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A OCDE também persegue a geringonça?

por Maria Teixeira Alves, em 01.06.16

ConselhoMinistrosCosta07PF.jpg

Foto: Diário Económico (Paulo Figueiredo)

 

“Sim, sim, é geringonça, mas funciona. É uma grande vantagem, estão a ver? É geringonça mas funciona.” Disse uma vez, não há muito tempo, o Primeiro-Ministro.

Governar um país é como guiar um barco, roda-se o volante vigorosamente e nada acontece, e depois passado uns minutos, o barco responde rapidamente. Há um delay entre a acção e a reacção. 

Também acontece isso com um país, criam-se medidas, revogam-se as anteriores, devolvem-se os rendimentos, e num primeiro momento o equilíbrio não é afectado, até que de repente, zás, o resultado. Se forem acções bem pensadas o resultado é bom, se não forem o resultado abrupto será desastroso. A geringonça só se vê se funciona quando houver a resposta da economia à actuação do Governo.

O Ministro das Finanças também sabe isso. Pois disse-o à CNBC.  “A paciência é a essência para a recuperação económica”. Deve haver um alinhamento “na capacidade de esperar que elas [as medidas] surtam os seus efeitos”. Medidas? Quais Medidas? As do anterior Governo? Eis a resposta: [é preciso esperar] que as reformas estruturais feitas nos últimos anos se materializem”, o que ajudará a acelerar o crescimento e a redução da dívida. 

O ministro socialista, longe dos palcos políticos lá disse que o rácio de dívida pública “está a cair desde 2014” e que Portugal conseguiu “colocar o rácio de dívida (sobre o PIB) numa trajectória descendente”.

Centeno já antes tinha admitido que as previsões do Governo dependem da retoma do investimento.

O que diz hoje a OCDE?

A economia portuguesa só irá crescer 1,2% neste ano e 1,3% no próximo, e para este ano prevê um défice de 2,9% este ano.  O governo tem metas muito mais favoráveis, prevê no Orçamento de Estado para 2016 como um crescimento do PIB de 1,8% e um défice de 2,2%.

A Comissão Europeia prevê um crescimento de 1,5% e um défice de 2,7%; o Fundo Monetário Internacional 1,4% e 2,9%, respectivamente e o Banco de Portugal prevê 1,5% de crescimento do PIB (e não publica previsões para o défice). 

A OCDE diz ainda que o Orçamento de Estado de 2016 baseia-se mais em impostos sobre o consumo e menos em impostos sobre o rendimento.

"A redução da taxa do IVA dos restaurantes vai reduzir as receitas fiscais e provavelmente terá pouco efeito sobre o emprego”, refere o novo estudo Panorama Económico de hoje.

Em relação à ancora do crescimento económico do Governo de António Costa, isto é, o consumo interno, a OCDE admite que o consumo privado “pode compensar parcialmente os resultados negativos do investimento”. Mas avisa que não será sempre assim: “As políticas para impulsionar a procura interna não vão produzir efeitos duradouros”.

O aumento da despesa em consumo sofre limitações impostas por uma taxa de poupança historicamente baixa e uma reduzida criação de emprego, levando o consumo privado a perder o vapor. Quem o diz é a OCDE, não é a direita que está na oposição.

Já o INE disse que a evolução do PIB foi suportada apenas pela procura interna. O INE anunciou ontem uma ligeira revisão em alta do crescimento do PIB face às estimativas divulgadas a 13 de Maio último, mas o investimento caiu pela primeira vez desde 2013, numa altura em que as previsões económicas do Governo estão dependentes da retoma do investimento. Ao mesmo tempo, as exportações caíram, enquanto o consumo privado manteve o ritmo de crescimento que já vinha do último trimestre de 2015. 

Pois, o investimento diminui pela primeira vez desde 2013.

A OCDE lamenta ainda que “as reduções previstas nos impostos sobre as empresas, que poderiam aumentar o investimento e o crescimento" tenham sido "canceladas”. “Um aumento dos benefícios sociais apoiará as famílias de baixos rendimentos”. Mas “as reduções de despesa previstas estão sujeitas a riscos de implementação severos”. Isto é, a OCDE duvida destas medidas e da sua execução orçamental. 

Os riscos para o crescimento da economia “são maioritariamente internos e estão relacionados com o alto endividamento dos sectores público e privado”.

A organização também piorou a estimativa para o desemprego, esperando que represente 12,1% este ano e 11,5% no próximo, quando em Novembro apontava para taxas de 11,3% e 10,6%, respectivamente.

A geringonça funciona? Só se for na aparência, que é como quem diz no marketing. Mas o que parece tem muita força.

 



9 comentários

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De kataklismo a 01.06.2016 às 15:32

Muito bem. Só faltou dizer que a OCDE duvida do crescimento da economia (http://www.jornaldenegocios.pt/economia/conjuntura/detalhe/ocde_economia_global_presa_na_armadilha_do_baixo_crescimento.html)global</a>.
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De comunista a 01.06.2016 às 17:37

Há vida para além dos números. E de uma leitura tendenciosa e preconceituosa dos mesmos. Basta!! 
Quer pôr o povo a pão e água como Salazar? Corta-se 40% nos salários e já temos finanças públicas impecáveis. 
Corta-se à bruta na saúde e na educação e em comparticpações, acaba-se com a ADSE, e seremos um paraíso.
Mandam-se os jovens emigrar, são menos bocas para comer.
E os trabalhadores que se lixem, os números são mais bonitos, deixa de haver procura interna, mas que mal faz isso? Restaurantes e cafés fecham portas, mas que importa? 
Continue assim, a sério. Se tiver interesse num retrato do Salazar vendo barato.
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De campus a 03.06.2016 às 11:48

Fascista....
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De Anónimo a 01.06.2016 às 17:55

Sou só eu que tenho a sensação de estar a ser governado por um imbecil?
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De IO a 01.06.2016 às 18:34

..NÃO!
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De JC a 01.06.2016 às 22:35

Claro que não.
Somos governados por um imbecil que só imbecis e comunas - passe a redundância - teimam em apoiar.
Por alguma coisa o Imbecil perdeu as eleições
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De Comunista a 02.06.2016 às 10:39

Grande abraço para si. Sugiro internamento rápido, boa sorte!
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De ali kath a 01.06.2016 às 21:05

poemas de Manuel Bandeira
«

Os Sapos

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
— “Meu pai foi à guerra!”
— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.

Consoantes de apoio »

hoje dia mundial das crianças

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De ali kath a 01.06.2016 às 21:12

ainda da M. Bandeira


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

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