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As últimas semanas têm sido fecundas em casos com a política como pano de fundo mas que envolvem a Justiça e colocam questões de ética: os Secretários de Estado que aceitaram a oferta da Galp para uma viagem a Paris para assistir a um jogo de futebol, dirigentes partidários (e autárquicos) que viajaram até à China com o apoio da Huawei e, hoje, um Juíz que terá tomado uma decisão relativa a uma candidatura autárquica quando tem relações de amizade com outro dos candidatos. Não vou, neste post, discutir os fundamentos jurídicos sobre a aceitação de ofertas de empresas fornecedoras (ou tuteladas) nem sobre processos administrativos de candidaturas eleitorais. Muito menos vou fazer qualquer comentário político a cada um dos casos pois entendo que o que está em causa, em cada um estes casos, é um problema ético. Ou seja, é eticamente aceitável que um membro do governo aceite uma oferta de uma viagem de uma empresa privada (quando ainda para mais numa das situações existe um contencioso judicial)? É eticamente aceitável que responsáveis autárquicos aceitem ofertas de viagens de fornecedores de equipamentos (ou soluções tecnológicas) que podem ser adquiridas pelas autarquias nas quais têm responsabilidades de decisão? É eticamente aceitável que um Juíz tome uma decisão sobre um processo quando tem uma relação de proximidade (de amizade mesmo) com uma das partes (seja direta, ou indiretamente, relacionada com o processo)? Não vale a pena, politicamente, apelar à intervenção da justiça quando, na base, o problema é de natureza ética. É esta que tem de ser questionada!
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