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A praia de Castelo Branco

por henrique pereira dos santos, em 14.05.22

Tenho muitas discussões por aí, por passar o tempo a tentar demonstrar o absurdo da argumentação contra coisas de que não gosto: eucaliptos, barragens, estradas, agricultura superintensiva, urbanizações mal amanhadas, etc..

É que uma coisa é eu gostar, ou não, de uma coisa, outra coisa é achar que, por eu não gostar de uma coisa, todo o tipo de argumentação é válido para impedir essa coisa, independentemente de ser verdadeira ou falsa, ter em conta, ou não, os diferentes interesses, avaliar se as alternativas são piores, ou não, e coisas que tal.

É uma actividade estúpida da minha parte porque não ganho nada com essas discussões e só arranjo conflitos, mas nasci com esta panca cartesiana e a irracionalidade numa discussão é uma coisa que me incomoda muito.

A verdade é que a maioria destas discussões seguem um padrão que as tornam surrealistas: alguém defende que era muito melhor que Castelo Branco tivesse uma praia oceânica.

Eu argumento que Castelo Branco está relativamente longe do mar (aliás, essa é uma das razões pelas quais eu defendo, há muitos anos, que a capital do país deveria mudar para lá).

A partir daí, o dito alguém descreve-me as vantagens para o turismo que viriam de Castelo Branco ter uma praia oceânica, de como isso iria contrariar os efeitos económicos e sociais da interioridade de Castelo Branco, de como seriam mais bonitos e variados os pores do sol em Castelo Branco, de como isso facilitaria a mobilidade, que como se poderia investir na energia das ondas para aumentar o uso de energias renováveis em Castelo Branco, etc., etc., etc..

A cada novo argumento, eu respondo dizendo que não é possível haver uma praia oceânica em Castelo Branco nos próximos milhares de anos.

Os que ainda ouvem os meus argumentos, talvez me respondam que eu tenho vistas curtas, o futuro está por inventar e podemos trocar-lhe as voltas, que o mundo ainda é uma criança.

Os outros, a larga maioria, ignora simplesmente a impossibilidade do que propoem, continuando a argumentar sobre as vantagens associadas a um mundo impossível que defendem que seria bem melhor que o mundo actual (coisa que não contesto, não tenho dúvidas de que seria um mundo melhor, o único problema advém do pequeno pormenor de ser um mundo impossível, claro).

Espero que antes de chegar aos setenta anos me consiga convencer de que não vale a pena argumentar contra a grandeza de mundos imaginários com a discussão mesquinha sobre a sua viabilidade prática.

Razão tem Paulo Tunhas: "as máquinas de palavras são indiferentes à verdade".



4 comentários

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De Anónimo a 14.05.2022 às 15:06

Parábola da Praia de Messejana

Consta que a virtual Praia tem ancoradouro na seguinte passagem.

Quando o Brito Camacho foi nomeado primeiro-ministro, os messejanenses pensaram logo em tirar proveito da costela conterrânea do governante. Uma comissão de notáveis foi recebida pelo patrício ministro que, serenamente, ouviu das suas reivindicações. Queremos isto, mais isto e aquilo e ainda isto, olhe, e ainda esquecíamos mais isto. Com a fina ironia alentejana que tão bem soube expor nos seus escritos, Brito Camacho, perguntou maliciosamente se, para além daquilo tudo, não quereriam também uma praia lá para a terra. A comissão de notáveis, empolgada com a abertura do governante, ripostou de imediato: arranje então lá a água, que a areia arranjamos nós!

Durante anos a palavra praia esteve erradicada do vocabulário messejanense. Ainda há poucos anos aquando da construção do depósito de água, a malandragem de Aljustrel comentava: os da praia já tem farol e tudo...!

 

(extraído do blogue “Aldeagar”)

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De pampulha a 15.05.2022 às 17:35

conheço bein Caté Banco e o seu xuxalismo descendente
contentem-se com as praias oceânicas de Cebolais ou Retaxo, em opção a Mata das Porcas
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De passante a 15.05.2022 às 21:16

argumentar contra a grandeza de mundos imaginários


'Rem acu tetigisti', como ocasionalmente dizia o camarada Jeeves.


De vez em quando aparece um profeta menor ou maior com visões do milénio a seduzir os crentes, e desacreditá-lo é o cabo dos trabalhos.


Andamos há quase duzentos anos a lidar com o profeta Marx, já lá vão desastres e mortes quase incontáveis, e ainda sobram crentes ...


Deviam pôr à porta das escolas "Os fins não justificam os meios", mas como passar por cima disso dá jeito a muita gente ...



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De Pedro Cruz a 18.05.2022 às 00:02


Apesar da charneca de Idanha ser linda, sobretudo na Primavera, curiosamente, também eu, lisboeta sem qualquer ligação à zona, defendo, desde há muito, que a capital do país fosse transferida para aquela zona. O sucesso turístico de Lisboa nos últimos anos, a obsessão totalitária de alguns activistas anti-automóveis, só acrescentam razões a esta ideia, que pelos vistos ambos partilhamos há um ror de tempo.

Imagine-se o museu das Descobertas, ou da colonização ou lá do que lhe quiserem chamar, instalado no Terreiro do Paço. Imagine-se o Palácio de Belém como museu de si próprio e da presidência, quiçá preparado - como a Ajuda - para receber algumas cerimónias, imagine-se o Palácio de São Bento, um dos mais imponentes edifícios do nosso país, como novo museu de Arte Antiga (o qual, pequenito,não tem espaço para exibir o seu acervo), ou outro qualquer...
Imagine-se o Senhor PR, os senhores deputados, os senhores conselheiros do STJ, os senhores ministros, os senhores altos funcionários administrativos, todos a residir no interior, ou a correr semanalmente para lá; de preferência de TGV.
Mais ainda, tanto quanto sei, sob o ponto de vista geológico, a zona é a mais indicada para manter os centros de decisão nacionais e, sobretudo, um pouco mais a norte, para manter os servidores informáticos dos nossos serviços públicos razoavelmente protegidos de terramotos, e/ou de maremotos. É que, ou eu me engano muito, ou serão pouquíssimos os serviços em que os dados estão preservados em sistemas redundantes...
Há muitos, muitos anos, sei que o arq. José António Saraiva, já não me lembro se ainda no Expresso, se já no Sol, propôs também a mudança da capital, mas para o centro geodésico de Portugal, por razões quiçá simbólicas. Mas essa zona, montanhosa, tornaria a planificação e a edificação mais complicadas e dispendiosas, e comprometeria totalmente a circulação mediante tracção animal, hoje tão na moda.
Portanto, meu Caro HPS, não está só na defesa dessa ideia da capital mudar para a zona de Castelo Branco. Defenda-a com denodo, se o país não se afundar, ou o mundo não acabar em uma ou duas gerações, pode ser que venha uma e pegue na ideia.
Estas medidas de redução contínua do estacionamento e de restrições à circulação automóvel de quem não seja titular de cargos públicos, decerto criarão um ambiente favorável entre os lisboetas para a ideia medrar; se não por pura racionalidade, ao menos por despeito e revolta.

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