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A razão em tempo de guerra

por Maria Teixeira Alves, em 27.06.14

Confesso que comecei por achar uma atitude nobre a de José Maria Ricciardi sair de todos os cargos de administração do Grupo Espírito Santo. Pois se votou contra a lista de Amílcar Morais Pires, não se revendo naquela liderança, quis dar um sinal de coerência. Pareceu-me bem. Acho que José Maria Ricciardi devia até ter-se demitido da administração da ES Internacional depois de ter obtido os resultados da auditoria pedida por si àquela sociedade amaldiçoada, no princípio de 2013. Mas isso são outros 500.

 

Imagino que não deva ser fácil para alguém ser enrolado numa áurea de suspeição quando aparentemente não tinha intervenção efectiva na gestão dessas holdings e imagino a revolta que deve sentir ao ver o primo Ricardo Salgado dizer numa entrevista que todos tinham responsabilidade, uma vez que eram todos administradores, quando o commissaire aux compte na edição do Expresso de dia 14 de Junho vem dizer que eram Ricardo Salgado e José Castella, controller financeiro do GES, quem tinha acesso a tudo das contas da ES International.

 

Esse sentimento de injustiça é terrível e se uma pessoa não o controla, pode ser muito mau conselheiro. 

 

Serve isto para dizer que o comunicado de José Maria Ricciardi a anunciar a sua saída da administração da ESFG (que imediatamente a aceitou) foi depois acompanhado por uma declaração que, a meu ver, foi impulsiva e talvez tenha comprometido irremediavelmente a sua estratégia que não era dificil de ler nas entrelinhas para os observadores mais atentos.

 

Não se anunciam aumentos de capital de significativa envergadura em comunicado. Parece-me evidente. Ao anunciar um aumento de capital de significativa envergadura (soube-se depois que era de 600 milhões de euros) para entrarem investidores (dos Emiratos) com 45% e o management ficar com 10%, levanta a lebre de uma estratégia que convinha ter ficado no segredo dos Deuses. A surpresa é fundamental nestas tácticas. A surpresa e, claro está, um bom advogado e bons conselheiros de outras ciências.

 

Agora com o BES, ainda liderado por Ricardo Salgado, a admitir substituí-lo à frente do BESI e tendo o BES 100% do BESI, e tendo o José Maria Riccardi deixado de ser administrador da ESFG, e estando a caminho de deixar de ser administrador do BES, torna-se muito complicada a sua situação.

 

Mas qualquer que seja a tática que esteja agora a desenhar é fundamental que não seja comunicada, formal ou informalmente... fundamental. 

 

É preciso ter nervos de aço em tempo de guerra. Sobretudo quando o adversário é temível. E Ricardo Salgado não chegou até aqui por ser ingénuo, e ainda tem a faca e o queijo na mão.

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1 comentário

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De Carlos Conde a 27.06.2014 às 16:12

Maria a apreciação que faz parece-me absolutamente correcta e as sugestões que apresenta lúcidas e de bom senso.
Quem parece não estar à altura dos papéis atribuídos são os actores designados.
Desde que apareceu em palco o ministro Pinho, sempre me interroguei como era possível aquela nódoa ter sido administrador do BES.
Agora, os factos revelam que estava bem acompanhado e não destoava na equipa.


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