Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A semana passada foi pródiga em “entradas” no tema Segurança Social. O primeiro contributo veio do Tribunal de Contas com a publicação do relatório sobre a execução orçamental da Seg. Social em 2013. Neste se afirma que as medidas do governo “não foram suficientes para conter o esforço financeiro do Estado no que respeita ao financiamento do OSS, tendo este vindo a aumentar, não só na parte que se destina a fazer face às despesas do regime não contributivo (e do regime contributivo com suporte no OE), mas também no financiamento do défice do sistema previdencial - repartição.” Quantifica também referindo que “a receita efetiva aumentou, face ao mesmo período, 4,7% (mais M€ 1.144,2) e a despesa efetiva 4,6% (mais M€ 1.097,1), colocando o saldo de execução efetiva em M€ 478,6, o qual já acomoda o efeito da transferência extraordinária proveniente do OE/2013 consignada ao financiamento do défice do sistema previdencial - repartição, no valor de M€ 1.430,3 (mais 67,0% em termos homólogos). Sem o efeito desta transferência, a execução do OSS teria registado um défice de M€ 951,7, mais M€ 526,6 do que em 2012.” Ou seja e como aqui bem refere a Margarida Corrêa de Aguiar, “os cortes e os congelamentos adotados tiveram uma função orçamental, isto é, de resolver problemas de tesouraria de curto prazo. Estas medidas não tiveram um objectivo estrutural, isto é, de conferir sustentabilidade ao sistema público de pensões.”

Depois tivemos o Tribunal Constitucional que sobre a Contribuição de Sustentabilidade produziu acórdãos que são sobretudo políticos. Como bem comenta aqui a Helena Matos: “há que ter em conta que, pelo menos em matéria de Segurança Social, o TC não está ali para avaliar da constitucionalidade ou da falta dela da legislação que lhe é proposta, mas sim para dar conta daquilo que ele, TC, acha que deve ser feito.”

De segida tivemos o PM com a seguinte declaração na festa do Pontal e em reação aos acórdãos do TC: “Não farei rigorosamente mais nenhuma proposta para reformar a segurança social até às eleições de 2015″. Acontece que a Contribuição de Solidariedade chumbada por aquele Tribunal se tratava de uma medida para conter o défice da Segurança Social e não propriamente e em si mesma uma reforma. Aliás cabe perguntar ao Governo o que resultou das consultas que efetuou no âmbito do grupo de trabalho que criou no início deste ano e que, também, resultou de outro chumbo do TC. Mais, os especialistas validaram a proposta do Governo? Foram apresentadas outras propostas? Mas Passos Coelho esteve bem quando afirmou que “ganhe quem ganhar as eleições, a seguir a 2015 faremos a reformas que conseguirmos acordar até à eleições”. A Reforma (que não apenas medidas) requer trabalho conjunto dos partidos do arco da governação pois a situação é complexa, exige estudo e, sobretudo, entendimento para implementar uma estratégia de longo prazo.

Por fim a reação dos candidatos a líder do PS. Destaco a posição de António Costa que é o cúmulo da demagogia e da ignorância: “A grande prioridade hoje para reforçar a sustentabilidade do nosso sistema de Segurança Social é travar a crise, é criar emprego, é de novo reforçar as contribuições para a Segurança Social”. Referiu-se ainda à reforma promovida pelo  governo socialista (com o ministro Vieira da Silva) mas esqueceu-se de referir (porque provavelmente desconhece) que se tratou de uma solução paramétrica e que resultou de uma urgência em resolver os graves problemas financeiros com que então a Segurança Social já se defrontava. Enfim, o PS (seja quem for o seu líder futuro) foge à discussão de uma verdadeira reforma que há muitos anos se aguarda e que tarda em ser construída.

Conforme atrás referi, o tema Segurança Social é complexo e implica muito estudo. Sendo habitual, em período férias, recomendar leituras sugiro, ao Governo e à oposição, as seguintes: 1) “Segurança Social: O Futuro Hipotecado” de Fernando Ribeiro Mendes (que foi Secretário de Estado da Segurança Social na Governação Guterres); 2) O estudo do Professor Jorge Branco; 3) O livro de Helena Matos e José Manuel Fernandes intitulado “Este país não é para jovens”; 4) Os múltiplos post de Margarida Corrêa de Aguiar no blog 4 República e ainda uma comunicação que aqui apresentou numa Conferência da Ordem dos Economistas.

Entretanto o tempo vai passando, a demagogia e ignorância imperam, os partidos não se entendem e serão os jovens de hoje quem mais será penalizado. Serão estes que, no longo prazo, estarão vivos!


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Maria. Margarida Corrêa de Aguiar a 20.08.2014 às 11:44

Caro Dr. Vasco Mina 
Excelente síntese de uma semana cheia de notícias, mas nem por isso de novidades! 
A semana passada foi uma corrida a ver quem ganhava mais trunfos políticos. A verdade é que não há vencedores, só vencidos, incluindo o país. Não vale a pena iludir os problemas, é necessário repensar o modelo de pensões e o seu financiamento. Estamos a avolumar um problema grave, negando a sua existência. Mas também não é com CES e CS que compramos a sustentabilidade financeira do sistema. E depois tão ao mais importante é assegurar a sustentabilidade social, coisa que parece estar esquecida na mente daqueles que acham que é sistema ir cortando à medida que o orçamento precisa de ser contido. E que dizer da adequação do rendimento das pensões na reforma? 
Uma reforma do sistema público de pensões necessita de uma base alargada de apoio social, o que significa uma base política representativa. Estamos condenados a nos entendermos. A política dos cortes avulsos e das medidas paramétricas não é politicamente sustentável porque não confere estabilidade e previsibilidade. A confiança é a base de sustentação de qualquer contrato social. É neste objectivo que os partidos do arco da governação se devem centrar. Jogar com a demografia e a ignorância já sabemos ao que nos conduz! 
Obrigada, Dr. Vaso Mina, pela chamada aos meus textos no Quarta República.
Sem imagem de perfil

De Rui Fonseca a 21.08.2014 às 14:44

Comentei este tema várias vezes já no meu bloco de notas. A última vez aqui
http://aliastu.blogspot.com/2014/08/para-uma-higienizacao-da-seguranca.html

Gostava saber só isto:

Quais os montantes das receitas por contribuições dos contributivos de entidades privadas em 2013 e nos últimos 10 anos e quais os pagamentos feitos nos mesmos períodos por i) reformas a contributivos privados  ii) subsídios de desemprego e outros a contributivos privados iii) despesas de gestão do sistema de contributivos privados.

Há muita poeira, propositada, à volta do tema da segurança social.
Recalculem todas as pensões com base na totalidade das  carreiras contributivas e apliquem no cálculo das reformas dos contributivos e pensões dos funcionários do Estado a mesma fórmula de cálculo e terão o problema da segurança social higienizado e resolvido.

O Relatório do Tribunal de Contas não contribui em nada para a clarificação das contas da segurança social.

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com



Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Espero que a usem com força e eficácia.

  • Anónimo

    A Polónia tem muito mais razão de queixa dos Alemã...

  • Anónimo

    Em cheio. É isso precisamente e dito com exemplar ...

  • Anónimo

    Pode ter a certeza que defraudar quem votou é a úl...

  • Anónimo

    Muito bom.Esta gente toda esquece-se (ou nem seque...


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2025
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2024
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2023
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2022
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2021
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2020
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2019
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2018
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2017
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2016
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2015
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2014
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2013
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2012
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2011
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2010
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2009
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D
    222. 2008
    223. J
    224. F
    225. M
    226. A
    227. M
    228. J
    229. J
    230. A
    231. S
    232. O
    233. N
    234. D
    235. 2007
    236. J
    237. F
    238. M
    239. A
    240. M
    241. J
    242. J
    243. A
    244. S
    245. O
    246. N
    247. D
    248. 2006
    249. J
    250. F
    251. M
    252. A
    253. M
    254. J
    255. J
    256. A
    257. S
    258. O
    259. N
    260. D