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Não há denúncia mais clara do que seria o regresso de um governo socialista do que a que resulta da comparação das duas propostas agora divulgadas sobre os vistos gold.

Com a reformulação dos critérios de atribuição de vistos gold, ontem anunciados por Paulo Portas, o governo propõe-se canalizar esses investimentos para a economia, atribuindo vantagens a quem queira investir na investigação científica, na produção cultural, na recuperação do património ou urbana, e baixando ainda mais as exigências para quem queira investir em regiões de menor densidade populacional.

Comparemos agora a proposta de António Costa. Costa defendeu há poucos dias que todos os investimentos fossem absorvidos por um fundo que o seu governo criaria, fundo esse que administraria essas verbas a seu bel prazer, dando prioridade às empresas falidas.

Ou seja, temos, de um lado, um governo que, mediante a graduação das regalias, procura dirigir o dinheiro novo para sectores específicos da economia e do território, mas deixá-lo correr directamente para a economia. E temos, do lado socialista, um candidato que defende a criação de mais um organismo público, o qual absorveria todo o investimento, para depois o distribuir como a administração nomeada pelos socialistas decidisse (mais intervenção pública, mais despesa, mais opacidade, mais preferência por maus negócios, tudo junto num saquinho).

Há quem diga que António Costa tem mantido silêncio sobre as suas propostas de governo, e que o faz guiado por superiores prudência e sagacidade. A mim, parece-me, ao contrário, que Costa fala mais do que o suficiente e explica muito claramente que tipo de primeiro-ministro daria. É certo que algumas vezes fala por pura ignorância, como sobre os fundos comunitários -- e apenas podemos lamentar que um candidato a chefe de governo fale sem saber do que fala e, assim, caia em disparates. Mas as mais das vezes, as afirmações de Costa falam mais claro que um longo programa -- e devem ser ouvidas atentamente.

É que quando Costa diz que a política de austeridade não deu resultado, o que é importante não é notar que todos os indicadores (défice, balança comercial, juros da dívida, exportações, crescimento, emprego) o desmentem. O importante é notar que, apesar de conhecer esses indicadores, ele insiste que as políticas do governo Sócrates - de que foi membro, e de quem foi filho dilecto - não tiveram consequências necessárias, e, portanto, deviam ter prosseguido.

É que quando Costa diz que a política actual está esgotada, o que ele está a dizer é que um governo seu reverteria à «política de crescimento» do governo Sócrates, à política dos grandes investimentos públicos que gera emprego ilusório e, depois défice e dívida (moderados, talvez, por subidas de impostos de 150%, como as taxas da água em Lisboa).

É que quando Costa diz que é o investimento público que dinamiza a economia, o que ele está a dizer é que um governo seu regrederia rapidamente e em força às práticas de investimento que produziram a falência de BES e PT, o assalto e quase ruína do BCP, a fragilização da Caixa, os gastos perdulários, e, no fim, a bancarrota nacional.

É que quando Costa anuncia como seu grande intento apropriar-se do dinheiro dos vistos gold, o que promete como programa é a mão gorda e ávida do Estado a apropriar-se de toda e qualquer fonte de dinheiro (com as habituais percentagens corruptas à mistura).

E podem os portugueses querer um governo desse género? Claro que podem. Se são tantos os portugueses (até os comentadores que julgaríamos responsáveis) a defender que o governo grego é magnífico por precipitar a Grécia num desastre, e o governo português é mau por não juntar o país ao naufrágio, porque não haveriam de eleger um governo Costa?

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