Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Abanão

por henrique pereira dos santos, em 15.10.20

"Senti muito claramente que era preciso haver um abanão na sociedade".

É assim que nosso primeiro ministro explica a estratégia de gestão da epidemia.

Vai daí, declara que muda o estado do país disto para aquilo (confesso que acho divertidíssima esta ideia de que o estado do país se altera com declarações, seja de quem for, mas adiante) e "anunciou as oito novas medidas que têm pouco impacto "no emprego, nas empresas e nos rendimentos", como explicou ao Público, e cujo propósito é reajustar o comportamento da população para uma nova fase pandémica que considerou "grave"".

Eduardo Maximino fez uma boa síntese da coisa: "A conclusão óbvia disto tudo é que as máscaras indoor, a proibição de ajuntamentos de mais de 10 pessoas e, claro, os garotos não poderem beber álcool na rua, evitaram que em Agosto e Setembro tivéssemos os números que temos em meados de Outubro. Ou então não, os números, mais para a esquerda ou mais para a direita, seriam os mesmos, e as limitações impostas na altura, como as de agora não servem de nada e a infecção segue o seu curso natural. No fundo, o vírus é como o cão que obedecia sempre ao dono alentejano. Bobby, vens ou ficas? E ele ou ia ou ficava".

Já Henrique Barros, presidente do Conselho Nacional de Saúde - de quem já comentei declarações no Corta-fitas, discordando, sendo impossível negar que nos separa alguma divergência sobre gestão de risco - ficou mesmo irritado com o abanão: "são medidas altamente autoritárias. Isto é um sinal evidente de uma imensa desorientação, não é política baseada na evidência, é política a tentar criar evidência. Isto indigna-me não só pelo lado autoritário mas também pela estupidez, porque a história ensina-nos que nunca se consegue combater com eficácia uma crise sanitária com medidas repressivas".

Henrique Barros labora num erro compreensível: o de que António Costa está focado na gestão da epidemia e não na gestão do eleitorado, quando anuncia este tipo de medidas.

Se mais de 80% dos portugueses são favoráveis ao uso obrigatório de máscaras ao ar livre, o que é que interessa se isso tem ou não algum impacto na evolução da epidemia?

Se a generalidade das pessoas estão convencidas de que se os outros - são sempre os outros, claro - se portarem bem, controlamos a epidemia, o que é que interessa o facto de não saberem explicar por que razão em tantos países, com tantas abordagens diferentes, os números reflectem um aumento da actividade viral simultâneo?

António Costa gostaria mais de ter a epidemia mais controlada que menos controlada, claro, e, na medida do possível, tomará medidas que lhe pareçam úteis para limitar os efeitos da epidemia, mas não confunde prioridades: em qualquer caso, quaisquer que sejam as decisões, o essencial é que não possa ser responsabilizado por uma evolução da epidemia que os eleitores considerem negativa.

O que conta é dar um abanão para reajustar o comportamento da população, para evitar que o comportamento da população reajuste os resultados eleitorais que dêem um abanão em António Costa.

A epidemia, paciência, é como o bobby do alentejano descrito acima: ou fica, ou vai.



4 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 15.10.2020 às 10:31

os nativos são a calamidade habitual 
quanto ao desgoverno «tolices no país das maravilhas»
Sem imagem de perfil

De balio a 15.10.2020 às 12:04


era preciso haver um abanão na sociedade


O governo pretendeu dar esse abanão, tomando medidas que jamais poderão ser postas em prática e cujo efeito é puramente simbólico, psicológico.


Jamais haverá na rua polícias a pedir aos transeuntes para lhes darem o telemóvel para ver se a aplicação StayAwayCovid está instalada ou não.


Jamais haverá na rua polícias a dizerem aos cidadãos para colocarem a máscara porque na situação em que se encontram o distanciamento social não pode ser garantido (como se define uma tal situação?).


Ou seja, trata-se de medidas que nunca poderão ser postas em prática e cujo anúncio tem um efeito meramente simbólico. O governo pretende fazer de conta que está a governar, que está a mandar nas pessoas e a mandar na epidemia. O governo pretende, não tomar medidas eficazes - porque não as tem nem sabe quais possam ser -, mas sim "enviar uma mensagem" às pessoas para que elas se (com)portem melhor.


É uma governação simbólica de um governo desorientado.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 15.10.2020 às 12:57


"os resultados eleitorais que dêem um abanão em António Costa", bem assim como aos políticos no poder em Espanha, França, Reino Unido, Alemana ... Estados Unidos ....
Nada preocupa mais um político do que uma qualquer clara demonstração de ineficácia e impotência.
Sem imagem de perfil

De Elvimonte a 15.10.2020 às 15:47


As manadas, arregimentadas pela indústria noticiosa que essencialmente vende o medo e se alimenta do pânico, alinham o seu comportamento pela psicologia que as caracteriza, a da manada. E, em pânico, na tentativa individual de se salvarem, atropelam, espezinham e esmagam todos os que encontrarem pela frente e tenham o azar de cair.


É sempre assim. Com os búfalos, com as gazelas, com as ovelhas, com as cabras, com as vacas e com os humanos. Todos os abanadores sabem isso.


Assim sendo, as medidas agora introduzidas pecam por serem insuficientes. Em estado de calamidade já andamos há séculos, atingidos sempre pela mesma calamidade da incompetência. A calamidade governativa é-nos familiar e quotidiana, sendo inútil a sua declaração formal.


Como a "Maioria dos contágios ocorrem em casa e no emprego" (https://covid19.min-saude.pt/maioria-dos-contagios-ocorrem-em-casa-e-no-emprego/) e não na rua, o uso obrigatório de máscara deve estender-se ao interior das habitações, com obrigatoriedade adicional de distanciamento físico entre os residentes.


Decrete-se, por isso: 


- A obrigatoriedade dos casais passarem a dormir em quartos separados; admite-se, em alternativa, que o façam em camas separadas, com afastamento entre elas nunca inferior a dois metros, sempre de máscara envergada e nada de truca-truca. As autoridades estarão atentas aos incumprimentos para os quais serão instituídas pesadas penas de multa.


- A obrigatoriedade das mães amamentarem os bebés por tele-conferência na impossiblilidade de manterem um distanciamento físico mínimo de dois metros entre elas e os lactantes.


- A proibição das mulheres - e dos homens transgénero, é preciso não esquecer - engravidarem, visto que não é possível garantir distanciamento físico entre fetos e mães durante a gravidez e os partos constituem ameaça grave para os profissionais de saúde, dada a impossibilidade de tele-trabalho de parto.


Esta campanha terá como mote "É a distância que nos une", tendo sido já pagos por ajuste directo 1,5 milhões de euros ao autor, José Rapotacho, e garantida a expropriação dos terrenos do vizinho, que ele pretende adquirir.


Tendo ainda em consideração as propostas contraditórias da Associação dos Sem Abrigo e da Associação dos Presidiários, reclamando ambas a inexistência de casos e de vítimas entre os associados, o que se mostra ser verdadeiro porque a indústria noticiosa nada referiu em contrário, o governo deve ir para a rua e os pagadores de impostos, na impossibilidade das prisões os acolherem a todos, deverão recolher a campos de confinamento doravante designados por Auschvid-19.


A eficácia do Zyclon-B na erradicação do vírus já foi anteriormente testada com sucesso em ensaios clínicos (lá para os idos de 40 do século passado), pelo que os confinados serão compulsivamente tratados com a inovadora terapia. Ao promissor tratamento para a erradicação da doença foi já dado o nome de Holocauvid-19.

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2008
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2007
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2006
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D