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Acentuaram o pior que há em nós

por Miguel A. Baptista, em 13.05.21

Por vezes a ação política, e a gestão da coisa pública, é difícil de antever. Por exemplo, há dois anos, ninguém saberia antever a crise pandémica. Claro que um país deve estar sempre preparado para coisas menos boas, com contas públicas em ordem e um sistema de saúde com boa capacidade de resposta. 

No entanto, como contas em ordem e um sistema de saúde com poucas imperfeições são algo difícil de atingir, e não se consegue num mandato eleitoral, é compreensível que a pandemia tenha chegado sem que estes parâmetros estivessem como seria desejável. 

Agora, há coisas que são facilmente previsíveis e que só por incompetência, e desleixo, não são tratadas atempadamente. Por exemplo, seria completamente expectável que a vitória no campeonato de um Sporting vindo de um longo jejum, provocaria uma onda de euforia e celebração. Era fácil procurar fazer o melhor planeamento para lidar com esse acontecimento. 

Da mesma forma, a pandemia está cá há mais de um ano e a existência de trabalhadores sazonais migrantes na zona de Odemira é conhecida. A existência de um surto por lá seria algo completamente expectável. Seria lógico que já tivesse sido feito um plano de contingência, antevendo onde alojar as pessoas na eventualidade da necessidade de criar uma cerca sanitária. Só a inépcia explica que à última da hora se ande a jogar um braço de ferro injustificado com um operador privado. 

É claro que este Governo acentuou uma característica nossa menos boa, a dificuldade em planear e criar uma cultura de responsabilidade. Parece-me claro que Costa, e o PS, não têm qualquer sonho ou desígnio nacional, a médio prazo que seja. A cultura que existe é a da gestão do dia-a-dia. O poder não existe para melhorar o país, o poder interessa para que se possa manter o poder. 



4 comentários

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De Anónimo a 14.05.2021 às 10:04

" este Governo acentuou uma característica nossa menos boa, a dificuldade em planear e criar uma cultura de responsabilidade."



Desculpe, mas essas características são exactamente as deste governo. Não nossas.


Vejamos o significado da palavra "Governo":
exercício dos poderes de administração e orientação política dos diversos sectores de um Estado



capacidade de controlo sobrecomando, direcção, domínio, planeamento 



entidade que assume a orientação política do Estado 



representa a ordem , o leme , a disciplina etc.

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De Anónimo a 14.05.2021 às 10:50


seria completamente expectável que a vitória no campeonato de um Sporting provocaria uma onda de euforia e celebração. Era fácil procurar fazer o melhor planeamento para lidar com esse acontecimento.



Não me parece que fosse tão fácil, nem que fosse muito desejável.


Não era fácil porque as pessoas, se não fossem celebrar para um sítio, iriam celebrar para outros.


Não é desejável porque atualmente já não estamos em estado de emergência e portanto as pessoas gozam dos seus plenos direitos constitucionais, em particular da liberdade de reunião. Como muito bem Fernando Medina ontem disse na televisão, as pessoas não necessitam de qualquer autorização para se reunirem, no espaço público nem no privado. E a polícia fez o que lhe competia, deixando os cidadãos celebrarem à vontade - até alguns desses cidadãos terem começado a lançar pedras.

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De Anónimo a 14.05.2021 às 10:54


Seria lógico que já tivesse sido feito um plano de contingência, antevendo onde alojar as pessoas na eventualidade da necessidade de criar uma cerca sanitária.



Bem, mas o governo alojou-as, não alojou? Alojou-as no ZMAR e na pousada da juventude e noutros sítios. Foi tudo bem feito, em minha opinião. Ninguém tem nada que se queixar de que o governo não tenha feito aquilo que lhe competia.



Aliás, o mesmo já tinha acontecido no passado em Lisboa, com surtos entre trabalhadores imigrantes mal alojados (isto é, alojados em condições de grande proximidade), os quais foram rapidamente realojados, por exemplo na Pousada da Juventude de Lisboa.
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De Anónimo a 15.05.2021 às 08:10

Ou seja, casa roubada trancas à porta.
Portanto, correr atrás do prejuízo, quanto a si, é governar bem! Entendi!
É por esta generalizada forma de pensar (?) e por esta falta de exigência da parte de pessoas como V. que o governo é uma nódoa. E acabamos todos a pagar pelas escolhas miseráveis feitas por uns mente captos que não se importam de pertencer a um país falhado (medi bem a palavra), que nunca está preparado para as coisas menos boas que frequentemente nos acontecem ;   um sistema de saúde cheio de falhas, incapaz de dar respostas atempadas aos seus utentes ; um governo que nunca prevê, nem decide, nem planeia ; que é um desleixo descarado e uma incompetência confrangedora... A maior parte das vezes a noção que se tem é a de que não há ninguém ao leme, tal é desorientação e a incapacidade de liderar. Um governo tosco e de rudes que chegaram onde nunca imaginaram chegar _  (nem nos seus melhores sonhos!)
Mas pronto, é o que temos, não dá para mais.  Só me resta com algum inconformismo dizer: quem para o bem não presta, para o mal tem jeito. Como é o caso do Concórdia e seus apaniguados que nos têm destruído o país, a alma e até o carácter.  Secaram o que havia de melhor em nós. Os portugueses perderam a "chama", hoje são apenas uma sombra do que foram. Um povo embrutecido e sem orgulho elege brutos e fica à mercê dos brutos!  Os brutos não estimulam, não desenvolvem, não incentivam, fazem definhar e atrofiar os que deles se aproximam. 
E como considero que já se extravasaram os limites do aceitável, do razoável e do tolerável, resta-me concluir :  Por muito menos se fizeram grandes "Mudanças"! (e não é um "lugar comum" afirmá-lo).

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