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As Scuts como parábola

por José Mendonça da Cruz, em 20.07.16

(Este post contém linguagem do tempo novo. Pessoas mais sensíveis devem abster-se de ler)

 

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Os palhaços que nos governam são os mesmos que inventaram as SCUTs, que, para não rir, toda a gente esquece intencionalmente que significa «Sem Custos para o Utilizador». Os palhaços da ideia, com João Cravinho à cabeça, defenderam que as SCUTs eram muito boas para o Orçamento do Estado (embora, naturalmente, Cravinho se abstivesse de dizer que eram boas porque escondiam dívida). Na altura, houve um «estudo técnico» daqueles que o PS produz para explicar que perdas são ganhos. As Scuts iam dinamizar a economia e sabe-se lá que mais e ninguém devia preocupar-se com os 14 mil milhões de euros que nas contas socialistas não havíamos de ter que pagar. (Mas temos.)

Os palhaços de agora, em quem a costela crapulosa pulsa com ainda maior premência, prometeram que baixavam as portagens das «SCUTs» em 50%. Os palhacinhos viabilizantes insistem que 100% é que era. Mas os palhaços principais resolveram afinal descontar 35% da promessa, e baixam as portagens das SCUTs em 15%. Trazem um estudo técnico, é claro, feito pela Universidade do Algarve a dizer que é muito bom e vamos ficar todos ricos. O palerma da geringonça a quem compete fingir que é perito em estradas diz que favorece «a circulação das empresas» e mais umas parvoíces assim. Compreensivelmente, os palhacinhos adjuvantes defendem que, vistoaisso, 100% era ainda melhor e ganhavamos todos ainda mais. E as «associações» de «utentes» acharão mesmo que os «utentes», além de não pagarem, deviam ser subsidiados para darem uso ao alcatrão. No seu cantinho, os bandalhos da comunicação social não vêem as «contradições» e «trapalhadas» que antes vislumbravam a cada esquina.

O povinho, que já devia estar com a mão a proteger a carteira, está afinal beato e feliz.

É estranha, esta política?

Não, não é estranha. É apenas uma faceta da falta de ideias dos socialistas. Sem ideias e sem programa sério para governar, os palhaços veem-se obrigados a entregar-se, sem pruridos nem pudor, às piores irresponsabilidades, a jurar pela demagogia mais rasca, a inventar n`importe quoi. E fazem bem. Se o povinho acredita, porque não haviam de o fazer?

 O défice é como as SCUTs. A diminuição do IVA para a restauração, as 35 horas de trabalho para os funcionários públicos, os aumentos do funcionalismo público, não têm, dizem os socialistas, custos. Os socialistas têm «estudos» que são «técnicos» e dizem isso. A realidade sempre se encarrega de os desmentir gravosamente, mas os «estudos» que são «técnicos» enganam tolos durante um tempo, os custos só vêm depois.

A revogação da reforma do IRC, o ambiente anti-empresarial, anti «privados», o aumento da carga fiscal, nomeadamente nos produtos petrolíferos, a incerteza governativa (como a que fez a Navigator congelar o investimento numa nova fábrica e provoca a maior queda no investimento em geral), o atraso no pagamento a fornecedores para martelar a execução orçamental, a irresponsaibilidade criminosa com a banca... tudo isso não tem custos. Se instados, os palhaços do governo apresentarão um «estudo» que será «técnico» a dizer que é muito bom. Basta pagar com um cargo, uma promessa, um dinheirito qualquer. Entretanto, a canalha das redacções acenará com a cabeça em reconhecimento das oportunidades de carreira e das avenças em vigor. Sem custos, sim senhor, uma política para as pessoas, muito bom.

 

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