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Agora, na curva descendente

por henrique pereira dos santos, em 13.04.20

Ontem fiz um post sem moral, só com um gráfico que mostrava a mortalidade global diária atribuída à covid a descer.

Grande parte da dinâmica da epidemia é agora influenciada pelos Estados Unidos (também eles, aparentemente, na curva descendente) que é uma dinâmica ligeiramente mais recente que a da Europa.

Acho que vale a pena fazer um nota sobre o que está a acontecer na Europa.

Praticamente em todos os países as curvas da epidemia estão já nas fases descendentes ou, na pior das hipóteses, no planalto, havendo países como a Itália, a Espanha, a Suíça e a Austria que estão mais avançados.

Pela primeira vez admito que nos dados pode haver algum indício de que as medidas de confinamento possam ter tido algum efeito na gestão da epidemia.

O que se passa é que, aparentemente (a confirmar nos próximos dias) a perna direita (a da descida) das curvas parece ser mais deitada que a perna esquerda (a da subida).

Em teoria, isso poder-se-ia dever ao famoso achatamento da curva: picos mais baixos, mas mais distendidos no tempo (a ideia de que a contenção diminui a mortalidade que não se deve a sobrecarga dos serviços de saúde ou a ideia, ainda mais absurda mas explicitamente usada por responsáveis portugueses e espanhóis, suponho que outros também, de que quanto mais rigorosos formos no confinamento, mais depressa nos livramos disto, são duas ideias sem a menor sombra de suporte teórico).

Há outras hipóteses para explicar o arrastamento que parece visível (parece porque é cedo para ter certezas) na perna direita das curvas, como o efeito da estrutura etária, ou da morbilidade pulmonar na mortalidade, e outros factores associados à mortalidade, mas o relevante é que existe um eventual indício de que talvez as medidas de confinamento tenham influenciado a curva da epidemia.

Note-se que daqui está longe de se conluir que as medidas se justificaram: o efeito positivo deste eventual achatamento seria apenas sobre a mortalidade em excesso em Itália e Espanha, por falta de capacidade de encaixe dos serviços de saúde.

Esse eventual efeito positivo, a existir, parece claramente marginal e à custa de um arrastamento da situação no tempo que não beneficia ninguém.

Só mais à frente se pode verificar se este efeito se deve realmente ao achatamento da curva: se se verificar a situação que parece hoje verificar-se na Coreia, em que o arrastamente persiste há semanas, com os casos residuais a manterem-se, embora num nível baixo.

Nada que não seja o que a teoria permitiria esperar, ao contrário das fantasioas ideias de que o confinamento pode diminuir a incidência da epidemia e, muito menos, reduzir o seu tempo de actividade.


30 comentários

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De António Pires a 13.04.2020 às 12:07

Claro que o confinamento reduz a velocidade de propagação. Veja-se o que se passa nos lares de idosos. Os idosos estão confinados (já estavam) mas quem deles cuida não pode estar. Quando a infecção lá entra, progride como fogo em mato seco.
O número de infectados oficial serve de pouco porque será muito diferente do número real, que quanto mais alto for, melhor (muito mais gente assintomática e talvez imune).
Mais útil é analisar o número de mortes. Até 28 de Março cresceu exponencialmente, duplicando a cada 2.5 dias. A partir daí e até 3 de Abril cresceu também exponencialmente mas com um tempo de duplicação de 4,6 dias. Esta redução do ritmo de crescimento poderá explicar-se pelo confinamento que começou ainda antes da quarentena. Em 3 de Abril deu-se uma mudança brusca no ritmo de crescimento (passou a crescer linearmente a cerca de 30 mortes por dia) para a qual não encontrei explicação.
A partir do mesmo dia 3 de Abril o número de internados que até aí tinha duplicado a cada 4,6 dias passou a praticamente constante por acto administrativo. Se não fosse assim seria por se ter atingido a capacidade de internamento. Claro que o excesso de doentes para quem se recomendaria o internamento estão a recuperar em casa sem os cuidados hospitalares.
Isto mostra que o único efeito do confinamento é evitar o colapso dos sistemas de saúde. Porém, o virus continua a andar por aí e quem não foi infectado agora será mais tarde até que haja uma vacina. O resultado depende do sistema imunitário de cada um. Como a população portuguesa não deverá ser muito diferente das italiana, espanhola e francesa é só olhar para lá para ver o que nos espera.
Nota: todos os valores apresentados foram obtidos só com os dados da DGS.
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De henrique pereira dos santos a 13.04.2020 às 12:18

Se bem percebi o seu argumento, o facto da infecção ter entrado nos lares demonstra a utilidade do confinamento?
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De António Pires a 13.04.2020 às 12:32

Dentro dos lares os utentes estão tão desprotegidos como a população em geral no início da epidemia (sem confinamento). Quando o virus lá entra através dos seus cuidadores, propaga-se.
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De henrique pereira dos santos a 13.04.2020 às 12:38

Ou seja, as medidas de confinamento não funcionaram
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De Anónimo a 13.04.2020 às 12:46

se os utentes dos lares não estivessem aglomerados (100 ou mais no mesmo lar) e estivesse cada um na sua casa sem contacto com pessoas que regularmente entram e saem, por exemplo para ir a hospitais, muito menos tinham sido contaminados.


com todo o respeito, o que significa para si "confinamento"?
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De António Pires a 13.04.2020 às 13:37

Não houve confinamento dos lares, nem pode haver. Os cuidadores têm que entrar e sair. Não se pode fechar os lares como se fecham restaurantes, centros comerciais ou fábricas.
O mais parecido com os lares são os hospitais não-covid em que há que evitar o mais possível que as pessoas que lá trabalham entrem infectadas. Os internados, embora com outras patologias, têm o sistema imunitário enfraquecido.
Só queria acrescentar que a única razão para as medidas de confinamento é evitar o colapso dos sistemas de saúde. Em detrimento da duração da epidemia a qual se estenderá no tempo, possivelmente com o mesmo número total de mortes.
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De henrique pereira dos santos a 13.04.2020 às 19:02

Resumindo, se o mundo não fosse como é, se as pessoas não fossem pessoas, se as sociedades não se organizassem como se organizam, o confinamento funcionaria, é isso?
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De Anónimo a 13.04.2020 às 19:18

Antonio Pires:
Se bem o entendi, "com" ou "sem" confinamento o nº total de mortes seria sensivelmente o mesmo? A única diferença, então,  é que "com" o confinamento as mortes que se evitaram, estão apenas suspensas,  ficam  "em espera" ou "pausa",  mas acabarão inevitavelmente por acontecer DEPOIS,  quando estivermos já "sem" confinamento? 
Ou seja, COM confinamento as  mortes vão ocorrendo "a conta gotas" ao longo de mais tempo o que evita a sobrelotação e falta de resposta dos hospitais. SEM confinamento  atingiríamos o mesmo nº de mortes que os anteriores mas mais depressa, num curto período de tempo.É isso?
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De henrique pereira dos santos a 13.04.2020 às 23:53


Isso é o que diz a teoria, não sou seu. O benefício seria evitar a sobrecarga dos serviços de saúde e só haveria diferença em número de mortos na medida em que morressem pessoas por falta de assistência médica, quando os serviços não têm capacidade de encaixe.
Insisto que não sou eu que digo, é a teoria.
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De Anónimo a 14.04.2020 às 10:03

Entendi perfeitamente que é a teoria que o diz e não o HPS.
Mas o comentador António Pires, tb corrobora essa teoria, pelo que se percebe.
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De Anónimo a 14.04.2020 às 11:47

Resumindo: se, por um lado, a imposição do confinamento social (ou físico) serviu para salvar vidas,  serviu também, lá bem no fundo, para MASCARAR o estado a que tinha chegado o nosso  depauperado SNS muito ANTES do confinamento físico . Foi , enfim, um estratagema para criar "uma falsa sensação de segurança" no sistema de saúde. Porque ao evitar-se  grande afluência de doentes aos Hospitais  conseguiu-se disfarçar  a falta de condições dos  mesmos Hospitais, de equipamentos, de espaço , de protecção do pessoal médico, etc. etc. E porque os portugueses  não são destituídos de todo,  tinham bem a noção dessa realidade  e viam e ouviam notícias de outros países. Achando-se entregues a si próprios e desprotegidos (como quase sempre lhes  acontece)  tomaram eles mesmos várias medidas e  iniciativas, muito antes da imposição do governo. 

Por outro lado, serviu o confinamento, ao menos, para livrar os médicos de chegarem até ao limite do insuportável da sua exaustão e de dilemas morais. E protegeram-se vidas e salvaram-se outras, dentro do nosso limite de "encaixe", assim evitando o que aconteceu em Itália e Espanha. Nada mau, para já. E  Costa, o habilidoso, salva-se a ele  (por enquanto...). Vai capitalizando, marcando uns "pontitos",  e como uma enguia vai-se esquivando, e até conseguiu dissimular o declínio em que estava o SNS. As nossas fragilidades ficaram encobertas. Por agora, esta é a Hora do Costa. 
Depois logo veremos. As contas só se fazem no fim. Mas temos memória...
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De António Pires a 14.04.2020 às 14:45

Começo por referir que não fiz uma afirmação categórica. Eu disse "possivelmente".
Mas acho muito provável que assim seja. Porque o resultado para a saúde de uma pessoa que seja infectada hoje ou daqui a três meses deverá ser o mesmo, se o seu sistema imunitário estiver nas mesmas condições.
A probabilidade de ser infectado é que será menor daqui a uns meses porque haverá um muito maior número de pessoas que adquiriram imunidade e deixam de infectar, admitindo que o organismo humano adquire imunidade ao sars-covid-2 como acontece em relação a outros virus.
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De Anónimo a 14.04.2020 às 15:39

Mas o que se diz é que pouca ou nenhuma imunidade se adquiriu, precisamente devido ao confinamento,  porque não se teve contacto com o virus. Mesmo em Itália, a percentagem de imunidade é mto baixa, pelo que leio... 
Temo o que possa acontecer depois do levantamento destas medidas. Quem não se expôs anteriormente, ficará em contacto a seguir. Será que pode ser assim?
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De Anónimo a 13.04.2020 às 20:49

Antonio Pires:
Há pouco só mencionei que o nº total de óbitos seria o mesmo com ou sem as medidas de contenção, segundo a sua tese. Mas se entendi bem, também se aplica ao nº de infectados e de redução da propagação da doença, certo? O tal efeito de "mola", será?
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De zazie a 13.04.2020 às 13:59

O detalhe é que os idosos sempre estiveram fechados em lares. 
Não existe um "antes" de idosos à solta e um "depois" com idosos fechados em lares.
Quem infecta é que estava ou não estava em confinamento.
Nota-se mais porque não têm outra alternativa e aquilo atacou-os a eles e a funcionários, tal como ataca médicos e pessoal hospitalar (confinado no seu local de trabalho)
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De zazie a 13.04.2020 às 13:06

Óbvio. Só que não entra pela chaminé. Vem de fora. E quem a leva devia também ter mais cuidado no afastamento social e protecção.


Sempre foi assim- não têm, dantes nem se vacinavam e as que trabalhavam por turnos não usavam máscaras.
Agora é que está a haver mais cuidado no que nunca houve, incluindo tipo de médicas e enfermeiras e práticas administradas que sempre foram um autêntico horror.
Sedação é melhor nem falar... e sei do que falo.
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De zazie a 13.04.2020 às 13:08

Nos lares há quem esteja por não ter outra alternativa e estar sozinho na vida e há demasiada gente que para lá foi "despejada" por familiares. Porque se foi perdendo a verdadeira noção de família e responsabilidades geracionais. 
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De zazie a 13.04.2020 às 12:12

O confinamento tem tradição milenar.
A História também pode ajudar e dar lições práticas, por aproximação tão ou mais válida que meros gráficos e números, quando a questão é nova.


Neste artigo: https://observador.pt/2020/04/12/as-aldeias-gaulesas-que-resistiram-a-gripe-espanhola/ há um detalhe que me pareceu pertinente- o próprio vírus foi enfraquecendo ao distribuir-se e chegou mais fraco aos que o evitaram mais cedo e de forma mais "radical". 
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De Eremita a 13.04.2020 às 13:37

Zazie, esse fenómeno está muito bem estudado. Durante a progressão de uma epidemia o virus tende a perder alguma virulência. Mas isso não quer dizer que em Dezembro a COVID-19 já será apenas um "resfriadinho". 
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De zazie a 13.04.2020 às 13:44

Pois não. O que gostei de ler nos relatos históricos (passe a diferença do vírus e dos tempos) é que quando chegou mais tarde foi menos mortífero. E, nuns casos, chegou mais tarde devido a um confinamento radical e "militar" que só na altura era possível fazer-se.
Demonstrou também que, ao ressurgir, foi igualmente menos fatídico para os que já o tinham recebido mais tarde.
Ou seja, o vírus não é fabricação humana e tem um comportamento com semelhanças a outros.
A grande diferença é saber-se pouco acerca delas e ter um tipo de contágio "invisível" que impede defesa mais simples, como nos meros casos de gripe.


Por outro lado, este tem tido alterações em relação aos grupos etários que vão parar aos UCIs. E na Noruega, ou mesmo em Inglaterra, não são nada os velhos que lá estão em maioria.


Resumindo, usando a tradição histórica e o modo de defesa das sociedades quando ameaçadas pelo que desconhecem e não controlam, a reacção tem sido a de confinamento e sempre se afigurou útil.


A partir daqui é outra história .Esta parece-me ser apenas o bom-senso e isenção a falar.
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De zazie a 13.04.2020 às 13:51

Dezembro depende para quem e se será já segundo surto.
Ganhar tempo e actuar nas formas de tratamento e vacina é o que parece óbvio.


Isso de resfriadinho já nem um maluco é capaz de repetir publicamente.
Até as normas para funerárias e com directivas da OMS tratam a coisa a nível III de cuidado. E vi carro funerário com funcionários todos com fatos e protecção como em enfermarias. Nem sequer vestir o morto é permitido que façam.


Não me parece que isso seja fabricação de pânico mediático mas cuidado perante o que, na verdade e na prática, ainda se conhece muito mal. 


Sendo certo que, também me recordo de ter visto a campa rasa do espião russo, morto em Londres com polónio, logo à entrada de Highgate... 
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De zazie a 13.04.2020 às 14:06

Entendo a perda de virulência ao espalhar-se, por enfraquecimento de saltitar de hospedeiro com "menos condições propícias" ao parasitarismo.


No entanto, dá que pensar quando se dizia que as vacinas também eram nocivas pois "retiravam as defesas naturais do organismo".


Qual a diferença entre um infectado imunizado de forma "natural" e um vacinado (para o caso nem existe ainda vacina, mas é uma pergunta).


 Isto para ver se percebo o que poderá ser o "ir-se à boleia" dos que já ficaram imunes (tal como presentemente, entre os malucos, que são aos milhares e por cá a maioria dos cuidadores de idosos) que nunca se vacinaram sequer contra a gripe nem a isso os obrigaram?
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De zazie a 13.04.2020 às 14:20

Já agora uma curiosidade:
Este vírus nem a ser vivo chega, pois precisa de hospedeiro. No entanto, ao ter essa possibilidade pode-se assumir que o comportamento é semelhante à reacção de todo o ente vivo ameaçado- tendência a multiplicar-se ainda mais para evitar extinção?


Lembrei-me disto a propósito de "colónias de bactérias não activas". O que aconselham  (e assisti com resultado espantosamente verdadeiro e positivo)  é não fazer nada. Não tentar aniquilar porque se defendem e espalham ainda mais e até entram em mutação ou aparecem outras.
Nesse caso, não fazendo nada, o organismo acabou por as vencer e desapareceram.
Qual a explicação para um vírus destes? enfraquece, mesmo aumentando o número de hospedeiros, mas o efeito é mais fraco e não tem capacidade de mutação para ser mais agressivo?


Creio que o grande busilis são os assintomáticos com "carradas deles inactivas". 
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De Antonio Maria Lamas a 13.04.2020 às 12:51

Será óbvio que as medidas tomadas alguma influência terão nos números. 
O que está em causa, e o HPS tem demonstrado que elas são evidentemente excessivas para os resultados. 
Falo em medidas e não especialmente em confinamento, pois que este não teve de certeza a importância que lhe atribuem.
Se de início houvesse equipamento hospitalar para testes, protecção e capacidade de resposta pelo SNS+Privados, não se justificava qualquer confinamento, nem a declaração de Estado de Emergência.
A avaliação final, feita como rigor e o distanciamento temporal, provarão que as consequências foram muitas mais vezes perniciosas do que a causas.
Falam agora em os idosos "até que haja uma vacina". Quem diz isto não sabe o que diz. Imaginem quantos os idosos  irão falecer no espaço de um ano ou mais, sem abraçar, nem beijar os seus entes queridos?
Tenham juízo por favor e mostrem que têm estofo.
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De Buiça a 13.04.2020 às 13:33

Não partilho do auto de fé do autor para com o confinamento.
Desde o início que o único argumento que para mim fez sentido no confinamento foi impedir que se acumulassem nos hospitais mais casos do que a capacidade de resposta conseguiria atender em condições de isolamento rigoroso.
Há também o argumento de que sem a criação de todo este histerismo seria duvidoso que a populaçao fosse responsável o suficiente para adoptar todas as precauções agora necessárias. Haverá países onde isso talvez seja possível, no nosso não me parece. 
Dito isto, ao fim de todas estas semanas o numero de internados nos cuidados intensivos está muito longe da capacidade instalada. É muito dificil e inglório estar a especular sobre quão melhor ou pior estaríamos sem confinamento. Só economicamente estaríamos melhor, mas ainda assim bem mal já que as nossas duas únicas industrias (turismo e imobiliário) iriam para zero em qualquer caso.


Talvez tenhamos mesmo sido abençoados com uma boa sorte misto de generalização da BCG com o bom clima, só que isso não desculpa a incompetência do costume. O caso dos lares é gritante: se desde o início e independentemente de qualquer outra medida era preciso proteger os vulneráveis, como é possível que a primeira medida para os lares tenha demorado umas semanas e seja simplesmente "ir testando", aos poucos, com uma alocação de testes muito longe da populaçao desses lares? Porque não foram logo impostas medidas (aí sim) draconianas de distanciamento e mascaras para todos os funcionários e velhotes e prioridade nos testes?
E que dizer dos testes, que supostamente nunca faltaram mas num dia não há kits e no outro não há reagentes?
Por último e olhando em frente, o que está a ser feito por quem tem que governar (e não só distribuir cargos e subsidios) em relaçao à organizaçao dos milhões que passaram a não ter absolutamente nada como trabalho? Alguém acredita que a prioridade de quem nos tem sustentado os vícios agora com o mundo em depressao vai ser virem de férias para o algarve ou comprar casas caras em Lisboa e Porto?
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De Anónimo a 13.04.2020 às 13:46

Bolsonaro dirige o Planalto
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De Miguel a 13.04.2020 às 13:59

E o caso de Singapura? Parecia que tinham aguentado a coisa sem confinamento, mas afinal mudaram de ideias. Devem ser todos burros vítimas do sucesso do seu sistema de ensino, só pode.  


Vou deitar fora o manual de Singapura do meu filho para substitui-lo por uma ardósia do estilo da mercearia Manolo.
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De Miguel a 13.04.2020 às 14:13


«ao contrário das fantasioas ideias de que o confinamento pode diminuir a incidência da epidemia e, muito menos, reduzir o seu tempo de actividade.»



Não sei a quem se refere. Não será aos epidemiologistas de renome, concerteza,

pois o estudo da equipa do Imperial College, liderada por Niall Ferguson, publicitado a 16 de Março, faz referência explícita a uma sequência longa de confinamentos «stop and go» como estratégia de mitigação da epidemia. Já agora, este estudo do

Imperial College fez parte da informação científica que substanciou a decisão de confinamento de vários governos. Por isso, só se estiver a falar de pasquins. Aqui está a ligação para o artigo.



https://www.imperial.ac.uk/media/imperial-college/medicine/sph/ide/gida-fellowships/Imperial-College-COVID19-NPI-modelling-16-03-2020.pdf
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De JPT a 13.04.2020 às 15:07

Neil. Niall Ferguson é um historiador. E não creio que o autor do post esteja a falar de "pasquins", salvo se entender (e, nesse caso, eu concordo consigo) que a totalidade da comunicação social é um indistinguível pasquim, uma vez de a ideia de que "o confinamento pode diminuir a incidência da epidemia [e] o seu tempo de actividade" é uma das várias falácias que diariamente são por aí debitadas (não só para persuadir os parolos de que, com o confinamento, "tudo vai ficar bem" mais depressa, mas também porque são muito mais simpáticas a quem manda no país, do que a noção, perfeitamente correcta, de que essas medidas se destinam a evitar - e, aliás, parecem ter mesmo evitado - o colapso do SNS).
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De henrique pereira dos santos a 13.04.2020 às 19:00


Eu conheço esse estudo e acho que os seus autores deveriam ser criminalmente processados por duas razões:
1) atirar para a miséria milhões de pessoas sem a mínima justificação para isso;
2) serem responsáveis por tornar Trump imbatível ao prever 2,2 milhões de mortos num país que se deve ficar aí pelos 40 mil, permitindo a Trump fazer o que antes fez a ditadura chinesa: assumir para si os louros da evolução natural de um surto, como sendo um feito heróico de derrota do inimigo.
Quanto ao resto, com certeza não me refiro a epidemiologistas, de renome ou de vão de escada, todos eles sabem as limitações que as chamadas medidas não farmacêuticas têm no controlo de uma epidemia, mas já os governos espanhol e português (dos outros não sei) não se cansam de dizer que quanto mais rigorosos formos no confinamento, mais rapidamente nos libertamos dele.

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