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Quando em 1999 António Champalimaud, antevendo que o seu Grupo financeiro, um dos maiores à época, se desmantelaria após a sua morte, na guerrilha dos herdeiros e tendo viva a memória do que acontecera à herança Sommer, tenta um acordo com o Emílio Botín para uma parceria que mantivesse intacto o Grupo Champalimaud - BPSM, Totta, Mundial Confiança, CPP e Chemical - levantou-se uma indignação colectiva de que este país é mestre. 

Não faltou banqueiro, opinion maker, que não apelasse ao Ministério das Finanças, na altura era Sousa Franco, para impedir o negócio de venda de 40% do Grupo Champalimaud aos espanhóis. Era o interesse nacional que estava em jogo, a rentabilidade do sistema financeiro português. 

O Ministro das Finanças alegou falha na comunicação e na autorização do ISP, instituto de seguros, por a cúpula do grupo ser uma seguradora (a Mundial Confiança) para chumbar a operação.

Era preciso uma alternativa. A velhice não espera por decretos, e António Champalimaud sabia que teria de resolver a sucessão urgentemente.

O Governo de Guterres, ao bom estilo socialista, logo se assumiu como arquiteto do sistema financeiro (onde é que eu já vi isto? rings a bell? António Costa e a estabilização do sistema financeiro?) e pôs a CGD a fazer aquilo que sabia fazer melhor: comprar participações em empresas portuguesas para as manter em mãos nacionais.

Logo se pôs a CGD (inicialmente presidida por João Salgueiro, mas no ano seguinte, em 2000, por António de Sousa e como Joaquim Pina Moura já a ministro das Finanças) a comprar a Mundial Confiança, na altura por um balúrdio por acção, a qualquer coisa como 12 contos por acção, afinal era a dona de todo o grupo. Ah, mas desenganem-se a CGD compra a Mundial por um balúrdio a António Champalimaud e o BCP em OPA fica com o BPSM pagando com acções do BCP, pois a CGD não precisava do dinheiro, precisava era de ser a garantia da nacionalidade das empresas portuguesas. Podia ter vendido por dinheiro o BPSM na OPA, mas preferiu acções do BCP de Jardim Gonçalves, que tinha uma estrutura acionista muito dispersa e ainda podia aparecer um novo banco espanhol na esquina a lançar uma OPA ao BCP.

O BPSM por sua vez vendia o Totta ao Santander e o CPP idem, o Chemical já nem sei para quem ficou. 

Foi assim a história da CGD, dona parcial de todas as empresas portuguesas de grande dimensão (teve 10% da PT), a empresa que servia de Fundo soberano do Estado português.

Hoje fazem-se comissões de inquérito para tentar acusar o passado da CGD na esperança de se apanhar o adversário político na esquina.

Não mudou muito o papel que os governos (sobretudos os menos liberais e mais de esquerda) querem dar à CGD, o que mudou foi o preço em imparidades que essas estratégias custam).

 

 



3 comentários

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De Fernando S a 05.01.2017 às 09:27

É hoje ainda mais evidente aquilo já se sabia há muito tempo : uma CGD pública foi, é e será uma desvantagem competitiva para o pais ! 
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De Pedro a 08.01.2017 às 17:18

Se a memória não me falha o Chemical ficou para a CGD e chama-se hoje em dia Caixa-BI

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