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As cinzas da civilização

por João Távora, em 18.02.26

cinzas.jpg

Num zapping rápido ao chegar a casa constato que os canais de notícias estão todos a debater em grande berraria o caso acontecido ontem durante o jogo entre o Benfica e o Real Madrid na Liga dos Campeões, em que o extremo benfiquista Prestianni, tapando a boca, alegadamente e sem que se possa fazer disso prova, terá proferido insultos racistas contra o jogador madrileno Vinícios. Pelo tom dos debates, tudo leva a crer que o jogador benfiquista está condenado à partida e sem julgamento, porque a expressão de racismo é, nos dias que passam, o mais hediondo crime à face da terra. Por isso se exige-se uma educativa imolação de um cordeiro sacrificial para pedagógica lição da populaça.

Sinal destes laicos tempos, pensei eu, lembrando-me que hoje é Quarta-Feira de Cinzas, início da Quaresma. Para quem não sabe, explico que as cinzas, que num ritual da tradição católica hoje serão na Missa impostas na testa dos crentes em forma de cruz, possuem um carácter simbólico, como chamamento à conversão, à penitência e à mudança de vida, bem como à recordação da condição frágil e transitória da existência humana. Do pó todos viemos e ao pó retornaremos – negros, brancos, amarelos, peles vermelhas e outras etnias.

Vale a pena tanta gritaria por causa duma altercação entre jogadores de futebol?


9 comentários

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De Anónimo a 18.02.2026 às 19:12

Bonita foto e pertinente pergunta final.
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De Silva a 18.02.2026 às 19:13

"Vale a pena tanta gritaria por causa duma altercação entre jogadores de futebol?"


Está enganado, eles não são jogadores de futebol.




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De Anónimo a 18.02.2026 às 19:24

Uma coisa é berraria por questões de futebol, outra são incidentes de carácter racista.


No primeiro caso, a coisa interessa só aos adeptos e simpatizantes, já no segundo é civilizacional e toca a todos.


Picardias entre adeptos, eles e quando muito os clubes, que as resolvam, já coisas que mexam com convivência pacífica, Coesão Social, etc., isso diz respeito a todos; Adeptos, Clubes, Governos e Cidadãos comuns.


Penso também que nestes casos, os Clubes deveriam ser severamente penalizados e incentivados a incluir nas cláusulas contratuais, penalizações muito severas para os artistas faltosos.


Se se conseguiu civilizar o comportamento de jogadores, adeptos, dirigentes e clubes em relação aos Árbitros, não vejo que seja assim tão difícil nos outros casos.
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De cela.e.sela a 19.02.2026 às 10:46

com tanto jogador Negro e Amarelo porque razão o racismo é exclusivamente Negro?
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De Anónimo a 19.02.2026 às 15:20

O fenômeno "racismo" não incide exclusivamente sobre os indivíduos de raça negra, embora estes sejam o alvo principal.


Creio que a coisa está relacionada, com passado Colonial e muito provavelmente com aberrações de supremacismo branco, memoria esclavagista, etc..


Seja como for e um dos vários momentos repugnantes e absolutamente lamentáveis da História.


É o tipo de coisa que não deve ser esquecida, mas decididamente superada e ultrapassada, com União, Solidariedade e verdadeiro Espírito de Entreajuda e Sentido de Progresso.


Parece-me que a coisa pode expressar-se assim; Todos Diferentes, Todos Irmãos 
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De Krasnodemskyi a 19.02.2026 às 08:41

Bom dia João,
Comentário pertinente, com tanto problema no mundo e as manchetes dos jornais focadas no que um grunho que corre atrás de uma bola disse a outro grunho, no calor do momento.
Faz lembrar aquele ditado britânico que refere a incapacidade de certas pessoas de distinguirem as ervas da floresta.
O admirável mundo novo deve estar a levar a uma estupidificação das mentes.


Ontem assisti à Missa da Quarta-feira de Cinzas online. Estou a viajar e não há igreja aqui ao pé. Foi uma experiência diferente, remota. Mas tenho que reconhecer que o admirável mundo novo também pode ser útil… pelo menos deu para assistir á cerimónia…
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De Carlos Sousa a 19.02.2026 às 09:12

Uma sacristia gelada. O Adepto, com o cachecol do clube ainda ao pescoço, espera pela imposição das cinzas. O Padre, segura a malga com a precisão de quem serve doses num snack-bar de beira de estrada.


Adepto: — Ó Sr. Padre, carregue aí bem na testa que eu hoje venho cheio de pecados. Mas o Prestianni... o gajo está lixado, não está? Estão todos a pedir a cabeça do miúdo.


Padre: — Memento, homo...Antigamente a gente resolvia isto com três Ave-Marias e um jejum de pão e água. Hoje, para se redimirem, precisam de queimar um gajo em directo, com comentadores que são doutorados em ler lábios à distância.


Adepto: — É uma berraria, Sr. Padre! Parece que o racismo agora é o único pecado que resta. 


Padre: — (Larga a cinza com desprezo) — O problema é que dantes a malta sabia que era pó e que ao pó voltava. Pretos, brancos, ou amarelados pelo fígado de tanta cerveja. É preciso um sacrifício pedagógico, dizem eles. Querem um cordeiro para o espeto, é o que é.


Adepto: — Mas vale a pena este circo por causa de um "anda cá que eu já te explico" no meio de um relvado?


Padre: — Não vale um chavo. Mas agora cala-te e leva com o pó. Daqui a cinquenta anos, tu, o Prestianni e o Vinícius são todos da mesma cor: cinzento-rato.


Adepto: — Amém. Mas se o miúdo for banido, quem é que cruza as bolas no domingo?


Padre: — Ide em paz e que o Senhor vos perdoe a estupidez, que a mim já me dói o braço.
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De cela.e.sela a 19.02.2026 às 10:43

no futebol há demasiado dinheiro em jogo: dirigentes, jogadores, treinadores, árbitros ...
tudo serve para liquidar quem quer que seja.
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De Anónimo a 19.02.2026 às 11:02

"impostas na testa dos crentes em forma de cruz"
É uma das formas de se realizar o rito, mas não a mais tradicional.

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