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A responsabilidade total do PS

por Jose Miguel Roque Martins, em 23.07.21

É difícil vislumbrar um futuro para Portugal, sem um pacto de regime entre os dois maiores partidos, o PS e o PSD. Teremos, no futuro próximo, a necessidade de concessões importantes à esquerda radical, ( quando o PS governar) e ao radicalismo de direita ( se o PSD governar). È normal fazer concessões a quem nos apoia? Sim. O problema é se as concessões representarem  um custo importante para a sociedade. 

É impossível aspirar que esse pacto de regime seja ambicioso. Não tanto porque não haja essa possibilidade, mas porque existem linhas vermelhas que nenhum destes partidos ousa ou considera útil ultrapassar. Liberalizar o mercado de trabalho, enfrentar os funcionários públicos ou os pequenos interesses de tantas corporações, alterar o espírito de um regime paternalista, entre outros, está muito fora das cogitações eleitorais do centro.

Mas será difícil imaginar, pelo menos para quem esteja atento, que mais do mesmo, não venha a resultar num desastre total. Uma radicalização crescente da sociedade, crispação social, a asfixia fiscal da população, a eternização de crescimentos  anémicos, um aumento da emigração que nos privará dos (poucos) jovens que temos, dos nossos filhos e netos. Nada fazendo, é isso que vamos ter de forma muito nítida, num futuro muito próximo. 

Por mim, abdicaria facilmente do que realmente gostaria, para evitar ter,  o que não quero.  Exactamente o que temos e o que vem aí. 

O PS, o partido hegemónico em Portugal é a peça essencial numa, mesmo pequena, transformação. Depois de fazer cair o acordo de regime de que os partidos radicais não eram parceiros de governação, num pais ainda de esquerda,  o PS é uma referencia incontornável.

Partindo do pressuposto que a maioria dos seus votantes são relativamente moderados, não parece impossível proteger os Portugueses do pior.  Apesar de não compreender a insistência de António Costa em estigmatizar todos os partidos que não sejam de “esquerda”. Até porque, quando o descalabro for total, os moderados do PS, apesar da sua grande fidelidade, vão acabar por mudar de armas e bagagens para uma mudança. Qualquer que ela seja. Já aconteceu depois de Sócrates, vai acontecer no futuro. Quanto maior for o buraco cavado ( e já vai profundo) , mais difícil será o retorno á esquerda. Quanto mais tempo passar, mais ridículo se torna culpabilizar Passos Coelho, Cavaco Silva e o Estado Novo.

António Costa e o PS têm alternativas. Se não as seguem, são inequivocamente responsáveis pelo que acontece. Sem qualquer desculpa, antes com dolo.

Há um mínimo de objectivos comuns que poderiam ser vendidos a um  grande eleitorado desejoso de comprar. Protegendo o  o partido no poder, com argumentos para resistir a pressões das suas muletas eleitorais, por imposições de um acordo de regime amplo, a 10 ou 15 anos.

Será impossível limitar o crescimento da carga fiscal? Será pouco popular impor que a justiça seja mais célere e mais acessível? Será mal acolhido um plano de reformas sustentável, que não sobrecarregue demasiadamente as gerações futuras? Será que um pouco mais de liberdade e tolerância para os cidadãos faz perder votos? Será que aproximar as nossas praticas laborais, embora menos palatavel,  a 15 anos, á média da OCDE, é lançar a maioria aos partidos radicais?

O legado de António Costa vai-se decidir no futuro próximo. A muitos anos de distancia, as qualidades de ilusionista não são valorizadas. Os dados frios e objectivos acabam por ter mais importância.

O resto do PS não terá uma palavra a dizer? Os votantes do partido socialista que votam, sem entusiasmo, resignados á "falta de alternativas", são coniventes com a situação. 

Não sou, nem nunca fui do PSD. A crise profunda em que estamos a mergulhar, não é da sua responsabilidade, com excepção da sua inabilidade actual em apresentar alternativas claras, exequíveis e credíveis.

A responsabilidade do que acontece e vai acontecer é mesmo de António Costa, do PS e dos seus votantes. Só choro porque, não ter culpa, não impede o sofrimento dos inocentes. 



9 comentários

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De Anónimo a 23.07.2021 às 13:48

aos 90 e com 'força na verga',que saiba, tenho um filho e felizmente não tenho netos
por isso 'me cago en los politicos' da esquerda m-l
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De Octávio dos Santos a 23.07.2021 às 21:20

«É difícil vislumbrar um futuro para Portugal sem um pacto de regime entre os dois maiores partidos, o PS e o PSD.»


A sério? É esse o único futuro que se vislumbra para Portugal? Uma continuada partilha entre os partidos do «centrão», pródiga em incompetência e em corrupção? Que mais não tem feito do que «gerir» a desmoralização, o declínio, a degradação deste país, a diferentes níveis, político, social, económico, cultural? 



E porque não um futuro diferente? Que implique, por exemplo, uma radical renovação, quiçá uma revolução, que acabe com este regime, a III República? Que, aliás, acabe com a República, pura e simplesmente? Que permita trazer e aplicar novos valores, novas ideias, novos talentos?
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De Anónimo a 23.07.2021 às 23:51

Inteiramente de acordo !!!
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De Anónimo a 24.07.2021 às 09:32

Estamos entalados entre escolher PS ou PSD? Não. Estes partidos abastardaram-se e estão descaracterizados. Já nem existem senão nas suas excelsas siglas. De mais a mais, votar em qualquer um deles, traduz-se numa escolha efectiva entre os radicais de esquerda ou os radicais de direita. 
Ou seja:

- Se for no PS, com a sua capacidade de destruição de riqueza, perpetuamos as causas do nosso empobrecimento  e ainda continuamos a levar com os extremistas radicais e as suas intermináveis agendas  fracturantes  que já cansam ( irão acrescentar mais "versatilidades" à ideologia de género, até esgotarem todo o alfabeto e despejá-los nas escolas?). E mais as cedências que farão ao novo "parceiro" Pan:  lá teremos de passar a comer húmus e tofu e a dar comida de herbívoros aos cães e gatinhos castrados dos nossos apartamentos. Uma doideira!
OU então, em alternativa:
- com este inábil PSD, talvez se consiga arrancar o país da pobreza e, aos poucos, tornarmo-nos mais prósperos economicamente mas... teriam de ceder às agendas dos outros radicais, o das castrações químicas e da revisão das penas de prisão.


Enfim, este país está a tornar-se infrequentável. 

E um país pobre e sem soluções corajosas, é um pobre país!


Estamos feitos...


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De João Brandão a 24.07.2021 às 11:24


Ora aqui está um texto politicamente 'agatchado', podia ser agachado mas prefiro que seja 'agatchado'. 
Este é o modo de pensar neste pindérico país há mais de trinta anos. Pobres e pouco audaciosos, a maior parte dos tugas. Por cá a audácia só dá para a corrupção.
O Chega? Ah pois! Tem um discurso totalmente naif e primário e seu imputado radicalismo é apenas aparente. Não aprecio o Chega, pois não me parece ter propostas económicas minimamente capazes. Mas, pelos vistos, o tal radicalismo (?!) serve para justificar a manutenção do 'status quo' tuga.


Os radicais de esquerda andam por cá há 50 anos a rebentar com isto e afinal o problema é o Chega que nem sabe sequer o que é estar num governo!


Mentalidade tugo-pindérica ...
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De Anónimo a 24.07.2021 às 13:28

O autor é mais uma vítima do equívoco do PS. O PS ganhou louros de defensor da democracia e da liberdade em 1975 mas nada de mais falso. Em 1974/1975 a extrema-esquerda apoiada por militares, ameaçava tomar o poder. Por isso e só por isso o PS se lhe opôs.
O PS é um projecto de poder, em tudo o herdeiro histórico e legítimo do Partido Democrático de Afonso Costa. Por isso o autor erra quando se questiona sobre medidas que não fariam perder votos mas que diminuíriam o controlo sobre poderes económicos, justiça e comunicação social. Pode o PS voltar a pôr o socialismo na gaveta se necessário, mas não abdicará do controlo da justiça e da narrativa, imprescindíveis à colocação na direcção e usufruto dos grandes interesses económicos de gente sua ou da maçonaria, por vezes não sendo claro quem manda em quem.
Desiludam-se todos que, com este PS, esperam uma alternativa pacífica de governo.
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De Anónimo a 24.07.2021 às 19:46

Muito bem!!!
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De Anónimo a 24.07.2021 às 22:14


"É difícil vislumbrar um futuro para Portugal, sem um pacto de regime entre os dois maiores partidos, o PS e o PSD." É a verdade.

Em Portugal não há representantes de eleitores na AR.

Em Portugal há representantes do PS e da extrema esquerda a legislar -a seu gosto e interesses- na Assembleia da República.
Uma feliz "elite" política.
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De Carlos Guerreiro a 25.07.2021 às 10:21

O ps apenas pretende o acesso aos fundos europeus e a sua distribuição pelos “amigos”. Enquanto houver fundos para distribuir não há mudanças no ps, o país poderá estar cada vez mais pobre mas o mundo que gira em redor do ps vai-se governando.

O psd (ps duplo) do Rio apenas pretende chegar às migalhas que caem do banquete do ps.

Quando o ps saltou para o poder em 2015, o governo disse que só tinha aumentado os impostos aos ricos. Alguém perguntou ao Centeno se 1.000,00 euros mensais é ser rico, e o Semtino respondeu que em termos fiscais era. Com os aumentos do salário mínimo é só esperar que ganhar 700,00 euros mensais seja ser rico em termos fiscais para que a situação comece a mudar. Já não falta muito. E até pode ser mais depressa se quem substitua a Merkel não tenha tanta paciência para as habilidades de Costa e sus muchachos.




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