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A nova ordem

por João Távora, em 29.11.15

igualdade.jpg

Se os exames do primeiro ciclo provocam ansiedade e acentuam a discriminação das crianças desfavorecidas, o que dizer dos erros ortográficos? O meu filhote pequeno que o diga, as lágrimas vêem-lhe aos olhos sempre que lhe corrigimos um. A caligrafia, essa é uma causa perdida. Não será a escrita afinal um elemento opressivo da livre expressão e criatividade da miudagem, um obstáculo à sua afirmação entre iguais? Consta que alguns sistemas de ensino já adoptaram esta filosofia igualitarista, em prol da felicidade e bem-estar dos fedelhos. Como se a felicidade não fosse acima de tudo um dom ou uma aprendizagem empreendida por cada pessoa no seu interior justamente na superação das dificuldades. No mesmo sentido a “retenção”, uma designação benigna e simpática atribuída ao antigo “chumbo” que tanto pesou como ameaça nas cabeças de alunos cábulas como eu, há muito está em vias de ser banida como instrumento pedagógico. Porque não se lembraram ainda estas sumidades libertar a comunidade da repressão da matemática? Afinal é a aritmética a base ideológica da austeridade, e as contas de multiplicar a ferramenta preferida do capitalismo. Depois, o resultado exacto e indiscutível de uma conta de diminuir pode significar uma violência traumática para o inocente infante. Claro que os números podem servir sempre para a recriação da criançada, disponibilizados em peluche para serem apertados com muito carinho ou arremessados uns aos outros como numa luta de almofadas. De caminho, sugiram-se também medidas preventivas em relação à capacidade de concentração, definitivamente um atributo a reprimir entre os alunos, por ser profundamente discriminatória quanto aos resultados da aprendizagem. Pior ainda se essa qualidade for associada à eloquência e à criatividade - não estaríamos nós na iminente ameaça de um perigoso cidadão autónomo e livre?

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3 comentários

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De comunista a 29.11.2015 às 22:30

desculpe, mas mais uma vez está a ver a problemática da educação por um prisma que não é o do século XXI.


a ideia de uma educação mais igualitária e, portanto, mais justa, sem deixar ninguém para trás é a que mais salvaguarda o bem dos alunos.


as crianças têm direito a serem felizes, a terem tempo para brincar, para respirara fora da escola, não têm que ser sujeitas ao papão dos exames.


a escola deve ser um lugar onde se aprende a aprender, onde se socializa, onde os números devem ser vistos com relatividade, o que para um professor é um 10 para outro pode ser um 13, o que conta de facto é a avliação contínua e qualitativa que os professores fazem dos seus alunos no dia a dia.


e deve se ainda um lugar onde não se põem em pedestal a disciplina x ou y, a educação para a sexualidade, para a cidadania, nas alturas próprias não são menos importantes do que qualquer outra disciplina.


repare que não foi por acaso que as associações de professores de português e matemática, bem como os pais e alunos, se congratularam com o fim da aberração criada pelo suposto ministro da educação que agora, para bem de todos, recolheu às bases.
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De Carneiro a 29.11.2015 às 23:39

...e depois a partir do 9º ano aqueles que têm ambições profissionais, recorrem a explicações de excelência para prepararem os exames do 12º ano que lhe garantam o acesso às faculdades mais selectivas.
As famílias já não apostam tanto nos Colégios Privados. Fica mais barato este sistema das explicações nas nucleares. Até porque nos Colégios Privados por vezes também acumulam a despesa das explicações de excelencia e duplicam a despesa.
Até ao 8º ano anda-se a brincar ás escolas inclusivas. No 9º ano começa-se a por os pés no chão e no 10º ano entra-se na realidade.
O meu mais novo, está no 10º ano numa Escola publica em Lisboa, numa turma A  onde estão concentrados os melhores alunos do 10º ano - que é outra coisa que não existe oficialmente - e em 30 alunos é um dos poucos que ainda não tem explicações de excelência. Mas os colegas andam nos 18 e 19 e ele anda a patinar nos 16 e 17 apesar de trabalhar a serio. Provavelmente vou ter que abrir os cordões à bolsa, pois que com 16 e 17 não faz média para o que quer, e a concorrência é dura.
 Só os líricos  é que acham que ele devia andar ali a socializar. As cadeiras de Fisico-Quimica, Biologia e Matemática do 10º são 3 cadeirões. Só fala em socializar e em notas de 10 e 13 quem tem a vida garantida com rendimentos para os quais não tem que se esforçar. Com 10 e 13 àqueles cadeiras talvez arranje emprego como Caixa no Pingo Doce. Ou como sindicalista. Caso em que teria uma carreira de sucesso.
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De comunista a 30.11.2015 às 10:15

ataques ad hominem ficam sem resposta


cadeiras nucleares é uma invenção da direita, como se a matemática fosse mais importante que outra disciplina qualquer. todas são importantes.

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