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A parte interessada

por João Távora, em 06.08.18

 

Cancio.jpg

"Quem é que quereria investir centenas de milhares de euros, endividando-se, para apostar num negócio sem segurança jurídica, e no qual o mais certo é ter chatices e perder dinheiro?"

 

Pode parecer estranho, mas esta transcrição é de uma crónica da Fernanda Câncio publicada ontem no Diário de Notícias que eu assinaria por baixo. Infelizmente a racionalidade e lucidez que presidiram à sua redacção explicam-se, não pela capacidade analítica da jornalista, mas pelo facto assumido de “ser parte interessada” no assunto em equação.  
Serve este exemplo para aferir que só um bom jornalista consegue ter uma análise isenta dos factos, sendo ou não sendo “parte interessada”…  ou o seu contrário. Nunca percebi porque no “seu” jornal encarregaram tantas vezes a Fernanda Câncio de reportagens ou artigos sobre a Igreja Católica que ela assumidamente execra, a não ser que isso se torne numa motivação para a rapariga fazer malabarismos retóricos e dessa forma satisfazer um público anticlerical que precisa de ver confirmados os seus preconceitos num jornal do regime. Da mesma forma com motivações de sinal inverso, a perspicaz "jornalista" (chamemos-lhe assim), foi absolutamente incapaz de detectar na forma de vida do aldrabão do seu ex-namorado, à época 1º Ministro, qualquer indício das desonestidades que praticava. Uma vez mais isso justifica-se pelo facto de Fernanda Câncio ser então “parte Interessada”, como mais recentemente tornou-se “parte interessada” em descartar-se do capítulo da biografia de José Sócrates em que foi activamente figurante.
Ser “parte interessada” é legítimo a qualquer pessoa, até ao mais insuspeito jornalista – nada contra os “interesses” que a todos movem. Certo é que ele se distinguirá da mediania na medida em que, pela leitura dos seus trabalhos, nos seja difícil ou impossível detectar quais os seus “interesses” ou “causas” e deles nos mantenha distantes. Mas o que acho mais grave é como a mediocridade de quem só consegue fazer uma análise jornalística através dos seus mesquinhos (no sentido de particulares) preconceitos – a maior parte das vezes reveladores de um provincianismo e ignorância confrangedores – tenha alcançado o estatuto de vedeta num jornal centenário como o Diário de Notícias... a lutar pela sobrevivência.

 

Foto: Jornal de Negócios



8 comentários

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De Luís Lavoura a 08.08.2018 às 15:03

Eu, processá-lo? Como assim? Você não me fez mal nenhum...
Só o pode processar a sua vítima. A calúnia não é um crime público.

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