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O PS, o Bloco e a CDU criticam com a violência do costume as ligeiríssimas alterações que a maioria eleita democraticamente aprovou na Assembleia da República à lei do aborto. Não compreendo nenhuma das suas críticas (e menos ainda a violência que agora os une em desespero).
São, em primeiro lugar, contra o apoio psicológico relativamente a uma decisão que deve ser extremamente difícil e merece todo o apoio psicológico (e outros) que se possa oferecer à mulher para a melhor decisão. Sempre se trata da vida do seu filho. Não conseguem explicar porquê, não conseguem explicar a razão pela qual serão contra, a não ser pelo desejo mórbido de que a criança morra com mais facilidade e a mulher se venha a arrepender mais tarde e mais arduamente de não ter ponderado suficientemente no acto que se preparava para praticar. Quando já for tarde. Tragicamente tarde. Apoio psicológico que aliás defendiam aquando da campanha do referendo pela liberalização do aborto.
O PS, o Bloco e os comunistas e verdes são, em segundo lugar, contra o facto de aquela pessoa que pretenda abortar pague taxas moderadoras e também não conseguem explicar porquê. Não consigo perceber que uma pessoa que involuntariamente tenha de se servir do SNS deva pagar taxa moderadora e aquela que, voluntariamente e por decisão própria, recorra ao SNS, não tenha de pagar essa taxa. E não me venham com a aldrabice de que a aplicação da taxa moderadora empurra as pessoas para os abortos sem condições, pois toda a gente sabe que esses são muito mais caros do que as taxas moderadoras. Só desonesto argumenta tal coisa e só imbecil a aceita.
A terceira razão de crítica dos partidos de esquerda é a mais deliciosa. Eu sei que o assunto é sério mas eu escangalho-me a rir sempre que a oiço. Ainda hoje Isabel Moreira, pelo PS, espumava na AR o argumento. Trata-se esta decisão da coligação de uma medida eleitoralista, apenas para "caçar votos!"
Ora bem. Se é uma medida eleitoralista porque ganha votos é porque se trata de uma medida que democraticamente a população aplaude e pretende; e por isso dará votos e merecerá a qualificação de eleitoralista.
E se se trata de uma medida que a população portuguesa democraticamente aplaude e pretende, como o reconhece Isabel Moreira e os restantes partidos de esquerda com esta acusação de eleitoralismo, que motivo e legitimidade terá essa esquerda para, qual Estaline, impor a todos as suas ideias quando são contrárias às dessa maioria democrática da população?
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