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Apetecia-me era lagosta! O Estado devia dar mais apoios.

por José Mendonça da Cruz, em 24.02.16

Ountro dia o meu gestor de contas disse-me que eu devia era aplicar as minhas poupanças em acções do BCP, que estavam tão baratas, era coisa de cêntimos, dizia ele, que de certeza eu ia dobrar ou dobrar dez vezes o que investisse. Eu sempre gostei mais dos investimentos no Estado, que é mais seguro, mas, a bem dizer, estava um bocado farto de eles reduzirem o combinado sem dizer água vai e afinal pagarem menos sempre que achavam que a gente aguentava se recebesse menos. Eu investi nas tais coisas do tal banco que o gestor dizia que eu ganhava muito, mas depois elas desceram. Ora, isto não pode ser, eu agora fiquei lesado. O Estado tem que me compensar, quem me compensar eu voto nele, que isto dos mercados é um casino, eu bem dizia. Além de que, se eu ganhasse, o Estado vinha sacar, assim, em eu perdendo, deve o Estado compensar-me. Felizmente os socialistas comprendem bem isto. Não hão-de deixar-me assim lesado.

Lesado, coitado, ficou o pai das miúdas que aquela gaja afogou para as poupar a tormentos. Gaja horrorosa, mas a culpa disto tudo é da falta de apoios do Estado. Li ountro dia que já havia para cima de oito alertas que as coisas iam mal naquela casa, e o Estado não fez nada. É no que dá a falta de pessoal e meios. O Estado devia era criar uma comissão para articular os alertas todos, e contratar mais pessoal, e pagar-lhes melhor, já não aconteciam estas coisas, que as pessoas precisam é de políticas para elas. Senão, é cada um por si, sem nenhuma solidariedade.

 Eu, que vivo numa courela um bocado sem nada ali prós lados da Cruz de Pau bem sinto essa falta. Estou para ali, ninguém me apoia. Nem pavilhão desportivo, nem assistência, nem uma escola para a filha da Manela das galinhas, nada, lá porque é só uma há-de ficar sem escola? Ah, e um hospital para nós 7 que vivemos nestas bandas, que não presta concentrar tudo na cidade, depois as urgências não funcionam. Ou no mínimo um centro de saúde, com dois médicos, pelo menos, se for só um e tem folga como é que a gente se arranja? Ainda ountro dia aqui a outra vizinha, que estava com uma dor no dedo grande do pé, nem foi atendida nas urgências de Almada, falta de pessoal e de meios, é o que eu digo, tudo neoliberais, uma canalha. 

E os transportes?! Quando quero sair daqui tenho que ir de automóvel. Não há uma carreira que sirva. O Estado devia era fazer uma carreira da minha courela até ó centro de Almada. Pois, os privados não faziam, que esses só querem dinheiro, mas o Estado tinha que fazer, para me transportar a mim e mais os da aldeia vizinha, que somos sete ao todo, como disse, e se não me engano. Isso é que era uma política pró povo. 

O Estado devia apoiar mais os transportes, a mobilidade, como eles dizem, eu cá queria era ser móbil. Mas é uma falta de meios e apoios por todo o lado. Olha os gajos do Porto, por exemplo, agora ficam sem aviões para onde querem, a TAP não os leva se não encherem os aviões e pagarem a gasolina. Neoliberais, éque eles são. O Estado é que devia voar para o Porto e para a minha courela. Essas coisas de os estrangeiros apanharem os aviões que querem para os sítios que entendem, e as companhias de aviões andarem todas à porrada a ver quem cobra menos e mostra mais serviço, não me parece coisa boa, é tudo modernices. Eu quero voar é no Estado. Pois, até por causa daquilo da bandeira e da estratégia.

Estava ountro dia a ler o que o tal senhor Vasconcelos dizia sobre os aviões, ele é que percebe daquilo, e a sonhar que qualquer dia acordava e tinha um voo aqui ao pé para ir até ao meu Alentejo, e, pumba, avariou-se-me o gerador. É o que é: o Estado devia era dar um gerador a toda a gente como eu, que precisa. Ou, então, fazer uma estação eléctrica para fornecer electricidade cá para cima, que aqui sempre somos sete, não me canso de dizer, e havíamos de ter electricidade. O Estado devia era dar um subsídio à companhia para montar a torre e a linha que nos dessem luz todó dia.

A bem dizer, eu até agradeço andar a deitar-me com as galinhas, sem televisão nem telenovela, que o Estado não me apoia. É que se eu ficara acordado, maçava-me, só com os quatro canais que tenho. O Estado devia era subsidiar a TVcabo, para todos terem canais e termos um povo educado. E eu via o futebol, está claro, que sem apoios do Estado o futebol é só para neoliberais e fascistas.

E eu preciso de mais televisão, agora que mandei a Alzira às urtigas. A  Alzira é uma fascista, até tinha um canudo e tudo, mas estava sempre a dizer que eu era burro, que nunca percebia que os apoios que eu peço sou eu que pago. Ela punha-me fora de mim era quando dizia que eu era um dos maiores iletrados financeiros da Europa, que não percebia nada, mas iletrada era ela. Então podia lá ser verdade o que ela dizia, que 40 % do preço do meu carrito eram impostos que eu paguei ao Estado, e que do que eu pago prá gasolina vai 60% para o governo, e que a minha casa e a minha courela sem apoios pagam 237 euros por ano ao fisco, e que por cada garfada do cozido na tasca do Manel da Moura vai 23% prós gajos, e que de cada euro que eu faço com as hortaliças e os biscates vai 30% para as Finanças, e que cada aumento do meu pé de meia paga 28.5% a Lisboa. E dizia ainda por cima, a burra, que o Estado não tem dinheiro, o dinheiro do Estado é o que ele me tira, que o pilim é meu e eu vivia melhor sem isso, pagava eu os apoios todos, dizia ela, não percebe nada, a burra! Grande estúpida, a Alzira, é tão maldita como os mercados. O Estado é que devia dar-lhe uma ensinadela, esclarecê-la, neoliberal da merda. Mas não há apoios, não contratam pessoal que chegue... Olha!, para isso é que valia a pena mais subsídios.    

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