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A má-fé mudou de máscara

por José Mendonça da Cruz, em 29.04.15

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 Apesar da conta inexcedivelmente alta em que Varoufakis tinha Varoufakis (o da esquerda), tornou-se impossível a Tsipras fingir que estava a negociar de boa fé se mantivesse como negociador principal o homem que toda a Europa considera irresponsável, mal informado e medíocre (além de um pouco pateta). E assim, Tsipras substituiu-o por Euclid Tsakalotos (o da direita), que, como sempre nestas fábulas extremistas, nos foi apresentado como «moderado».

Agora, o primeiro-ministro grego medíocre, iludido e de má-fé, já pode prosseguir o seu esforço para iludir os mais de 70% de gregos que não querem sair do Euro, dizendo-lhes que a saída, por que tanto se tem esforçado, não foi culpa do governo, foi da Europa. Os eleitores que elegeram o Syriza tenderão a compreender as coisas demasiado tarde. Quanto à Europa, ao BCE, à Comissão, ao FMI e à senhora Merkel espera-se que já tenham compreendido tudo. Aguardamos atentamente o desenlace das coisas. Os Podemos e os Costas deste Mundo, que aplaudiram o Syriza e depois meteram a viola no saco, também.



8 comentários

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De João. a 29.04.2015 às 08:20

A ma-fé é a negação [da angústia] da liberdade pela expulsão da responsabilidade da escolha através da [falsa] identificação plena com uma necessidade. É portanto muito mais o discurso do "não há alternativa" da direita que é paradigmático da má-fé. 
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De Joaquim Amado Lopes a 29.04.2015 às 11:53

João,
A "alternativa" de serem outros a pagarem as nossas despesas está sempre presente. O problema é convencê-los a fazê-lo. E, enquanto não os convencemos, o melhor é ir fazendo por baixar as nossas despesas, só para o caso de termos mesmo que as pagar todas.


Assim, quem está de má-fé, os que tentam que sejamos nós a resolver os nossos problemas (e, dessa forma, convencermos os "outros" a dar uma ajuda que será sempre bem vinda) ou quem promete aumentar os nossos problemas contando que os "outros" os resolverão, quando estes já disseram que isso não vai acontecer?
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De João. a 30.04.2015 às 03:01

Eu quando vendo o meu produto no meu negócio não estou a dar uma ajuda ao cliente, estou a vender o meu produto. O credor quando vende crédito também está a vender o sey produto. Talvez um dia você venha a aceitar que a actividade do credor é um negócio e que, portanto, implicou escolhas e riscos. Até agora você não é capaz de aceitar isso. Para você o credor é tomado como um santo a quem devemos culto e sacrifícios. 


E depois a má-fé, o conceito de Sartre, que o seu primeiro ministro muito gostou - ao ponto de ter lido manuscritos privados do filósofo, não é o que você diz. Mas é assim, como o natal aparentemente a má fé, e os conceitos, pode(m) ser o que o homem quiser.


cpts.
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De Joaquim Amado Lopes a 30.04.2015 às 11:06

Assumo a minha incapacidade para dialogar com alguém que parece estar numa discussão diferente, a ignorar o que escrevo e a "responder" a... não sei bem o quê.
Fique bem.
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De João. a 30.04.2015 às 22:45

Eu verifico o que mais importa aqui, a saber, a sua perfeita incapacidade de considerar a compra de dívida um negócio uma vez que os define como "doadores de ajudas" ("convencermos os "outros" a dar uma ajuda" - palavras suas). Que eu saiba, dar ajudas pertence a instituições de caridade e não a negócios de modo que decorre das suas ideias que as instituições financeiras, que vivem dos negócios associados à compra de dívida, são instituições de caridade - um absurdo completo em que você labora e que aparentemente o sr. nem é capaz de identificar. 
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De Joaquim Amado Lopes a 01.05.2015 às 09:08

João,
Eu sei que não está ao alcance de todos (não está ao seu, pelos vistos) mas o que se diz/escreve deve ser entendido no contexto do debate ou discussão.


No contexto desta discussão, qualquer pessoa minimamente inteligente entende facilmente que "convencermos os 'outros' a dar uma ajuda que será sempre bem vinda" não é para ser entendido como "caridade" mas sim como "ambas as partes reconhecem que, devido à situação gerada, o cumprimento total do acordado é improvável e, perante a boa vontade manifestada pelo devedor, o credor - por, ao reduzir o risco de perdas, ser também do seu interesse - aceita ajustes ao acordado de modo a que os esforços do devedor não sejam em vão".
Por outras palavras (porque o João parece precisar que lhe seja explicado como se tivesse 5 anos), o credor considera a possibilidade de, mesmo com os esforços do devedor, a dívida acabar por não poder ser paga e, para reduzir esse risco, aceita períodos de carência (não pagamento de juros) mais longos, taxas de juro mais baixas e prazos de pagamento mais longos. No limite, até perdão parcial de dívida.


No caso de instituições políticas, como a "troika", são também considerados outros factores que não o meramente financeiro e que podem levar a que se aceitem perdas financeiras para minimizar outras perdas consideradas mais graves. Mas tal só faz sentido se o devedor demonstrar vontade de cumprir o que esteja ou venha a ser acordado e não "exija" a alteração dos termos dos acordos para não cumprir os termos anteriores nem os novos.
Nos últimos 3 anos, o Governo português tem demonstrado assumir as responsabilidades financeiras deixadas pelo(s) Governo(s) anterior(es) e conseguiu não apenas renegociar (discretamente, como é suposto) os termos originais como teve tanto sucesso (com muito sofrimento dos portugueses) que já consegue nos mercados condições melhores que as negociadas com a troika.
Em contraponto, o Governo grego tem feito precisamente o contrário. Recusa cumprir as obrigações que o Estado grego assumiu anteriormente, pretende impôr as condições para novos empréstimos e recusa quaisquer condições que possam levar a que esses novos empréstimos possam vir a ser pagos. Neste caso, até as considerações de ordem meramente política acabam por apontar no mesmo sentido que as financeiras: com a postura que o Governo grego tomou, o que já foi emprestado à Grécia não vai ser recuperado e quaisquer outros empréstimos irão pelo mesmo caminho e aceitar continuar a financiar a Grécia a fundo perdido para salvar o Euro irá acabar por destruír o Euro.

A diferença de resultados está à vista, embora o mais provável seja que quem não consegue manter-se no contexto de uma discussão como esta seja igualmente incapaz de ver essa realidade.

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De Vortex a 29.04.2015 às 11:35

receituário para grego aconselhado por um ex-secretário de estado
'ir tomar no ...' 
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De Laranjeira a 29.04.2015 às 12:00

A Europa não fará nada de definitivo. A Grécia vai continuar a ter dinheiro a conta-gotas e ficará excluída dos seus plenos direitos de membro da zona euro enquanto o governo não mudar de atitude, o que só acontecerá com outro governo. A Grécia está para o euro como o Kosovo. Apenas vai às reuniões.

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