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A nacional conferência revivalista

por João-Afonso Machado, em 13.11.22

Foi uma manhã toda de entrevistas e discursos. De análise política e de um auditório pintado de vermelho garrido onde se agitavam muitas bandeiras comicieiras. Deviam estar lá quase todos e oradores não se cansaram de invocar a grande participação nesta extraordinária autodenominada «Conferência Nacional». Afinal não se tratava de um decisivo congresso, conquanto a encenação lembrasse esses inesquecíveis do PCUS e, mesmo sem lá estar, sentia-se a presença de Lenine invectivando as massas - os soldados e os marinheiros, os operários e os camponeses. Não faltando, de resto, a alusão às conclusões do 21º, as quais peço desculpa por não recordar.

Era o solene momento da tomada de posse de Paulo Raimundo, o novo secretário-geral do PCP. O sucessor do já mais idoso e adoentado Jerónimo de Sousa que as câmaras televisivas não esqueceram no seu lugar entre os notáveis comunistas.

A plateia prossegue a sua frenética agitação de estandartes, repleta de bolcheviques à antiga - boina na cabeça, barba de revolucionário e lunetas de intelectual - muitos deles ainda jovens e sonhadores com o proletariado de todo o mundo unido.

A voz de Paulo Raimundo procura transmitir esse elan renovador. O PCP é imortal... A caminhada para a sociedade socialista imparável também. Os proletários é que foram banidos da terminologia comunista que insiste em batalhar pelos «direitos dos trabalhadores e do povo». Deixando fugir boca fora, de vez em quando, os «explorados e oprimidos».

João Ferreira e João Oliveira acederam à entrevista da locutora de serviço. Evidentemente, os seus postos na luta não os afastam do Parlamento Europeu e da nossa AR. Para Paulo Raimundo os sindicatos e a agitação na rua. E todos lhe agradecemos a turbação possível (e impossível...) do Governo de Costa com quem, num passado recente, acamaradou no processo revolucionário.

O PCP reafirma-se um partido de classe. As bandeiras vermelhas são como ventoínhas no pavilhão repleto. (Ocorre-me a imagem de uma assembleia geral de boavisteiros caturras, destilando raivinhas ao arquirrival, o poderoso F. C. do Porto.) - Venceremos!, venceremos!

Gozou merecidamente um longo momento de palco, o PCP. Passaram já muitos anos e todos esquecemos os boicotes e a arrogância, a legitimidade revolucionária e a ameaça de uma ditadura do proletariado. Os perigos são agora outros, provêm de outras bandas e mais melifluamente. Eu gostei de assistir à grande «Conferência Nacional», foi uma bela manhã revivalista.



4 comentários

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De Anónimo a 14.11.2022 às 10:07

ler 'será o comunismo solúvel em álcool?'
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De passante a 14.11.2022 às 14:57

Agora fez-me lembrar os relatos que, há um século, o H.L. Mencken fazia das convenções partidárias americanas.
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De Anónimo a 14.11.2022 às 20:20

Um Circo...e um circo cada vez mais "pobrezinho"....
JSP
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De passante a 15.11.2022 às 02:18

O PCP reafirma-se um partido de classe.


A teologia original dos profetas Marx e Engels é que só o proletariado industrial - treinado na disciplina férrea das fábricas - é capaz de formar o exército revolucionário para coiso e tal. Daí o fetiche com a "origem operária".


Se já no século XX houve problemas de matéria prima - os alemães tinham proletariado que não se revoltou, os russos trapacearam sublevando a tropa, e os comunistas chineses fizeram dos campónios tropa - agora é para a desgraça.

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