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As fontes, sempre as fontes

por henrique pereira dos santos, em 18.04.18

Sobre toda a conversa à volta das peças que a SIC tem vindo a passar sobre o processo Marquês parece-me que vale a pena realçar um aspecto que não tenho visto por aí.

Os jornalistas têm a obrigação de proteger as suas fontes, em especial quando existe risco real para a fonte (por exemplo, o que denuncia um esquema mafioso e, por isso, corre o risco de ser assassinado pela organização mafiosa que denuncia).

Questão diferente é usar fontes anónimas com interesse directo nas peças a apresentar.

Os jornalistas sabem perfeitamente quem lhes deu acesso aos videos dos interrogatórios e sabem também que a sua divulgação é ilegal, mesmo não estando o processo em segredo de justiça.

Argumentar com o interesse público não faz sentido, tudo o que está nos videos divulgados está no processo e nem sequer é matéria nova.

Interesse público, que neste caso é oposto ao interesse do jornalista, é saber quem está a dar acesso dos jornalistas a peças processuais cuja divulgação é proibida (por boas razões, não se divulgam imagens de pessoas captadas sem que à sua captação as pessoas se possam opôr, em especial em situações de fragilidade como são sempre, sempre, interrogatórios judiciais).

Compreende-se que os jornalistas e a estação de televisão tenham interesse em não queimar as fontes, explicando tim-tim por tim-tim quem está a tentar manipular a opinião pública desta forma-

Mas para as pessoas comuns o verdadeiro interesse está em saber se estamos perante uma justiça venal, que troca peças processuais por qualquer tipo de vantagem, se estamos perante uma justiça que desiste de demonstrar a sua razão em tribunal e tenta ganhar o processo na opinião pública, ou se estamos perante um arguido e respectivos advogados que não hesitam em fazer-se de sonsos divulgando ilegalmente peças processuais para procurarem minar a legitimidade e credibilidade do sistema de justiça que os pode condenar.

Esse é o único verdadeiro interesse público nesta história toda e os jornalistas e respectiva estação de televisão preferem abdicar da sua responsabilidade social para preservar futuros conteúdos noticiosos.

Não se queixem dos outros pela progressiva perda de influência e credibilidade do jornalismo, queixem-se de vocês próprios, camaradas.

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6 comentários

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De Anónimo a 18.04.2018 às 11:50

com a água canalizada o citadino desconhece as fontes
só as torneiras
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De Anónimo a 18.04.2018 às 13:44

Para mim trata-se de mais uma peça que insidiosamente levanta dúvidas sobre os procuradores e que vai preparando a opinião pública para a mudança de PGR.
Confesso que só vi,ao acaso e por parcos minutos, uns três ou quatro bocados da transmissão e, em todos eles, era repetida a ideia de que não havia provas. 
Se assim tiver sido no decurso do resto do programa, parece evidente que o interesse na sua transmissão está do lado dos acusados.
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De Anónimo a 18.04.2018 às 16:18

Vai repetidamente à AR, e nunca é aprovada, legislação sobre o enriquecimento (ilícito ou não) dos políticos, o que já de si demonstra o absurdo de uma parte da sociedade ser regida por legislação específica quanto à posse e uso de valores tributáveis.
Curiosamente se o comum dos cidadãos transacionar uma reconhecida verba assaz ridícula ... até pode ser chamado a justificar aonde conseguiu tal riqueza!.
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De Anónimo a 19.04.2018 às 19:56

Pegando na deixa 'enriquecimento ilícito'.
Pena, não haver uma TV ou You Tube, que passe uma réplica do animal feroz, numa discussão no circo S. Bento.
Um dos deputados da oposição levanta a questão do enriq Ilic.
DE voz grossa a menta ágil, reage o PM, sem formação jurídica e alguma de engenheiro, alto e bom som: era o que faltava agora, (este atentado ao estado de direito?), inverter o ónus da prova. 
Não garantindo o (---), o resto aconteceu.
Esperto e ágil como era quando no poder, arrumou ali a questão.
No fundo, e independentemente do que interessa a quem, quem é este pobre diabo da província?
Como adepto da análise psicológica, um doente.
Na fase inicial como PM, um vendedor de banha da cobra, um charlatão, cujo poder disfarçava tudo e calava quase todos.
Excepção do Henrique Medina e poucos mais.
Um animal feróz à solta? Ou um doente no poder?
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De Anónimo a 19.04.2018 às 09:13

Aquilo que se vê na SIC beneficia o Sócrates? Mas como, se é basicamente aquilo que já tinha sido explorado pelo CM? A única novidade são as filmagens dos interrogatórios. Porque não questionou o Henrique também o CM, da mesma forma, insinuando que era o arguido e os advogados que passavam as peças para o CM?  
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De Antonio Manuel Santos Cristovao a 21.04.2018 às 17:52

Fontes ? por favor todos os jornalistas que foram constituidos assistentes tê acesso a TODAS as peças do processo. Talvez seja bom estudarem melhor os assuntos antes de dizerem  as......

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