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A Ucrânia, a Rússia , os EUA e a Europa NATO

por Jose Miguel Roque Martins, em 17.04.21

Como tem sido noticiado, a Rússia tem  concentrado forças junto à fronteira da Ucrânia. Quer seja uma mera prova de vida, ( como provavelmente é), quer um real teste à possibilidade de anexação da Ucrânia, o que fica completamente claro é a incapacidade de defesa autónoma da Europa.

Não acreditar na possibilidade de a Rússia empreender uma expansão das suas fronteiras, é uma clara negação dos seus instintos históricos, sobejamente demonstrados ao longo de séculos. O fim das fronteiras da guerra fria, não foram digeridas pacificamente. A recente anexação da Crimeia, retira qualquer duvida sobre a real possibilidade da Rússia explorar novas possibilidades de expansão territorial. Só não o fará, se o seu misterioso calculo de custos e benefícios não lhe for favorável.

Invadir a Ucrânia e restabelecer a fronteira da Rússia mais a Ocidente, tem a Ucrânia e a Europa da NATO como os grandes perdedores. Em termos militares, num eventual conflito entre a Rússia e a Europa, por natureza limitado, dada a improbabilidade de alguém querer provocar uma resposta nuclear, o menor tempo de reacção, a violência do primeiro embate e a menor dificuldade logística da Rússia, significará mais custos para a Europa da Nato, do que os inconvenientes infligidos aos EUA.

Os EUA estacionaram tropas na Polónia, como penhor da sua determinação na sua defesa e do compromisso transatlântico. O que sublinha de forma mais evidente ter dois pesos e duas medidas, quando se trata das fronteiras actuais ou de uma nova fronteira que incluísse a Ucrânia.

Porque não alargar a NATO à Ucrânia e deslocar as mesmas tropas mais para oriente, como seria desejo e interesse evidente dos países da Europa NATO?

Para a Rússia, a evidencia da falta de empenho Ocidental na defesa militar da Ucrânia só pode ser o que é para todos: evidente.

A Europa, não tem força para impor o que quer que seja. Não tem moral para o fazer, meios para o afirmar, nem  determinação colectiva e individual para se expor e assumir custos. A humilhação publica a que foi sujeita por Trump, não parece ter produzido efeitos.

Uma das possíveis explicações da inércia dos EUA, poderá ser querer provocar uma reacção Europeia. Evidenciando os seus limites de continuar a suportar quase sozinho o peso de defesa do Continente. Na esperança de que mais um avanço Russo, que “apenas” sacrifique a Ucrânia,  finalmente desperte a  Europa para a realidade de ter que assumir, nem que parcialmente a sua defesa. Exactamente um dos receios que poderá refrear as acções da Rússia.

Claro que estes cálculos são ousados. Já que pressupõe que alguém acredite que a Europa assuma directamente a sua defesa ou esteja disponível para pagar para que outros o façam por ela. A tese de morte cerebral do continente não é completamente ridícula.

Certo é a Ucrânia continuar a estar à mercê da Rússia.

 

 



1 comentário

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De Anónimo a 17.04.2021 às 20:49

La Palisse , em voz baixa : "Os EUA  já não existem ;  existem , isso sim , os estados ; por enquanto unidos, da América.
Ao aceitar deixar de ser WASP, a "América" renunciou a sê-lo, por mais acrobacias dialéctico/semânticas que se ensaiem.
Ao tempo...
JSP

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