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Antes a PIDE-DGS.  Agora a DGS

por Jose Miguel Roque Martins, em 16.10.20

Fez-se uma revolução, mudou-se de regime, prometeu-se liberdade e democracia e a PIDE-DGS foi extinta.

Vem uma pandemia e estamos debaixo de outra DGS, neste caso a Direção Geral de Saúde. Uma comparação entre as duas DGS ´s parece um exagero. A atual DGS não tortura e não prende pessoas. Mas tal como a PIDE, serve os desígnios de um regime, cerceando a liberdade individual, e usando técnicas de terror com desígnios meramente políticos.

O governo não assume que uma pandemia tem uma vida própria, que nenhum SNS está à altura de uma emergência deste tipo, que, sem culpa, é impotente para a travar. Que, inevitavelmente, vão existir vitimas, mesmo com os devidos cuidados, como sempre aconteceu nestes casos.

Ao invés escolheu uma política de terror dupla. Por um lado previne que, se a pandemia avançar,  não vai haver capacidade de tratar as vitimas e que qualquer um pode ser vítima dessa falta de meios. Por outro, assegura que está na mão dos cidadãos fazer com que a pandemia não tenha consequências. Bastará para tanto seguir as regras, clara e cientificamente estabelecidas.

Se as coisas correrem mal, como fatalmente acontecerá, a responsabilidade é dos cidadãos, nunca do governo. Mesmo que os Portugueses tenham que andar de metro,  trabalhar fora do teletrabalho ou,  valha-nos Nossa Senhora da Agrela, viverem com outras pessoas.

A infecção só resulta dos outros contactos, protagonizados pelos malandros que vão a casamentos, a batizados, a bares, a restaurantes e continuam teimosamente a conviver (antes o problema foi dos trabalhadores da construção civil). Mesmo que esses tresloucados deixem de existir, o governo está safo, já que ninguém pode provar a inexistência desses contactos imorais. Os mais velhos, nos lares, lá terão que morrer de depressão, já que de Covid é que não pode ser.

Para sacudir a água do capote, como a pandemia implica vitimas mortais, lançam o estigma da culpa aos cidadãos. Que por serem responsáveis por infecções, passam a assassinos. Mais terror do que este, não há!

A limitação das liberdades individuais, justifica-se para legitimar a falta de responsabilidade do governo nos resultados da pandemia.

Como sempre, as liberdades tolhidas, são para o bem maior.  Tal como acontecia no tempo da PIDE, plenamente justificadas por enquadramentos legais. Por mais absurdas e inúteis, por mais desproporcionadas e invasivas dos direitos dos cidadãos que sejam.

Como sempre, os atropelos aos direitos mais básicos dos cidadãos são necessários, neste caso, para salvaguardar o prestígio do Estado. Na cabeça de alguns, que ele possa proteger a população, exatamente do mesmo tipo de violência a que está a submete-la.

O último episódio burlesco, a pretensa vontade de impor o uso obrigatório de uma aplicação, que não funciona, para telefones que nem todos têm, eleva a fasquia da propaganda política. Anuncia-se, como imprescindível, o que está condenado a não ser implementado. Apenas para reforçar a ideia de que o governo tinha a solução milagrosa. 

Aparentemente vale tudo para proteger o regime e os partidos no poder. Não parecem as criticas que se poderiam fazer ao Estado Novo? Qual a grande diferença para o que se passa hoje?

 

Ps: Obviamente que se os nossos governantes fossem apenas patetas bem intencionados, teria que apresentar desculpas pelo que disse. Mas não me parece.



10 comentários

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De Carlos Sousa a 16.10.2020 às 07:46

E o problema não tem nada a ver com saúde, é apenas para justificar o dinheiro de Bruxelas. 
Depois ficam surpreendidos por o Chega subir nas intenções de voto.
Se isto for para a frente tenho a impressão quem vai levar um abanão é o Costa.
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De balio a 16.10.2020 às 10:01

Excelente post. Estou de acordo.
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De JPT a 16.10.2020 às 10:38

Perfeito. E o triste é que, o que descreve, se aplica a quase todas as democracias ocidentais. Este será (tenho esperança) um caso de estudo sobre o efeito, sobre os decisores políticos, das redes sociais e do contínuo fluxo noticioso (ainda por cima, na sua aparente diversidade, quase todo composto de reproduções traduzidas, ou papagueadas, de meia dúzia de fontes norte-americanas); ou seja, sobre a actual incapacidade de os governantes democráticos, sob pena de se suicidarem politicamente, deixaram de seguir as ondas de pânico e de indignação, que sempre foram a marca das multidões, mas que agora de propagam de forma esmagadora e, cada vez mais "unanimista".
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De balio a 16.10.2020 às 11:27

Excelente comentário. Estou totalmente de acordo.
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De lucklucky a 16.10.2020 às 20:45


Não

Qual é a cultura que temos no sistema político? é a dos jornais. O Presidente veio dos jornais. O PM é irmão de uma das eminências, e ele próprio parte do circuito das TV's. É esta a cultura política que existe. Num certo sentido é o rapar do tacho do regime e mostra como é estreito.



E os jornais o que são? uma monocultura primeiro política, profissional, educacional e geográfica. Viu como se esqueceram dos adjectivos quando foi o incêndio de Pedrogão e como estão sempre a usá-los com Trump...?
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De Júlio Sebastião a 16.10.2020 às 12:17

Tem a certeza que a nova DGS não prende pessoas?
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De Elvimonte a 16.10.2020 às 15:19

Para todos os efeitos práticos, não é possível distinguir a ignorância pura e simples de interesses malévolos e obscuros.



Com a PIDE-DGS sabia-se com que contar. Com a DGS não.
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De Anónimo a 16.10.2020 às 16:51

Tudo isto com a bênção da oposição. Do BE ao PSD tudo calado. O PM atou-lhes mãos e pés. Que miséria de país! 
Catarina Silva
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De Anónimo a 16.10.2020 às 17:55

A grande diferença dos "outros" para o que se passa hoje, JMRM? São muitas. A começar pelo facto de que, outrora, só os mais competentes tecnicamente  ocuparem determinados cargos e para tal tinham de ter créditos comprovados.
A selecção era feita pela competência, entre os melhores nas respectivas áreas. Havia a cultura do mérito, da exgência, coisas actualmente consideradas, enfim, muito "fascizóides" e "discriminatórias". 
Hoje nivela-se por baixo e ascende-se a certos lugares pelo cartão partidário, pelo compadrio e conluio, porque se têm os amigos certos ou certos apelidos, por laços familiares, o nepotismo, etc. etc.
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De Albino Manuel a 17.10.2020 às 14:20

uma diferença: nesses tempos vossa mercê seria ou inspector da pide/dgs ou colunista do Diário da Manhã. O seu avô não pastoreou na António Maria Cardoso?

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