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A vitória da senhora gorda e a dor de cotovelo

por João Távora, em 16.07.14

A propósito das manifestações de júbilo da chefe do governo alemão na vitória da selecção do seu País no mundial de futebol do Brasil, tenho a dizer que de algum modo chocou-me o despudor de algumas manifestações de ódio irracional testemunhadas em comentários nas redes sociais - às vezes provenientes de pessoas supostamente bem formadas. As apreciações à aparência física ou modo de vestir e demais injúrias feitas a Angela Merkel definitivamente qualificam mais quem as emite: além de má criação, reflectem afeições bem obscuras e mesquinhas que no mínimo deveriam ser disfarçadas por pudor.  

Persistir no erro de pensar que os alemães, que elegeram a sua sua chanceler democraticamente com 41,5% dos votos, são os responsáveis pelos males dos países como o nosso que mostram mais dificuldades em sair da crise do crédito fácil é demasiado básico, e assim sendo, uma fatalidade para nós portugueses. Recusar aceitar que o sucesso económico da Alemanha reunificada é essencialmente mérito dos alemães, que para tanto se sacrificaram durante anos, negar assentir que no actual modelo de organização europeu ainda compete a cada governante privilegiar os objectivos e interesses do seu País e pugnar pelo progresso e bem-estar do povo que os elegeram, é um erro trágico que denúncia acima de tudo os nossos logros. Finalmente, pretender reduzir a herdeiros do nazismo ou boçais comedores de salsichas aquela que é a Pátria de Bach, Beethoven,  Goethe, Thomas Mann, Kant, Hegel, Marx, Schopenhauer, Nietzsche, Einstein, Habermas ou  Marlene Dietrich, não será uma caprichosa criancice?
Pela minha parte tenho a confessar que após da eliminação do Brasil apoiei a Alemanha, selecção que já vinha demonstrando desde o início do torneio ser a equipa mais bem preparada, revelando um invejável (!) poder atlético, apuro técnico e eficácia táctica. Notas duma excelência cuja dor de cotovelo não nos deveria fazer cegar, antes saber tomar como bom exemplo. No futebol e no resto.

 



7 comentários

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De Anónimo a 16.07.2014 às 15:33

Apesar de comentar genericamente com o comentário, julgo que o Kafka não era alemão. Ainda que escrevesse em alemão, ele nasceu em Praga, no Império Austro-Húngaro. Hoje seria checo.
Fica apenas esse reparo.


Quanto ao post, é evidente que "as apreciações à aparência física ou modo de vestir e demais injúrias feitas a (quem quer que seja) definitivamente qualificam mais quem as emite.


A internet, o fenómeno das redes sociais e o Facebook tendem a mostrar um pouco que nem figuras públicas se coibem de descer ao nível de esgoto vezes sem conta.
São maneiras de estar na vida.
Esperemos todos (infelizmente contra as evidências) que diminuam com o passar do tempo.

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De João Távora a 16.07.2014 às 16:34

De facto a Alemanha é uma criação muito recente. Para não estarem a desviar do tema retirei os nomes de Kafka e Mozart, que apesar de não terem sido cidadãos alemães no sentido moderno, me parecem poder ser considerados elementos integrantes da cultural alemã.
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De Piorquemao a 16.07.2014 às 19:16

Uma ode, portanto, a quem novamente procura subjugar terceiros para exclusivo beneficio, desta sem tiros, é certo, mas apenas isso, os tiques estão todos lá, as acções perpetradas e as ensaiadas, também, e embora lamentando, digo, profundamente, verifico, que ontem como hoje haverá sempre quem os venere,...
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De João Távora a 16.07.2014 às 19:37

Está certamente a falar de futebol, ó Pior que Mau.
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De Piorquemao a 17.07.2014 às 18:43

De todo, refiro-me ao espanto apresentado perante a, digamos, animosidade, mais ou menos malcriada, demonstrada pelos portugueses aos alemães e sua infeliz líder, futebol incluído. Julgo mesmo que será preciso ser-se muito inocente ou muito crente, para espantos e ou categorizações ao nível da inveja, sobre os referidos, que apenas procuram, mais uma vez, tornar-se donos de grande parte da Europa e suas gentes. O futebol foi e será mais um espelho público do que vai realmente na alma. Dos alemães pouco se aplaude e nada se confia, menos ainda com a triste e criminosa actualidade. E é mesmo Piorquemao , de mao. Eu, que de direita, mas que não bebo tudo, nem de tudo,...
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De Luis a 17.07.2014 às 18:46

É uma questão de mentalidade. 
Em vez de tentarem perceber e aprender com os alemães. Perferem critica-los de forma gratuita. 
Criticar o que quer que seja, nas redes sociais não leva a nada. É algo tão vulgar e tão efêmero que em nada vai alterar e muito menos melhorar a nossa situação. 
Agora criar uma sociedade baseada na honestidade e no respeito mutuo, tal como os alemães criaram depois da 2ª guerra mundial, isso sim é obra!


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De Paulo a 20.07.2014 às 05:14

Muito boa noite,


Bonita ode à exemplar, avançadíssima e civilizadíssima Alemanha.
Não podendo deixar de concordar que qualquer comentário sério deixa de o ser no momento em que aparece a referência a características físicas, saiba o autor do artigo, se o não sabe já, que os sacrifícios alemães foram bem recompensados com perdões de dívida que aos portugueses se não concedem, bem como prazos supra-centenários para a quitação da supra-citada. Não consta que tenhamos essa mercê, nem os credores semelhante clemência. Saberá decerto também que a negociação das taxas cambiais das moedas nacionais para o Euro, foram amplamente e deliberadamente em favor de alguns e em grave prejuízo de outros, muito embora nesse particular, como em tantos outros, os responsáveis máximos sejam os nossos "representantes eleitos", que assim num ápice, venderam sem remorso uma fatia de Portugal.E se é verdade que é boçal "reduzir a herdeiros do nazismo ou comedores de salsichas aquele que é "[o país]" de Bach, Beethoven,  Goethe, Thomas Mann, Kant, Hegel, Marx, Schopenhauer, Nietzsche, Einstein, Habermas ou  Marlene Dietrich", tal boçalidade explica-se talvez na condescendência que nos votam os herdeiros desse povo. Porque se esquecem, como talvez olvide o autor do artigo, e façam por esquecer os teutónicos, é que Portugal é herdeiro, entre outros, da civilização clássica, paradigma do desenvolvimento humano. Quanto aos germânicos, o epíteto era outro, se a memória me serve. E a cada um dos altos nomes citados, a quem sem ponta de ironia respeito como figuras do Olimpo da História, respondamos nós que  Portugal é a Pátria do Infante D. Henrique, e de Gil Eanes, e de Diogo Cão; foi berço de Bartolomeu Dias e Fernão de Magalhães. Pariu das suas entranhas Vasco da Gama e Álvares Cabral. Embalou no seu regaço Afonso de Albuquerque. Portugal é Pátria de Camões e Eça. É o solo abençoado de Pessoa e Pde. António Vieira. De Júlio Dinis é Mãe a Terra Portuguesa. É a terra bem-amada de Pedro Nunes e do Condestável. Ahhh, quão grandes são os nossos maiores. Convivem decerto hoje, com os olhos fitos nos seus herdeiros, no Olimpo da História. Talvez sejam até amigos dos alemães.
Assim, pretenderem eles reduzir-nos, a nós Portugueses, a ociosos, mandriões, desonestos e a toda uma panóplia de injúrias desta jaez, é mais que boçal. Talvez seja até um incómodo no cotovelo.
O nosso nome está gravado a letras do mais fino ouro na História do Mundo.
E se em todos os países há Homens de génio e mérito universal, poucas serão as terras em que, além dos Homens,é o próprio nome Pátrio  que está marcado nas pedras do Orbe. E é isso que a Alemanha tem de entender da próxima vez que nos olhar por cima do ombro. Portugal,magnânimo, olhá-la-á olhos nos olhos.

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