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A PROPÓSITO DAS JMJ

por Miguel A. Baptista, em 26.01.23

A propósito do palco-altar muitas vozes se levantaram. O facto das pessoas se colocarem questões, procurarem entender e exigirem transparência é, em si, positivo. Claro que à boleia de uma postura de exigência cívica, que é de louvar, veio o jacobinismo mais bacoco, presente em tantas mentes. 

Um dos argumentos jacobinos, que aparece de forma recorrente, é que deveriam ser os católicos, exclusivamente, a financiar a organização. Pois bem, este evento não se limita a uma simples celebração católica. Este mega evento surge de um concurso que tem um caderno de encargos e ao qual, como por exemplo para a organização dos Jogos Olímpicos, concorrem diversas cidades. Nenhuma cidade é "obrigada" a concorrer, se não quer colaborar na organização do evento, há várias outras que se predispõem a fazê-lo. 

A candidatura portuguesa foi apoiado por um PM socialista, um autarca socialista e um autarca comunista, afirmando-se os três como ateus. Bernardino Soares dizia que " “Esta localização foi uma alavanca para um legado que o Papa vai deixar. Um espaço que vai ficar para benefício das populações” enquanto Medina afirmava " “A mensagem do Papa é muito mais vasta do que uma mensagem de fé dirigida aos católicos. Tem um carácter social e económico universal”. 

Acho muito bem que haja consciência cívica e vigilância democrática, aliás devo ter sido dos primeiros, que quando soube dos balores envolvidos na construção do palco-altar, ainda antes da "indignação" tomar conta das redes sociais, a dizer que mais informação era necessária para aferirmos acerca da "bondade" da obra. As JMJ deverão ser o evento mais vigiado e escrutinado que jamais aconteceu em Portugal, está criado o ambiente para isso. 

Eu gosto de vigilância e escrutínio, no entanto temo que a motivação para estes neste caso concreto, não será tanto os portugueses terem descoberto, em si, uma exigência democrática escandinava, devendo antes ser a militância antireligiosa e a mesquinhez. 

Pode ser que esteja enganado, mas temo que muitas motivações em torno de um evento que tem muito para ser acarinhado não sejam as mais nobres. Aliás, o espectáculo de "passa-culpas" a que assistimos esta semana tem sido profundamente deprimente. 


6 comentários

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De O apartidário a 26.01.2023 às 22:04

Não dá para converter o tal altar em um aeroporto? 
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De Paulo Almeida a 26.01.2023 às 22:50

pelos vistos,não se apremdeu nada como CCB, a expo 98, o euro 2004, etc
continuamos a delirar com fanfarronices.
depois, é claro, não há dinheiro para o que é preciso....
para estas porcarias nunca faltou,,,
náo temos emenda
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De uidade e a 27.01.2023 às 09:37

Mas é muito estranho que, para os mega eventos da bola (e não só), nunca tenha faltado dinheiro e não me lembro de alguém se ter queixado dos delírios, das fanfarronices, dos gastos ou de ter espiolhado essas contas até ao último tostão! Teria sido menos ruinoso para o país se nessas alturas alguém tivesse feito um escrutínio tão rigoroso como o de agora. E no entanto deixaram espalhados pelo país vários elefantes brancos (leia-se monumentos à rapinagem, às derrapagens e às contas "esbardalhadas"). E se um elefante incomoda muita gente, vários elefantes deviam incomodar muito mais... Mas esses ninguém viu.
Defendo que haja vigilância democrática, rigor e uma consciência cívica aguçada, mas ontem, as entrevistas aos envolvidos no evento da JMJ, mais pareciam um interrogatório duma Comissão de Inquérito Parlamentar. 
Que se passou entretanto para ter havido repentinamente uma tão grande  mudança, tanta exigência de transparência e tantos desfiles de virtudes «escandinavas»? Talvez seja o jacobinismo, stupid!, disfarçado com pozinhos de perlim-pim-pim.
O que sei é que enquanto entretêm o pagode... deixam posto em sossego D.Costa para que colha o doce fruito dum soninho descansado.  
E assim vai sobrevivendo a nossa "rive gauche" militante com os seus truques rançosos... e só os tolos se deixam levar, porque não percebem nada destas maquinações nem doutras manigâncias.  É pena que não haja maior acuidade visual para apontarem a quem nos "encalhou" o país e porque estamos atolados num pântano e num imobilismo sem precedentes. É melhor começarem a treinar a pontaria e o discernimento (sobretudo)  para ver se acertam no alvo.
 
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De Anónimo a 27.01.2023 às 07:58


Sim, de facto 'balores' mais alto se alebantam!
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De balio a 27.01.2023 às 09:54

Eu diria que é o contrário: as pessoas que são a favor da organização das Jornadas estão, na sua maior parte, essencialmente a ter uma posição a favor da Igreja, porque são católicas. É naturalmente a posição do Presidente da República e, provavelmente, de muitos outros: são a favor das Jornadas por se tratar de um evento da Igreja.
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De Anonimo a 27.01.2023 às 09:56

" As JMJ deverão ser o evento mais vigiado e escrutinado que jamais aconteceu em Portugal, está criado o ambiente para isso. "


o Marques Lopes diz o mesmo semanalmente lá no seu espaço de homilia às quintas-feiras. Nunca em Portugal houve tanto escrutínio, vigilância. Qual despesismo, caciquismo ou corrupção. No entanto elas continuam a saber-se... claro que no fim dá em zero, tal como aquelas intervenções do Tribunal (tribunal?) de Contas, geram grande indignação e... e... pois, é isso.



Pessoalmente, pouco me importa o tamanho do palco, ou quanto se gastou. Já passámos há muito essa linha, e sinceramente, gastar em "eventos" 100 euros ou 1000000 euros dá no mesmo, pois quem gosta acha dinheiro bem gasto, quem não gosta acha desperdício.

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