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"A publicação em causa nem sequer foi uma coisa original. Vários outros ‘posts’, de figuras públicas ou de anónimos, fizeram o mesmo paralelismo, e com as mesmas imagens, ou muito semelhantes. A intenção, em todos os casos, pareceu-me óbvia: não se tratava de “comparar”, mas de “alertar”. Para aquilo em que podem transformar-se os excessos securitários que vemos aumentar um pouco por todo o mundo. Porque, como escreveu uma leitora (em comentário à minha publicação) “a História é uma infinita repetição de gestos”. E há gestos históricos que não queremos, nem devemos, repetir".
Este parágrafo pretende justificar a utilização de duas fotografias em simultâneo, a que se vê habitualmente da rusga da rua do Benformoso, com as pessoas de mãos encostadas à parede (como bem pergunta hoje Helena Matos, há algum sítio no mundo em que as revistas sejam feitas com as pessoas de mãos nos bolsos?) e uma outra de pessoas também com as mãos encostadas à parede, que se diz ser de Varsóvia nos anos 30.
A crítica das fontes e a discussão sobre se só em ditaduras se fazem rusgas assim (como argumentou recentemente João Miguel Tavares) não é o objecto deste post, queria focar-me num aspecto concreto da justificação que transcrevi e que corresponde a uma mais que grosseira manipulação da história para fundamentar uma opinião política sobre a rusga da rua do Benformoso.
Afirma-se (no que transcrevi e em muitos outros lados) que foram os excessos securitários que nos levaram ao nazismo (podem acrescentar o fascismo, o comunismo e qualquer outro regime totalitário).
Só que, historicamente, é exactamente o inverso, é quando os poderes legítimos, por opção ou incapacidade, não garantem a segurança e a ordem que os modelos totalitários de governo ganham apoio, incluindo os seus característicos excessos securitários.
É muito interessante a referência de Albert Speer, nas suas memórias, ao facto de ter descoberto bastante tarde que a sua mãe tinha aderido ao partido Nazi (como o próprio Albert Speer) sem que ele imaginasse, dada a tradição liberal da família.
Nessa parte das suas memórias, ele vai fazendo referências ao impacto que os comícios e as marchas do partido nazi, na sua fase de ascensão, militarmente organizadas e impecavelmente ordenadas (questão a que ele vai dar seguimento quando desenha os cenários dos grandes comícios posteriores do partido Nazi e quando desenha os planos nazis para as cidades alemãs, incluindo a renovação de Berlim), têm nas pessoas cansadas da balbúrdia em que condições económicas adversas e governos fracos (as duas coisas estão ligadas, naturalmente, sem que eu esteja a dizer que as condições económicas adversas resultavam da existência de governos fracos, estou apenas a referir a simultaneidade das duas coisas, sem estabelecer relações de causa/ efeito, matéria para a qual me falta conhecimento) que predominavam no período imediatamente anterior à ascensão do partido nazi.
Não são os excessos securitários que nos conduzem a regimes totalitários e repressivos, é exactamente o facto de democracias fracas não conseguirem assegurar a lei e a ordem, garantindo a segurança (incluindo a percepção de segurança) das pessoas que as leva a tolerar os excessos securitários, entendidos como meio necessário para assegurar tranquilidade.
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