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A lição espanhola

por Pedro Picoito, em 10.05.19

Um dos motivos pelos quais continuo a comprar o Público, apesar de todas as irritações, é a qualidade dos seus artigos de opinião. A crónica de Nuno Garoupa na edição de hoje ("A lição espanhola") é um bom exemplo. Garoupa analisa as recentes eleições espanholas e a reconfiguração do sistema partidário, com a passagem de dois grandes partidos a cinco partidos médios, e pergunta-se, como tanta gente, porque é que em Portugal não se está a passar algo semelhante, uma vez que a impopularidade do regime, traduzida na abstenção, é a mesma. E conclui que os partidos tradicionais gozam de "um contexto bem mais favorável em Portugal": acesso privilegiado à comunicação social, legislação que dificulta o aparecimento de novos partidos, maior finaciamento público, maior centralização da vida pública em Lisboa, sociedade envelhecida, ausência de uma crise territorial e um Estado central muito mais influente.

Concordo com tudo. De resto, não acredito em qualquer demonstração da nossa excepcionalidade que invoque os famigerados "brandos costumes" e a longa noite do fascismo. Só há quatro aspectos que se poderiam acrescentar, um referido de passagem, os outros ignorados. O primeiro é a corrupção. Garoupa diz que não é assim tão diferente nos dois países, mas por cá, apesar de Sócrates e dos Quarenta Ladrões, não sofremos um assalto generalizado ao dinheiro dos contribuintes como em Espanha, sobretudo por parte do PP (que está a pagar agora com língua de palmo: não basta invocar a unidade da pátria e o papão da extrema-esquerda para convencer o eleitorado conservador - também dá jeito ter mínimos éticos). O segundo é o clima de antifranquismo artificial criado pela "Lei da Memória Histórica", que só serviu para polarizar uma sociedade nunca esquecida da Guerra Civil, despertar o revanchismo da direita e catapultar o Vox. O terceiro é o próprio surgimento do Vox, que, em sentido contrário, mobilizou o eleitorado de esquerda em torno do PSOE contra a ameaça da extrema-direita. E o quarto, talvez o mais importante, é que não há em Portugal qualquer problema de imigração, e muito menos de imigração muçulmana, ao contrário do que se passa em toda a Europa (e esta, parece-me, constitui mesmo a principal razão da nossa excepcionalidade).

Mas, enfim, isto sou eu a falar com Vossas Mercês. Leiam o Garoupa, que vale a pena.

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17 comentários

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De Anónimo a 10.05.2019 às 14:18




1. Os moderados, os tradicionais partidos, ou o centrão... ... roubou. Roubou, sem que a sociedade civil os crucifique, aniquile, os faça desaparecer.
2. As loas politicas fizeram de um país imediatamente rico, notoriamente pobre a prazo. 
3.A insensatez de quem nos governa é NOSSA responsabilidade, elege-se para dar responsabilidade. E, por regra, ninguém quer saber mais ou menos da política, e vota mais ou menos bem, e no costume, ora laranja, ora rosa, e tudo o mesmo...pim...pim. 
Há algum partido que tem em concreto uma ideia de REFORMA do ESTADO (a não ser o PCP (espelho da nossa cultura política...demora a desaparecer)? Cacafonia.
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De Luís Lavoura a 10.05.2019 às 14:43

não há em Portugal qualquer problema de imigração, e muito menos de imigração muçulmana, ao contrário do que se passa em toda a Europa

(1) Em Portugal há bastantes imigrantes muçulmanos. Pelo menos em Lisboa e na região do Porto. E nem assim se observa qualquer movimento de rejeição.

(2) Na Espanha não deve haver muitos mais imigrantes muçulmanos do que em Portugal.

(3) Não há imigração muçulmana por toda a Europa. Aliás, alguns países onde os muçulmanos despertam forte rejeição, são países nos quais praticamente não há imigração muçulmana (exemplo: Hungria). E vice-versa, há países com forte imigração muçulmana que não têm grandes problemas com os muçulmanos (exemplo: Suíça).
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De Pedro Picoito a 10.05.2019 às 16:56

Em Espanha, há muito mais imigrantes muçulmanos do que em Portugal, por exemplo na Andaluzia (onde estão muito presentes no trabalho agrícola sazonal) ou na Catalunha. Tanto assim que a Espanha também teve os seus bombistas suicidas, como se recordará.
Há imigração muçulmana na Europa e é um problema. Pense em Inglaterra, na França, na Alemanha ou em Itália. A sua correlação é um pouco lírica.
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De Luís Lavoura a 10.05.2019 às 17:33

Há imigração muçulmana na Europa e é um problema.

Não tenho quaisquer dúvidas relativamente a isso. O que questiono é se o poblema é levantado pelos imigrantes muçulmanos, que supostamente terão desejos incomportáveis, se pelos recetores europeus, que se terão tornado demasiadamente sensíveis.

Em particular, recordo que já há imigrantes muçulmanos na França e na Alemanha há dezenas de anos (50 ou mais). Se há mais problemas agora do que no passado, a que se deve isso? A os imigrantes se terem tornado piores, ou a os europeus se terem tornado piores?
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De Anónimo a 11.05.2019 às 11:28

O assunto está estudado. Os problemas estão relacionados quer com os imigrantes de segunda geração, que não estão totalmente integrados nem na cultura dos pais nem na cultura do país em que nasceram, quer com a chegada em grandes quantidades de novos imigrantes que se torna difícil integrar. Não é difícil perceber porquê.
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De Pedro Picoito a 11.05.2019 às 11:41

O comentário anterior é meu.
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De Luís Lavoura a 10.05.2019 às 15:11

não acredito em qualquer demonstração da nossa excepcionalidade que invoque os famigerados "brandos costumes"

Pois a mim parece-me natural aceitar que os povos são diferentes, que levantam ou deixam de levantar problemas diferentes.

Assim como me parece natural aceitar que um imigrante paquistanês levanta mais problemas do que um imigrante nepalês, também me parece natural aceitar que o povo português levanta menos problemas do que o povo espanhol.

É contraditório acreditar que certos imigrantes são, a priori, mais problemaáticos que outros, mas não acreditar que certos povos recetores são, a priori, menos problemáticos que outros.
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De Pedro Picoito a 10.05.2019 às 16:57

Onde é que leu que certos imigrantes são a priori mais problemáticos do que outros?
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De Luís Lavoura a 10.05.2019 às 17:02

Se você fala especificamente de problemas levantados por imigrantes muçulmanos, está já a dizer que esses imigrantes são de alguma forma mais problemáticos que os outros imigrantes...
Se você classifica os imigrantes como "muçulmanos", está a fazer uma classificação a-priorística deles. Está a colocar todos os imigrantes muçulmanos (os quais são pessoas muito diversas!) no mesmo saco, e a colocar nesse saco um rótulo a-priorístico: "problemático".
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De Pedro Picoito a 11.05.2019 às 11:38

Como seria problemática a chegada em grande quantidade de imigrantes de uma cultura muito diferente, fossem muçulmanos ou polinésios. isto é bastante óbvio e nada tem de apriorístico em relação aos muçulmanos ou aos polinésios. Compreendo que queira exibir os seus bons sentimentos na matéria, mas convinha ler o que eu escrevi e não o que lha dava jeito que eu tivesse escrito.
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De Luís Lavoura a 10.05.2019 às 15:19

De resto, os imigrantes muçulmanos não são todos iguais, conforme me ensinou um antigo colega meu, romeno, não-muçulmano, que conviveu e viveu imenso com muçulmanos de diversas origens, em Portugal.
Disse-me ele que os muçulmanos se dividem em 3 tipos.:
(1) Aqueles que proveem de países onde o Islão é minoritário (por exemplo: Índia). Esses aí adaptam-se perfeitamente ao nosso modo de vida laico.
(2) Aqueles que proveem de países onde o Islão é maioritário mas não é religião de Estado (por exemplo: Bangladesh, Guiné). Esses também são razoavelmente tolerantes e compreensivos do modo de vida laico.
(3) Aqueles que proveem de países onde o Islão é maioritário e é religião de Estado (exemplo: Paquistão, Marrocos). Esses é que tendem a ser problemáticos, porque não entendem mesmo como é que o seu modo de vida não é protegido por lei.

Não convem meter tudo no mesmo saco, tanto no Islão, como na Europa. Os europeus não são todos iguais. Os muçulmanos também não.
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De Pedro Picoito a 10.05.2019 às 16:58

Concordo, mas qual é a relação disso com o que escrevi?
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De marina a 10.05.2019 às 18:13




"ESTADO AUTONÓMICO Y SISTEMA DE PARTIDOS: UNA APROXIMACIÓN ELECTORAL "
Por FRANCESC PALLARES




En esta línea de razonamiento, podríamos decir que el Estado autonómico significa, entre otras cosas:
— la existencia de instancias que posibiliten la expresión de un pluralismo territorial en el sistema de partidos y en el sistema político, y — una ampliación del «mercado» de recursos políticos, tanto para los ciudadanos como para los partidos y élites políticas.


Francesc Pallares    "ESTADO AUTONÓMICO Y SISTEMA DE PARTIDOS: UNA APROXIMACIÓN ELECTORAL
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De Anónimo a 10.05.2019 às 22:26

Nuno Garoupa diz que os portugueses não se revoltam, que são pequenas minorias e, entre outros exemplos menciona monarquia. Será que que Garoupa não sabe que a monarquia portuguesa de 1910 era constitucional?
Garoupa defende golpaças contra situações constitucionais?
Aprecio, geralmente, os artigos de Nuno Garoupa, mas  parece-me  - e não foi a 1ª vez - que ler ou reler umas histórias de Portugal lhe seria bastante útil. 
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De Anónimo a 11.05.2019 às 11:23

Desculpe, estamos a falar do mesmo artigo?
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De Pedro Picoito a 11.05.2019 às 11:38

O comentário anterior é meu.
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De pvnam a 18.05.2019 às 18:11

O PROBLEMA DO POLITICAMENTE CORRECTO NÃO É A JUSTIÇA SOCIAL NEM A SITUAÇÃO AMBIENTAL... MAS SIM O FACTO DE SEREM NAZIS:
- o politicamente correcto não se limita a ser globalista: ele não suporta a existência de outros [a existência de povos autóctones a sobreviver pacatamente no planeta]; ora, chamando o boi pelos nomes: o politicamente correcto é NAZI!
.
.
.
PNR's e afins não seja parvos: não há tempo a perder com a elite neo-esclavagista, urge o SEPARATISMO-50-50!
.
Ao mesmo tempo que reivindica para si regalias acima da média (trata-se de pessoal que está num patamar acima da mão-de-obra servil), a elite neo-esclavagista quer ter ao seu dispor mão-de-obra servil ao desbarato.
.
Mais:
-» Na América do Sul (por exemplo) foram chacinadas Identidades Autóctones para lhes roubarem os territórios... e agora estão a vender milhões de hectares a multinacionais [a elite neo-esclavagista fala nestes holocaustos? Népia!];
-» Em pleno século XXI tribos da Amazónia têm estado a ser massacradas por madeireiros, garimpeiros, fazendeiros com o intuito de lhes roubarem as terras... muitas das quais para serem vendidas posteriormente a multinacionais [a elite neo-esclavagista fala nestes holocaustos? Népia!].
.
{uma nota: pululam por aí muitos investidores da mesma laia dos construtores de caravelas: reclamam que os seus investimentos precisam de muita mão-de-obra servil para poderem ser rentabilizados}
.
Mais:
-» A elite neo-esclavagista em conluio com a alta finança (lucram milhares de milhões em especulação financeira) e em conluio com migrantes que se consideram seres superiores no caos... não falam na introdução da Taxa-Tobin como forma de ajudar os mais pobres... querem é que a ajuda aos mais pobres seja feita através da degradação das condições de trabalho da mão-de-obra servil.
.
.
.
-» Por um planeta aonde povos autóctones possam viver e prosperar ao seu ritmo;
-» E por uma sociedade que premeie quem se esforce mais (socialismo, não obrigado)... mas que, todavia, no entanto... seja uma sociedade que respeite os Direitos da mão-de-obra servil;
---» Todos Diferentes, Todos Iguais... isto é: todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta --»» INCLUSIVE as de rendimento demográfico mais baixo, INCLUSIVE as economicamente menos rentáveis.
.
.
Nota 1: Os 'globalization-lovers', UE-lovers. smartphone-lovers (i.e., os indiferentes para com as questões políticas), etc, que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
-»»» blog http://separatismo--50--50.blogspot.com/.
.
Nota 2: Os Separatistas-50-50 não são fundamentalistas: leia-se, para os separatistas-50-50 devem ser considerados nativos todas as pessoas que valorizam mais a sua condição 'nativo', do que a sua condição 'globalization-lover'.
.
Nota 3: É preciso dizer NÃO à democracia-nazi! Isto é, ou seja, é preciso dizer não àqueles... que pretendem democraticamente determinar o Direito (ou não) à Sobrevivência de outros!!!
.
Nota 4: Urge dizer à elite deste sistema o mesmo que foi dito aos antigos esclavagistas: a não existência de mão-de-obra servil ao desbarato não vai ser o fim da economia... VÃO CONTINUAR A EXISTIR MUITAS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO (nomeadamente introduzindo mais tecnologia)!

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