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"Futuro, ... impulsionar e abrir as portas do Futuro. ...Inspirar ... a um futuro mais feliz, mais próspero e menos burocratizado. ... os jovens, que são o nosso futuro".
Não tem conta o número de vezes que, nesta campanha eleitoral tropecei nesta glorificação dos jovens, por vezes acompanhada por críticas aos velhos que votaram neste ou naquele e que nos trouxeram ao país que somos hoje.
Como leio frequentemente os jornais atrasados, só hoje, quando já tinha intenção de fazer um comentário sobre esta panca de glorificar os jovens (que nos trouxeram 20 deputados do Bloco e sessenta do Chega, poderia dizer eu se quisesse entrar nesta linha de raciocínio), li uma crónica magnífica de Miguel Esteves Cardoso, do dia 14 de Janeiro (para os que me chateiam por comprar e pagar o Público todos os dias, apesar de ser um jornal com uma independência de pensamento que está poucos furos acima de qualquer jornal partidário, esta crónica vale claramente várias semanas de compra do jornal sem utilidade prática nenhuma).
"Como se veste o imperador" é a crónica em que Miguel Esteves Cardoso escreve, muito judiciosamente "Uma das maiores tristezas do nosso tempo é o declínio da crítica. Talvez devêssemos mudar-lhes o nome para especialistas: pessoas que viram muito, que leram muito, que sabem do que falam. O miúdo é herói por ser crítico: atreve-se a divulgar o que vê, sujeitando-se às reacções dos outros. Há aqui um risco. Há uma generosidade. Há um desejo de comunhão".
Comecemos pelo mais básico: a ideia de que é aos jovens que deve caber a definição do futuro porque o futuro é deles, é uma ideia sem pés nem cabeça pela simples razão de que quando os jovens chegarem ao futuro quer dizer que deixaram de ser jovens.
Não há nada de positivo ou negativo nisso, é o que é.
Em sociedades tradicionais, no limite da sobrevivência, a experiência e sabedoria dos velhos era, normalmente, muito considerada (mesmo em sociedades que abandonavam os seus velhos que a comunidade não conseguia sustentar, como acontecia em algumas, faziam-no ritualmente, glorificando a dignidade da vida que estava a chegar ao fim), por uma razão simples: o risco pagava-se em fome e morte, daí que a prudência dos velhos, que já tinham passado por muitas situações de risco, fosse muito mais valorizada que a inovação e ruptura.
Em sociedades de abundância como a nossa, percebe-se que se glorifique o risco e a inovação, quando corre mal (e a maioria das inovações correm mal, é bom não esquecer), paciência, perde-se qualquer coisa, mas nada de essencial, só coisas, riquezas, conforto, raramente se paga com fome e morte.
O que não faz o menor sentido é partir do princípio de que as propostas políticas que conseguem a atenção e interesse dos mais novos são, intrinsecamente, mais viradas para o futuro e, por isso, melhores.
Todas as propostas políticas, incluindo a mais conservadoras, estão viradas para o futuro.
Quando alguém defende qualquer coisa que sempre existiu e que funciona, isso não significa que não esteja a pensar num futuro melhor, significa apenas que não vê vantagem nas mudanças propostas.
Estas eleições são uma boa demonstração de que talvez não tenha sido boa ideia ter mudado da monarquia para a república, digo eu que nem sequer sou monárquico, mas não quero negar o que vejo.
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