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As falácias do Sr Louçã (4)

A segunda traição, os inimigos da democracia

por Jose Miguel Roque Martins, em 29.07.21

 

Com base em varias afirmações de Hayek, Milton Friedman e Buchanan, Louçã “demonstra” a desconfiança, senão rejeição, dos liberais contemporâneos à democracia. Um absoluto absurdo.Mas que constitui a trama, da segunda traição dos liberais. 

As alegação apresentadas, são de que os distintos e supra citados liberais, conspiraram com Pinochet, por serem antidemocratas.  A associação “preferencial” do liberalismo a ditaduras, o passo seguinte.A conclusão, que os liberais são inimigos da democracia, senão mesmo incompativeis com ela.  

O Regime de Pinochet é responsável por demasiadas atrocidades. O liberalismo económico, que instituiu, não é um deles. Ainda hoje o Chile, antes muito pobre, é o país mais rico da América Latina. 

Porque nunca condena todos os regimes de fome e idênticas ou piores atrocidades, por países de esquerda radical, noutros artigos, pelo menos que eu tenha conhecimento? Talvez lhe estabelecesse mais legitimidade  a condenar ditaduras, o que não permitiria, de qualquer forma, estabelecer o que pretende. 

A primeira “prova”, são  afirmações dos acusados, que defendem que o liberalismo Económico, pode conviver com uma ditadura. A realidade demonstrou exactamente esta tese, com o sucesso do Chile e com o triunfo actual da China. São culpados ou têm razão?

O liberalismo económico, a economia de mercado, é um sistema económico, baseado na liberdade do individuo. Por isso mesmo é a  extensão natural, no plano económico, das filosofias liberais.  Mas mesmo sem o suporte de uma filosofia política e moral, a economia de mercado não deixa de ser um sistema económico, que não só funciona, como produz melhores resultados do que qualquer outro. Razão pela qual, pode ser seguido por qualquer regime político, mesmo em tirania. De direita, ou de esquerda.  Regimes tirânicos mas que melhoraram a vida económica das suas populações. Exactamente o contrario do que acontece, ainda hoje, em Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, que são tiranias de fome e miséria. 

A segunda “prova”, por citações de Hayek e Milton Friedman,  que reconhecem ser teoricamente possível, a uma ditadura, não apenas abraçar o liberalismo económico, mas também direitos e liberdades amplos aos cidadãos, com exceção da escolha do seu próprio regime. Critica-se, uma tese possível, que não foi defendida  como ideal. Se bem que melhor do que uma democracia sem direitos, liberdades e garantias individuais e progresso para os cidadãos. O que por sua vez também será melhor do que o comunismo, onde não existe democracia, progresso ou direitos e liberdades individuais. Já para não mencionar serem eventuais incentivos a uma abertura da sociedade Chilena. Uma das raras ditaduras que evoluiu organicamente para a reposição da democracia, provavelmente, também  uma consequência influenciada pela tradição de maior  liberdade económica ( vamos ver na China). 

 A terceira prova, a citação de Buchanam, referindo que  se deviam  “retirar certas decisões da determinação pelo voto da maioria” pretensa demonstração máxima  da falta de respeito pela democracia pelos liberais. Um total disparate . É exactamente o que todas as democracias fazem, ao proteger liberdades e direitos individuais, consignando-os na constituição, de forma a impedir que, democraticamente,  a maioria possa tiranizar indivíduos e minorias. É este um principio básico perseguido por todos os liberais e por todas as sociedades em que se valorizam e defendem os direitos e liberdades dos indivíduos.

A serem verdade, as alegações de que Buchanan era racista, apenas a ele o compromete, não correspondendo, obviamente, a qualquer ideário liberal.

Louçã, provavelmente de forma genuína, faz uma grande confusão entre democracia e liberdade. Será porventura um Rousseliano tão convicto, que não consegue mesmo entender, que a vontade da maioria, não é a vontade de cada individuo. Que cada ser humano, tem o direito de ver reconhecidas liberdades e direitos próprios, que a maioria não deve cercear.  Este será mesmo um dos seus grandes problemas.

Os erros  não me parecem, infelizmente, poder ser reduzido a incapacidades próprias. Já há muitos anos que Louçã me provoca  reacções alérgicas, pelo que peço ao leitor, uma especial atenção à qualidade dos meus argumentos e conclusões. Estarei, também, a ser enviesado? 

Quando fala de três figuras publicas, que falaram e escreveram como poucos, durante tanto tempo, se fossem antidemocratas, Louçã não teria encontrado nada que o provasse?

As permanentes distorções da realidade e conclusões demasiado fracas, poderão  ser coincidências infelizes, quando falamos de  alguém manifestamente inteligente e articulado? 

A selectividade pouco representativa do pensamento de quem critica ou aplaude,  pode ser um acidente fortuito?

A tentativa de amesquinhamento do liberalismos, por erros de julgamento pessoais por parte de liberais, não é patente? 

Para mim, os erros de Louçã, são propositados. A falácia, o seu método. A sua intenção, a manipulação. 

(continua) 



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