras. Ninguém espera pela regeneração natural. A não ser, claro, os proprietários absentistas.

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