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Marina Gonçalves ficou famosa por, numa audição na Assembleia da República, defender que o Estado tem obrigação de assegurar que há casas a preços que a classe média possa pagar no Chiado, só que aplicação prática destas ideias parvas não é o nascimento de casas no Chiado a baixo preço, é mesmo o aparecimento de construção clandestina em qualquer lado.
Há poucos meses, por causa de uma porcaria de uma alteração processual sem grande significado (mas no sentido certo de eliminar constrangimentos e tempo de aprovação de projectos de construção de habitação), Helena Roseta escreveu uns artigos inflamados (raramente escreve coisas que não sejam inflamadas) contra a abertura de portas à especulação imobiliária.
Há anos que Helena Roseta vive aterrada com a possibilidade de se ganhar dinheiro com a construção de habitação barata através de entorses ao sistema de planeamento que está em vigor, usando toda a influência que tem para impedir qualquer alteração a esse sacrossanto sistema de planeamento que visa impedir que patos bravos, sem a sofisticação intelectual dos técnicos de planeamento, façam casas que respondam à procura que existe.
Ora a situação de Loures e o recrudescimento do crescimento de habitação informal e alojamento sem condições, sobrelotados e etc., resulta exactamente do facto das regras de construção que temos dificultarem a resposta da oferta à procura que existe, não só limitando a capacidade de resposta, como encaminhando-a para os segmentos altos da procura, que é onde é possível encaixar as exigências regulamentares dentro do preço a que acabam por ficar as casas.
É exactamente porque pessoas como Helena Roseta, quando têm capacidade para influenciar decisões neste sector, se estão nas tintas para a capacidade da oferta responder à procura de baixa gama que os preços sobem rapidamente quando a procura aumenta, sem que a oferta satisfaça a procura de baixa gama.
A resposta habitual destas pessoas aos problemas sociais daí decorrentes é a que se tem visto no processo de Loures: nem uma só barraca demolida sem soluções para os moradores, isto é, se eu quiser que alguém me dê um tecto, só tenho de construir uma barraca numa noite na Avenida dos Aliados, que Helena Roseta e outros irão defender, com unhas e dentes, a obrigação do Estado manter a barraca na Avenida dos Aliados até me ser garantida uma alternativa qualquer, paga com os impostos dos outros.
Se fossem pentear macacos fariam um trabalho socialmente bem mais útil que o que têm estado a fazer para sinalizar a vossa virtude e o horror que têm aos patos bravos que constroem suburbios tão feios.
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Ainda bem que percebe o problema. O mundo está che...
PS. - Por lapso, não referi que estava a responder...
"O problema do IPMA não é a escassez de avisos: é ...
"Previsão, Organização e Avaliação Constante"Isto ...
não voto. ainda se acaba a votar alforrecas.