Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Álvaro Sobrinho contou quase tudo, e o que não contou deu pistas (sempre remetendo para o relatório da KPMG). Respondeu à questão sobre as misteriosas cinco empresas (de construção?!) que foram beneficiárias de crédito documentário (crédito por assinatura, chamado crédito por desembolso, para os quais não há contrato), diz-se de 1,6 mil milhões de euros – Socidesa, Sociedade de Desenvolvimento de Angola; Govest Empreendimentos; Saimo; Vaningo e Cross Fund remetendo sempre para o relatório da KPMG Angola e dizendo que não podia falar sobre clientes por causa do sigilo bancário. O que eram estas empresas? Álvaro Sobrinho não disse. Mas sobre a Vaningo, angolana, que comprou à ES International a Legacy Investments Asset Group por um valor simbólico de três euros, remeteu mais uma vez para o relatório da KPMG. Como que a dizer que a chave da sua propriedade se desvenda nos factos descritos no relatório da auditoria da KPMG à ESI (primeiro em Setembro e depois em Dezembro): Álvaro Sobrinho invoca sigilo para não responder à pergunta dos deputados sobre garantia concedida à empresa Legacy porque se trata de um cliente, “mas posso ajudá-lo. O relatório de auditoria da KPMG à Espírito Santo Internacional sobre os ajustamentos de Setembro de 2013 diz que o grupo vendeu a Legacy por três euros.(…) empresa que tinha uma situação financeira negativa. O documento conclui que há um financiamento contínuo do grupo (Espírito Santo) a esta empresa»
Dizem as más linguas que a Legacy era um banco mau da Escom e que a Vaningo, que a compra, tinha ligações a Ricardo Salgado. Aliás quem pediu a garantia do BESA ao BES foi a Vaningo, a empresa que teria comprado a Legacy em Dezembro de 2012 por três euros.
Álvaro Sobrinho diz que não pode ir mais longe quando questionado sobre quem pediu ao BESA essa garantia. Destaca dois pontos fundamentais no relatório da KMPG: a Eurofin e a Espírito Santo Internacional (ESI). “Angola foi sempre um bode expiatório”.
O relatório da KPMG descreve ajustamentos feitos pela auditora às contas da ESI, e cita a página 6. Houve ajustamentos ao passivo, mas também ao activo. Aqui, no activo, citou os ajustamentos Eurofin e sublinhou os ajustamentos a activos imobiliários angolanos, "os hipotéticos investimentos em Angola". Propostas de investimentos de 692 milhões de dólares e projectos de investimento de 1.136 milhões de dólares e ainda a Legacy, que foi vendida em 2012 à Vaningo. Estes ajustamentos feitos numa primeira fase (redução do activo), segundo Álvaro Sobrinho é que deitam abaixo a ESI. Só dos projectos imobiliários de Angola os ajustamentos eram de 1.800 milhões de euros, num total de 2.300 milhões. Numa segunda fase passa para 4 mil milhões porque há reavalização (ajustamento em baixa) ao valor das Rioforte, ESFG e Opway).
Em Setembro de 2011 o BESA prestou uma garantia de 253 milhões de dólares ao BES, para que o BES concedesse um financiamento à Legacy Investments Asset Group (os juros foram pagos pelo GES). A correspondência trocada na altura entre o Banco de Portugal e a administração do BES, numa carta datada de 12 de Fevereiro, do BES ao regulador, Ricardo Salgado explicava que a situação da Legacy não era preocupante para o BES (banco correspondente), já que o financiamento de 253 milhões de dólares estava coberto pela garantia prestada pelo BESA.
Álvaro Sobrinho parecia querer dizer que essa compra foi financiada, com garantia do BESA. Houve um financiamento à Vaningo quem pediu a garantia ao BESA foi a Vaningo. Se a Legacy era da ESI e a Vaningo de Ricardo Salgado isso significaria que a venda era intra-grupo, financiada pelo BES e garantida pelo BESA. Será?
Álvaro Sobrinho disse que o dinheiro que o BES emprestou ao BESA ficou em Portugal? Em parte eram cartas de garantia de crédito que eram dadas a empresas de direito angolano que exportavam. O BES era o banco correspondente do BESA. Logo as sociedades (a que acresce a Escom e outras sociedades de construção) recebiam o produto e o exportador para garantir que recebia do importador abria uma carta de crédito em Angola no BESA, mas essa carta-garantia tinha de ser confirmada por um banco de primeira linha que era o BES, logo se o importador não pagasse ao exportador era o BES que pagava, mas o crédito ficava registado no BESA
O crédito ficava no BESA, mas o BES é que emprestava enquanto banco correspondente. Mesmo a operação das obrigações, o dinheiro não saiu do BES para o BESA” e foi directamente para o Banco Nacional de Angola (BNA), “foi meramente contabilística”. Deste investimento de 1.500 milhões de euros, o BES recebeu 700 milhões de euros de juros, sugerindo Sobrinho que esta operação serviu para aumentar as receitas do BES.
As operações com cartas de crédito também foi feita com a PDVSA (Petróleos da Venezuela) numa operação que em breve descreverei. Trata-se de um circuito ainda desconhecido. Finalidade? A mesma de sempre: financiar empresas da família.
Notava-se muito a preocupação do angolano em proteger os nomes dos generais Kopelipa e Leopoldino. Notou-se também uma reserva em relação a criticar Ricardo Salgado, até parecia que tinha sido recomendado pelos angolanos a não criticar o ex-banqueiro português.
“Sabe se algum dos créditos ao BESA se destinavam a financiar o GES?” – Se forem entidades angolanas, reservo-me o direito do sigilo bancário (angolano), não-angolanas não”, garante Álvaro Sobrinho. Ora o GES estava cheio de accionistas e investidores angolanos (É o próprio Álvaro Sobrinho que o confirma quando lhe perguntam se é um dos accionistas).
Há um outro assunto enigmático. O BESActif e (gestora de fundos de investimento e José Guilherme). O deputado do PSD, Carlos Abreu Amorim (o ilustre jurista, como lhe chamou Ricardo Salgado) pergunta e diz: «O construtor José Guilherme tem alguma relação com a BesaActif (uma empresa que era liderada por Álvaro Sobrinho)? O deputado diz que foram transferidos quase mil milhões de dólares sem qualquer garantia real.
“O dr. Ricardo Salgado sabia da existência do BesaActif?” – “Sabia, sem dúvida, e conhecia quem eram os clientes, garante Sobrinho. “É óbvio que sim”, que este era um dos muitos fundos imobiliários sobre os quais Sobrinho e Salgado falavam nas suas reuniões mensais.
Sobre a idoneidade de Álvaro Sobrinho, perguntaram-lhe. Disse que não perdeu a idoneidade. Ora a idoneidade só se avalia em funções de gestor bancário. Álvaro Sobrinho saiu da gestão do Banco Valor, por isso a idoneidade deixou de ser avaliada.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
Candidate-se, ganhe as eleições com esse programa ...
O que é que sabe sobre o assunto?
O autor fala de "reformas estruturais dolorosas" c...
António José Seguro parece á evidência, o candidat...
> entre estes dois socialistas, qual"it's not a...