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Bárbara Reis, o jornalismo e o movimento ambientalista, segunda parte

por henrique pereira dos santos, em 24.09.23

Na sequência do artigo que comentei aqui, Bárbara Reis escreveu outro artigo para defender um amigo das calúnias.

A história conta-se facilmente.

Bárbara Reis resolveu escrever (com razão, aliás) que as alegações do movimento ambientalista mais vocal e presente nas redacções dos jornais sobre o abate de quase 1900 sobreiros na herdade de Morgavél para instalar um parque eólico eram falsas (e são).

Em vez de simplesmente ler a informação primária sobre o assunto e confirmar com uma ida ao local - para mim, o trabalho normal de um jornalista - resolveu falar com pessoas em quem confia, especialmente Francisco Ferreira, ex-presidente eterno da Quercus que um dia perdeu umas eleições com um golpe palaciano e foi a correr fundar outra organização cujos estatutos não democráticos asseguram que não volta a repetir-se um golpe palaciano do mesmo tipo, o que fez dele o presidente da Associação Zero desde a sua fundação até hoje.

A reacção ao artigo foi a habitual, por parte dos chamados activistas: teorias de conspiração sobre os interesses de Bárbara Reis e de Francisco Ferreira, um procedimento habitual no movimento ambientalista, com toda a cobertura da comunicação social, que consiste em evitar a discussão da matéria de facto e partir para ataques de carácter assentes em teorias de conspiração sobre os interesses económicos que são servidos por quem se limita a dizer uma coisa diferente.

Mais uma vez, Bárbara Reis poder-se-ia ter limitado a exercer a sua profissão: metia-se num carro (ou numa bicicleta) e ia ao local verificar a informação de base, fazendo então um artigo em que dizia que os ataques de carácter serviam apenas como cortina de fumo para evitar discutir o essencial: as alegações que nas últimas semanas têm sido feitas, são falsas, como ela própria testemunhou.

Preferiu meter-se num caminho estreito que consiste em garantir a solidez ética de Francisco Ferreira e da Zero, como atesta o último parágrado do seu artigo: "Há o combate do activismo poluído, com ruído e sem rigor. Há os leitores que seguem essa escola. E há a Zero: entra no ringue de boxe do debate público com as luvas postas e veste a camisola da ética."

Citando a protagonista do Notting Hill "tu lidas com isto há dez minutos, eu lido com isto há dez anos. As nossas perspectivas são muito diferentes", diria eu a propósito de juízos éticos dos envolvidos nesta discussão, mas isso é mera opinião de cada um.

O problema é o jornalismo funcionar como os artigos de opinião de Bárbara Reis mostram: o mundo está dividido em bons e maus, e o papel do jornalismo é estar do lado dos bons, dos que são moralmente superiores.

Eu preferia um jornalismo que sabe que a natureza humana é o que é, todos nós seremos bons nuns dias e maus noutros, seremos moralmente superiores numas circunstâncias e imprestáveis noutras (Jacques Brel dizia que o "Ne me quitte pas" era uma canção sobre a cobardia de um homem (ele próprio) e, no entanto, quase todos a ouvimos a partir de outra perspectiva) e o papel do jornalismo não é fazer esse julgamento, é simplesmente trazer informação verificada para a discussão.

Faria bem melhor o Público e Bárbara Reis em escrever sobre a realidade concreta desse parque eólico que fazer de caixa de ressonância quer dos que dizem os disparates que têm vindo a ser ditos (como os jornalistas do Público que escreveram peças jornalísticas sobre a matéria), quer dos que resolveram, e bem, neste caso, dizer que as alegações são falsas, como fez Bárbara Reis.


5 comentários

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De urinator a 24.09.2023 às 16:59

nunca sairemos da barbárie
sempre zeros à esquerda
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De Anonimo a 24.09.2023 às 20:52

Ainda hoje ao telefone com um amigo... prr, obras, comboios... descrédito completo, resignação total.
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De urinator a 25.09.2023 às 08:39

o Alfa não para em Santarém
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De Filipe Costa a 24.09.2023 às 22:59

Uma coisa vos digo, andamos por aqui e depois morremos e depois nada se passa, acaba.


Pelo menos deixemos o País em condições para quem nascer a seguir.
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De lucklucky a 25.09.2023 às 14:52

"o papel do jornalismo não é fazer esse julgamento"



Porque é que os jornalistas se passaram autodenominar jornalistas em vez de reporteres?
Foi para passarem as ser os Padres da Religião Política. 
Foi para deixarem de ser parte do povo para serem parte da elite.


E se o jornalismo não fosse feito por pessoas de esquerda como a Bárbara Reis o assunto do dia seria  como o Partido Socialista é relacionado pelo nome  com o Partido Nacional Socialista Alemão quer com a União das Republicas Socialistas Soviéticas entre os maiores regimes assassinos de sempre. Imagina um partido qualqer português que tivesse semelhanças no nome com um qualquer ideologia que não seja de esquerda que tenha matado milhões sem ser colocado em causa?


 Ou seja o Partido Socialista teria a mudar de nome para Partido Democrata ou parecido devido ao opróbio da sociedade. Isto se os jornalistas não fossem +90% de esquerda.

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