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Alterações climáticas, um biombo inconveniente

por henrique pereira dos santos, em 07.02.26

Onde escrevi alterações climáticas, poderia ter escrito ordenamento do território, por exemplo, isto é, questões gerais que servem essencialmente para tirar o foco do que realmente interessa quando se discutem respostas a situações excepcionais.

Para fechar o assunto do ordenamento do território, vir dizer que com uma verdadeira política de ordenamento do território, vontade política e recursos era possível evitar os efeitos negativos das cheias em Alcácer do Sal é o mesmo que dizer que se está a propor retirar o aterro que foi feito sobre o rio, destruir grande parte da zona velha de Alcácer que está em leito de cheia, desmantelar a praça de toiros que, com aquela localização e as actuais circunstâncias, será sempre mais fácil de encher com água que com espectadores e, talvez, aproximarmo-nos do que era a zona ribeirinha de Alcácer no fim do século XIX e princípio do século XX (e que, ainda assim, não a livrava de cheias).

A questão das alterações climáticas, invocadas a cada novo fenómeno meteorológico que capta a atenção de todos nós, em especial quando dele resultam consequências negativas relevantes (um dia destes ainda escrevo sobre o facto das cheias serem uma benção, com custos, mas uma benção) é especialmente irritante porque é frequentemente feita por quem tem a obrigação de saber perfeitamente (e, frequentemente, sabe) que clima é o estudos dos padrões de ocorrência dos fenómenos meteorológicos e, consequentemente, nenhum fenómeno meteorológico, por mais raro que seja, serve para demonstrar um padrão que é definido com trinta anos de observações.

O máximo que um fenómeno meteorológico pode fazer é dar indícios sobre alterações de padrão, mas isso só tem relevância quando se confirmar a alteração de padrão, muitas observações depois.

A propósito de fenómenos meteorológicos extremos, das suas consequências e da resposta da sociedade a essas consequências, vir falar de alterações climáticas, tem apenas um efeito prático: desviar atenções do que os gestores chamariam KPI, ou seja, em português menos gestionário, os factores essenciais que explicam os processos que estão a ocorrer.

Para mim é muito mais fácil falar dos fogos, em que é perfeitamente claro que o KPI relevante é a gestão dos combustíveis finos, quer esteja ou não esteja a haver alterações de padrão de ocorrência de condições meteorológicas que sempre ocorreram e que vão sempre ocorrer, mesmo que em padrões diferentes.

Mas mesmo na resposta à tempestade do dia 28, que convém não confundir com o episódio de cheias em curso, ou a um provável sismo qualquer dia, é para mim relativamente fácil perceber que não é na discussão sobre a previsibilidade do fenómeno, ou na discussão sobre os avisos e alertas (ponho avisos e alertas para evitar comentários inúteis sobre a diferença entre aviso e alerta, uma tecnicalidade que só interessa a quem tem de gerir o sistema de avisos e alertas) que está a discussão fundamental.

Há duas discussões fundamentais nestas matérias.

Uma, a ser feita com tempo, fora da situação de catástrofe, prende-se com a avaliação do que aconteceu para que se identifiquem os erros que podem já ser evitados da próxima vez, e os problemas que precisam de um esforço maior para que sejam mais bem geridos no futuro (aí sim, ordenamento do território, alterações climáticas e matérias afins, devem estar à volta da mesa da discussão, juntamente com a discussão sobre custos, eficiência económica e social, exequibilidade política e essas minudências a que se costuma chamar vontade política quando se quer evitar a discussão concreta sobre o "como" actuar).

Outra, a ser feita de forma contínua, prende-se com a forma como a sociedade se organiza para responder à incerteza sobre o futuro, que é uma forma complicada de designar a protecção civil e coisas afins.

Não sei o suficiente sobre protecção civil, resposta a catástrofes e coisas que tais, mas tenho a intuição, uma intuição informada e com muitas horas de discussão no caso dos fogos, de que se continuarmos a assentar a resposta a catástrofes e à incerteza numa estrutura institucional assente em corpos de bombeiros que prestam poucas contas e alimentam carreiras profissionais que desaguam nos lugares de decisão dessa protecção civil, sem grande preocupação com o mérito e as provas dadas, com uma cultura de reacção em detrimento de previsão, organização e avaliação constante que permita aprender com cada intervenção, não vamos melhorar muito, durante muito tempo.

Nestas circunstâncias, falar de alterações climáticas ou ordenamento deo território nestas alturas, por melhores intenções que se tenham, só serve para desviar a atenção para a necessária discussão institucional que, essa sim, é um factor chave do processo a que precisamos de dar atenção.


26 comentários

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De cela.e.sela a 07.02.2026 às 11:06

há um mínimo que verifico: o governo não tem o mínimo apoio de: especialistas, jornalistas, políticos de ideologias diferentes, tvs ...
sabem tudo de tudo. preocupa-me a falta de informação (só desinformação e ignorância). '' tudo já'' não dá. reclama-se por tudo e por nada até aos incêndios de verão. vão continuar a construir dentro dos rios e a culpa será eternamente ''do que lima''.
a mais grave das omissões reside na destruição das culturas agrícolas.
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De Anónimo a 07.02.2026 às 11:16

"Previsão, Organização e Avaliação Constante"


Isto devia estar Gravado em Pedra á porta de todas as Instituições Públicas, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Ministérios, Secretarias de Estado, Governos Civis, Governo Central, nas Praças Públicas, Ruas e Esquinas dos Caminhos, na Porta das Igrejas, á entrada das Pontes e Auto Estradas e tudo o que tiver a ver com Administração Pública de Populações e Território.


Os Funcionários Públicos acima de Contínuo, incluindo Chefes de Gabinete, de Divisão, Departamento e SubChefes disto e daquilo, deviam usar uma placa ao peito com estes dizeres gravados.


Também deveria estar em cima de todas as Secretárias de todos os Gabinetes e Repartições, de todas as Chefias, SubChefias e todo e qualquer bicho-careto do País 


"Previsão Organização e Avaliação Constante"


Em três anos Portugal seria um Pais Civilizado 






Os
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De Filipe Costa a 07.02.2026 às 11:40

"O problema do IPMA não é a escassez de avisos: é o excesso. O IPMA produz centenas e centenas de avisos por ano, dezenas e dezenas por mês, às vezes uma data deles num único dia."


Alberto Gonçalves
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De Anónimo a 07.02.2026 às 12:04


Ainda bem que percebe o problema. O mundo está cheio de idiotas e de manipuladores. Um dos principais manipuladores são os media. Por tudo e por nada falam em alterações climáticas e com isso desinformam. Como a maior parte das pessoas têm pouca cultura, vão repetir. Tirar o foco do que realmente interessa é moda e também vemos muito isso nos blogues. Não está provado com hajam alterações climáticas e muito menos que o que aconteceu seja isso.
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De Anónimo a 07.02.2026 às 13:09

Metade do mundo diz que sim e a outra que não 


A Comunicação Social de um modo geral, alinha toda no Sim, irão existir Alteracoes Climáticas ... mas lá mais para a frente.


A ciência que se supõe científica, logo razoávelmente exacta, tem metade dos cientistas a dizer que sim e a  outra metade a dizer que não.


Podia ir á bruxa, mas ela quer dinheiro pela resposta e a minha resposta é que isto está mau para todos.


De modo que fico-me pela dúvida existencial no que toca às alterações.


Quanto ao resto vou seguir a via dos antepassados;


Se estiver calor, uma salada de polvo cozido ao natural, com azeite de vinagre.


Se estiver frio, uma feijoada de chocos com pão de véspera torrado.


Resolve todas as crises
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De lucklucky a 08.02.2026 às 08:04

Alteracões climáticas sempre existiram, o que está em causa é criar culpa nas pessoas para mais facilmente obter poder para a politica. Quem sente culpa não protesta. Para isso a profissão activista disfarçada de jornalista que existe para  adubar e acelerar a politica cumpre a sua função principal de fazer as sentirem-se culpadas . Depois quando até as Democracias forem Totalitárias, o objectivo final de só a política contar foi cumprido.
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De Anonimo com penas a 07.02.2026 às 17:58

Se eu quiser saber sevas alterações climáticas são reais questiono o chatgpt. É preciso é saber fazer as questões correctas.
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De Anónimo a 07.02.2026 às 20:34

Pois. Mas o chatbot só diz o que diz a maioria.
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De JPT a 07.02.2026 às 13:06

Diria que se devia falar de ordenamento do território quando se vê “Polis” ribeirinhas submersas (por exemplo em Coimbra e Abrantes) e se ouve  jornalistas a dizer que “não há memória” dos equipamentos aí edificados ficarem submersos (de algum modo têm razão, porque até há uma dúzia de anos eram espaços vazios… e percebe-se porquê)
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De Anónimo a 07.02.2026 às 16:58


Em Coimbra sempre houve cheias. É por isso que chamavam ao Mondego o Basófias: passava o ano todo a fingir que era um ribeiro, e de repente transformava-se num rio enorme. O mosteiro velho de Santa Clara está aí para mostrar que já há séculos se construía em leito de cheia.
Agora com as barragens, sobretudo a da Aguieira, muitas cheias foram eliminadas, e as zonas ribeirinhas de Coimbra já não costumam ficar inundadas. Mas de vez em quando ainda pode acontecer...
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De Anónimo a 07.02.2026 às 18:03

Tem razão 
Puseram lá o Mosteiro Santa Clara anteontem...
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De JPT a 08.02.2026 às 10:30

Puseram e abandonaram. O Mosteiro de Santa Clara a Nova é do Sec. XVII. 
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De Anónimo a 08.02.2026 às 14:03

Não é nada, aquilo era um espaço vazio
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De lucklucky a 08.02.2026 às 08:06

O que é leito de cheia depende do tamanho da cheia...
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De henrique pereira dos santos a 08.02.2026 às 09:47

Não, não é assim, o leito de cheia é definido tecnicamente em função do histórico das cheias, não varia de cheia para cheia
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De lucklucky a 10.02.2026 às 07:44


Se ocorrer uma cheia maior que as cheias do passado muda o "leito de cheia"...
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De Anonimo com penas a 07.02.2026 às 18:02

O Estado não sabe gerir território. Deixem o mercado e a sociedade civil actuarem. Esperar pelo papá Estado para planear, executar e ajudar quando há desastres é estratégia que devia ter sido extinta quando o Muro caiu.
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De Anónimo a 07.02.2026 às 22:46

Caro Anónimo com penas 18:02 Há duas hipóteses:


Se a Razão estiver do seu lado este País não existe.


Mas o País existe logo você não tem razão.
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De Anónimo a 08.02.2026 às 02:41

A sua opinião não é, digamos, original. Pelo menos, não está sozinho. As alterações climáticas são “a maior farsa perpetrada pelo mundo”, “feita por pessoas estúpidas”, segundo o grande pensador, e meteorologista, Donald Trump. 
E tem seguidores. Segundo um cientista, entrevistado na televisão, o que se passou em Alcácer do Sal, por exemplo, deve-se ao facto de Portugal ser um país de “variabilidade climática” e não a uma qualquer mutabilidade atmosférica. 
“Pessoas estúpidas”, afinal, são os habitantes de Alcácer, que, desde há mais de quinhentos anos, vivem nas margens do Sado. 
Aguardo que o senhor Ventura, outro profundo pensador do nosso tempo, seja eleito, para partilhar connosco a sua opinião (parece que o tempo não está de feição mas, com a nossa “variabilidade”, nunca se sabe).
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De lucklucky a 08.02.2026 às 08:26

Quem acredita que se pode determinar que a culpa  das alterações climáticas hoje é dos humanos mas que há 1000 anos as alterações climáticas não foram talvez seja estupido... O Método Cientifico não permite chegar a alguma conclusão. 
O politicos e os seus esbirros os jornalistas apropriaram-se entre as numerosas hipóteses para explicar o clima  a que lhes dá mais poder.  -hipótese perfeitamente legitima mas impossível de provar-  

Transportemos  várias grandes das tempestades do passado para o presente... a maioria das pessoas instrumentalizada por décadas de propaganda diria que a culpa é das alterações climáticas provocadas pelo humanos.
Há 1000 anos estas mesmas tempestades não foram...


1099, November 11, The Anglo-Saxon Chronicle states, that in London "On the festival of St Martin, the sea flood sprung up to such a height and did so much harm as no man remembered that it ever did before".[3]
1164, February 16, Saint Juliana flood, Netherlands and Germany, several thousands of deaths
1170, November 1, All Saints' Flood, Netherlands, marks beginning of creation of Zuiderzee
1212, Netherlands, possible 36,000 or 60,000 deaths, but doubt whether it happened at all.[4]
1219, January 16, Saint Marcellus flood, Netherlands and Germany, 36,000 deaths struck West Friesland[5]
1248, a year with three storm tides in The Netherlands with major inundations
1277, Netherlands and Germany, formation of Dollart
1277, Netherlands and Germany, formation of Lauwerszee
1282, Netherlands, separates island of Texel from mainland
1287, December 13, Saint Lucia flood, Netherlands, formation of Waddenzee and Zuiderzee, 50,000–80,000 deaths. Major impact on Cinque Ports in England.
The Burchardi flood in October 1634
1288, February 5, Saint Agathaflood, Netherlands, several thousands of deaths
1322, Netherlands and Belgium, Flanders loses all coastal islands, many deaths especially in Holland, Zeeland and Flanders
1334, November 23, Netherlands, several thousands of deaths
1362, January 16, Grote Mandrenke (big drowner of men) or Saint Marcellus flood, Belgium, Netherlands, Germany and Denmark, created a great part of the Wadden Sea and caused the end of the city of Rungholt; 25,000 to 40,000 deaths, according to some sources 100,000 deaths. etc...


https://en.wikipedia.org/wiki/Storm_tides_of_the_North_Sea
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De Anónimo a 08.02.2026 às 12:34

Tem carradas de razão.


As cantadas "alterações climáticas" não passam da última patranha  inventada por uma nova tribo que ambiciona as luzes da ribalta; os ambientalistas.


Quando se olha a história da terra o que mais se vê são "alterações climáticas" decorrentes do Planeta ser um Sistema Vivo e Dinâmico.


Aquilo que os arrivistas e imbecis rotulam de "as atrações climáticas" não é mais que o grande motor a funcionar
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De Anónimo a 08.02.2026 às 13:36

Todas essas catástrofes devem ter sido causadas pela "Poluição Industrial", pelo Capitalismo e pela Sociedade de Consumo.















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De Anónimo a 08.02.2026 às 14:07

Eles têm medo do drill baby drill e da independência energética. Os lobbies marxistas, com o seu braço armado (jornalismo), instigam o medo obrigando a populaça a abdicar dos veículos individuais em prol dos transportes "suciais" e a aceitar moinhos ineficientes como produtor de electricidade. 
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De Anónimo a 08.02.2026 às 20:06

Bom. Parece evidente que em áreas densamente povoadas, como são as grandes cidades, faz mais sentido o transporte Colectivo que o Individual.


Parece que em Londres, aliás, houve experiências no sentido de interditar certas áreas ao transporte individual, mas ignoro o resultado.


O que parece evidente é que em havendo planeamento correcto, e prática eficiente, haveria ganhos ambientais significativos para não falar na qualidade de vida do cidadão


Pode não ser politicamente correcto mas parece o género de coisa que as autoridades responsáveis de todas as cidades deveriam começar a pensar 
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De Anónimo a 09.02.2026 às 02:44

Esqueceu-se do básico: quando a terra foi inundada por uma tempestade que durou 40 dias, devido a um castigo de Deus, com o propósito de purificar o mundo da maldade e violência. 
As mutações climáticas têm natureza divina, bem dizia Galileu, não estão ao alcance dos homens. Em matéria de destruição somos modestos, apenas dispomos de bombas atómicas.
Quanto ao que vem do céu, oremos pois.


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De Francisco Almeida a 08.02.2026 às 13:00

Fiquei curioso sobre os benefícios das cheias. No meu tempo, anterior às barragens isso era evidente e as melhores terras do país na margem Norte do Tejo e no Vale do Sorraia, são aluviões. Mas depois das barragens, isso foi muito diluído e, instintivamente, sem qualquer avaliação, parece-me que os inconvenientes superam as vantagens. 
A mudança de padrão, cheias violentas mas curtas para o mais actual de cheias reguladas (1979 foi a excepção) mas prolongadas, também não me parece isento de inconvenientes.
Incidentalmente, o que vejo onde resido, de alagamentos por saturação, supera em muito o que vi em 1979 mas a cheia está longe de igualar 1979, o que me leva a concluir que a gestão das barragens e a articulação com Espanha têm sido muito positivas.

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