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Ajuda humanitária em Gaza, e o jornalismo

por henrique pereira dos santos, em 16.07.25

"o que chamar ao que vemos todos os dias, às crianças abatidas nas filas de espera para receberem alimentos, como se fosse um desprezível jogo de vídeo? ... o que fazer a um país capaz de tamanhas atrocidades contra civis?"

Amilcar Correia é um jornalista experimentado do Público, no entanto, acha credível que um país democrático (o único na região) desenvolva e execute um plano maquiavélico para atrair crianças e as matar friamente, sem que haja uma só prova de que realmente é isto que está a suceder.

Nem testemunhos de militares (logo, todos os militares israelitas são psicopatas) para além de um testemunho anónimo impossível de confirmar, nem videos da situação, nem identificação verificável das vítimas, nem testemunhos de trabalhadores humanitários, nada, rigorosamente nada, que possa dar um mínimo de credibilidade ao que é escrito pelo jornalista.

Vejamos que informação existe que possa ser verificada.

Israel e os seus aliados acusam a ONU e as organizações envolvidas na ajuda humanitária de deixar que o Hamas roube a ajuda humanitária, usando-a com três objectivos estratégicos: 1) abastecer o seu exército (chamo-lhe assim porque a ONU se recusa a classificar o Hamas como grupo terrorista); 2) financiar-se através da venda dessa ajuda humanitária nos mercados informais; 3) controlar a população fazendo depender da não oposição ao Hamas a chegada de bens essenciais às pessoas.

Que eu saiba, esta acusação não está solidamente demonstrada, é informação de uma das partes em conflito, logo, deve ser vista com bastante cautela.

No entanto, é compatível com o reconhecimento da ONU de que, contratando localmente, é inevitável que entre as pessoas que trabalham para a ONU haja muitos simpatizantes de uma organização que terá o apoio de 30% da população de Gaza, é compatível com a lógica de actuação das partes em conflito e é compatível com o reconhecimento de que a falta de segurança nos circuitos de abastecimento tem levado a muitos roubos e desvios.

Por esta razão, Israel, e os seus aliados, criaram e operam um mecanismo independente de ajuda humanitária, a Gaza Humanitarian Foundation, com mecanismos de funcionamento diferentes dos da ONU (naturalmente, se o problema é que os mecanismos da ONU não garantiram que o Hamas não se apropria da ajuda, os novos mecanismos têm de ser diferentes, para dar resultados diferentes), que as organizações envolvidas nos mecanismos da ONU e o Hamas criticam amargamente.

A oposição do Hamas a este novo mecanismo é de tal ordem que deu instruções claras à população para o boicotar e, perante o facto da população não obedecer, cria dificuldades no acesso da população, com a mesma indignidade moral que atacava (incluindo a tiro) a população de Gaza que entendia seguir as indicações do exército israelita e fugir das zonas de combate mais perigosas.

O assunto, para o Hamas, tem uma importância tal que é uma das principais questões não resolvidas nas actuais conversações para um cessar fogo, o que indicia que Israel terá alguma razão na acusação de uso indevido da ajuda humanitária por parte do Hamas.

Estamos, portanto, perante uma situação complexa em que uma das partes em conflito entende que a ajuda humanitária que permite que chegue à zona de guerra é usada pela outra parte em conflito, não reconhecendo às entidades terceiras a independência e eficácia necessárias para garantir que a ajuda humanitária não é transformada num instrumento de poder e financiamento do Hamas.

O que faz o jornalismo?

Ignorando as acusações de falta de imparcialidade da ONU, não escrutina o que faz e diz a ONU, tomando toda a informação que vem da ONU, ou de funcionários da ONU, como verdades reveladas que não precisam de escrutínio.

Mas que informação transmite a ONU?

Como gosto de fontes primárias (e já vamos à forma como a imprensa depois as usa), é dar um salto aqui e ver que a porta-voz do Comissário para os Direitos Humanos fala em 875 pessoas mortas enquanto procuravam aceder à ajuda humanitária.

Uma boa parte da imprensa, imediatamente usa esta informação como querendo dizer que 875 pessoas morreram por causa do esquema de ajuda humanitária da GHF.

Só que não é isso que está escrito.

674 nas vizinhanças dos postos da GHF e 201 junto de outros sítios, geridos pela ONU.

Primeira surpresa, cerca de um quarto dos mortos ocorrem quando procurem ajuda da ONU.

Segunda surpresa, nenhuma referência é feita a tiros de tropas israelitas.

Terceira surpresa, a ONU não diz qual é a fonte de informação que está a usar.

Olhemos agora para a informação que vem de uma das partes em conflito, a GHF, citada por uma fonte judia.

Primeira surpresa, quando, olhando para a imprensa, Israel é retratado como impedindo a ajuda humanitária, a GHF, num só dia (Segunda-feira), terá distribuído 1,3 milhões de refeições, para uma população de 2,2 milhões (à ajuda da GHF é preciso somar a que é gerida pela ONU, naturalmente). Já agora, desde que começou a operar, já terá distribuído 74 milhões de refeições.

Segunda surpresa, a GHF diz que os números usados pela ONU são os do Hamas (eu não sei se são, sei é que a ONU não diz qual é a sua fonte de informação).

Agora sem surpresa, noutra publicação mais recente da GHF, há uma descrição dos problemas que o Hamas está a causar, implicando a morte de civis, para boicotar o esquema de ajuda humanitária que o põe de lado, difícil de confirmar, para já.

Temos, portanto, duas hipóteses.

A do jornalismo mainstream, que consiste em dizer que Israel e os seus aliados criaram um esquema para atrair crianças e as matar a tiro, a coberto de uma operação de ajuda humanitária.

A da GHF, que consiste em dizer que o Hamas está a criar confusões, que resultam em mortes, como forma de boicotar o esquema de ajuda humanitária que lhe retira poder.

Não há maneira de saber qual das duas hipóteses é verdadeira, para além de dúvida razoável.

Mas em qualquer parte do mundo, qualquer pessoa, considera mais razoável admitir que um grupo de fanáticos militarizados como o Hamas use o seu próprio povo para criar terror e ganhar poder, que um governo democrático crie um jogo de tiro ao alvo a criancinhas sem imediatamente se gerar um escândalo de proporções bíblicas na sociedade em causa.

Ou melhor, em qualquer parte do mundo, excepto Israel, de acordo com a imprensa.


23 comentários

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De cela.e.sela a 16.07.2025 às 11:07

o Embaixador dos EUA na ONU pediu o encerramento da organização:
« Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo, também conhecida pela sigla UNRWA »
«os árabes israelenses constituem cerca de 19,8% da população do país, e a grande maioria (mais de 80%) deles são muçulmanos. 
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De Anonimo a 16.07.2025 às 14:41

Waltz added that some U.N.-funded research and projects were anti-American and received input from some member states, which the administration considers adversaries
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De anónimo a 16.07.2025 às 12:06

"...Ignorando as acusações de falta de imparcialidade da ONU, não escrutina o que faz e diz a ONU, tomando toda a informação que vem da ONU, ou de funcionários da ONU, como verdades reveladas que não precisam de escrutínio....".

A ONU, durante meio século de poder e responsabilidades em Gaza não entregou nem uma das proverbiais canas de pesca aos gazeanos.
A ONU preferiu criar ali, e para si, um lucrativo feudo, um infindável círculo fechado de interesses, económicos e políticos.
Por seu lado os gazeanos preferiram utilizar os vastos fundos e apoios "humanitários" -inclusivé de Israel- não para construir um país, mas sim para construir um Metro de cariz mais que duvidoso. Isso perante a complacente, senão deliberada cegueira da autoritária ONU.
Sabemos quem são os países das maiorias que votam resoluções na ONU.
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De Anonimo a 16.07.2025 às 13:31

Obrigado por mais um texto imparcial e factual. Venham mais destes.
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De Anonimo a 16.07.2025 às 13:42

Nada é verificável, todos os dados são duvidosos, somente temos teorias.
No entanto, o meu lado tem razão. 
Sim, dá para os dois lados, salvo seja...
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De Rodrigo Raposo a 16.07.2025 às 14:30

Quando não há para contrapor, resta isto do são todos iguais, andam todos ao mesmo. Reação típica do ignorante, convencido, mas com fé(zada), que perde o chão e fica sem pio ...
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De Anonimo a 16.07.2025 às 14:36

Tem razão, não ter a certeza do que se passa é a marca dos ignorantes. Os inteligentes e esclarecidos nunca têm dúvidas. 
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De Anonimo a 16.07.2025 às 14:43

Uma coisa é certa e não carece de verificação: a comentar no respaldo do sofá nunca se perde o chão. E a razão. 
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De Anonimo a 16.07.2025 às 14:47

Concordo de inteiro com o Rodrigo. É de ignorante partir de factos não verificaveis e tirar conclusões inequívocas, sempre na base da fezada, convencidos de que têmrazão. Sejam pro israel ou pro hamas. Sejam jornalistas ou comentadores de blogs.
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De lucklucky a 16.07.2025 às 18:21

A típica tática da guerra fria Pravda/Avante/Jornalismo quando sentem o chão a tremer debaixo dos pés. "São todos iguais" 

Á ONU em Gaza é aliada do Hamas. Aliás têm um esquema conjunto de empobrecimento dependente dos Palestinianos, junto com o Hamas para pagarem a gerações após gerações estarem em campos de refugiados quando ao lado os bairros á beira mar em Gaza  do Hamas eram parecidos com a Riviera. Ruas largas, jardins tratados...




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De Anonimo a 16.07.2025 às 23:25

Força camarada Lucky.
Não deixe que a ideologia lhe tolde o pensamento 


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De Anonimo a 17.07.2025 às 09:17

Eles são assim, os progressistas marxistas. Não querem perceber que há o Bem e o Mal. Recusam escolher um lado. Eu escolho Israel, os seus aliados ocidentais, as Forças do Bem, Bibi e Smotrich. Arrasar Gaza, extinguir Hamas, enviar Palestinianos para onde sejam bem-vindos.
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De Anonimo a 17.07.2025 às 13:52

São todos iguais" 


A táctica de quem nega o Bem e o Mal, ou de que de um lado estão os bons e do outro os maus. Uns totos, idiota (in) uteis.
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De Vitor a 16.07.2025 às 15:25

Continuo a acreditar mais em Israel.
Já da nossa comunicação social, não espero grande coisa desde a vergonhosa cobertura da pandemia. Não informa, abraça causas.
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De Anonimo a 16.07.2025 às 16:30

Subscrevo 
Israel não tem Razão para mentir
O Hamas tem
Com social são idiotas úteis 
Basta seguir meios isentos como daily wire, douglas murray ou War Room para desmontar a propaganda anti semita
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De Anónimo a 16.07.2025 às 17:35

Basta ver a "cobertura" que eles dão ao que se passa em espanha...
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De JPT a 16.07.2025 às 19:02

A "cobertura" consiste em traduzirem o "El Pais", que está para o PSOE como a "Marca" está para o Real Madrid. Mas, aparentemente, não há mais jornais em Espanha (tal como em França só há o "Le Monde", nos EUA só há o "NY Times", e no Reino Unido só há o "Guardian", que, ainda por cima é de graça).
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De O apartidário a 17.07.2025 às 09:17

Tomem atenção que nem sequer é um espanhol autócne a dizer o que se diz nesse video 


Canal Periodista digital https://youtu.be/usxKKnIfgeM?si=_4sx71hFzEgAB4NP
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De O apartidário a 17.07.2025 às 08:40

O que os média não reportam (alguns sim mas distorcem os factos para fomentarem as agendas "progressistas"/globalistas)

What is happening in Spain? The mainstream media is 100% ignoring this story. Just go to CNN.com or FoxNews.com... zero coverage of what is happening in Spain. Of course they're hiding it from you on purpose. ( no canal Redacted em inglês)

https://youtu.be/dnXciY5CpX4?si=CbJOAkix1losCC_a
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De lucklucky a 16.07.2025 às 18:30

A grande maioria dos jornalistas são activistas. Foram para a profissão e aceites pelos pares para fazer politica não para informar.

É provavelmente a profissão onde mais pessoas se recusam a fazer o trabalho que escolheram. 
Não consigo pensar em nenhuma profissão tão corrompida.
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De O apartidário a 18.07.2025 às 08:48

Os espanhois confrontam a "comunicação social" no seguimento dos "tumultos"(que em geral seguem com a narrativa habitual, ignorando a realidade em favor das agendas politicas e ideológicas da geringonça que segue no desgoverno da Espanha)

https://youtu.be/yDcSnzlVRIo?si=WhW7GgJokwuBXhW1
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De Anónimo a 16.07.2025 às 17:47

O mal é que não passam noticias que sejam más que envolvam o hamas, a onu ou os palestinos. É só malhar nos Israelitas.


Esta noticia é antiga mas passou por cá?
https://www.ynetnews.com/article/ry00kqzera
Hamas terrorists murder Gazan mother after refusing to give charity funds


Local reports say terror group operatives stopped Islam Hijazi's car and fired over 90 bullets at her after she refused to provide them with money donated to her organization 




Vergonhoso o que eles fizeram aquela mulher e ainda por cima, isto:
https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/empresas-de-fachada-e-recorde-de-doacoes-o-hamas-nunca-recebeu-tanto-dinheiro-quanto-agora/


O dinheiro que eles recebem não lhes chega e ainda roubam o de outras organizações.
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De lucklucky a 16.07.2025 às 18:33

Os jornalistas portugueses (e não só cá), só seguem o Hareetz o jornal da extrema esquerda Israelita com uns 4% de leitores...


O jornal que escrevia  há cerca de uma década que os rockets do Hamas e do Heezbollah eram delírios do "complexo militar industrial".

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