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"A liberdade está a passar por aqui"

por henrique pereira dos santos, em 03.12.22

Não poderia deixar de notar o editorial de hoje do Público, assinado por Manuel Carvalho: o Público e Manuel Carvalho descobriram agora que os partidos de esquerda se estão nas tintas para as pessoas concretas, quando discutem o ensino estatal e privado, ao ponto de votarem contra o tratamento igual dos alunos pobres, independentemente de estarem no ensino estatal ou não estatal (que inclui o ensino cooperativo, como bem nota Manuel Carvalho), preferindo subsidiar a compra dos livros escolares às famílias ricas que tem os filhos no ensino estatal, a subsidiar as famílias pobres e remediadas que têm os filhos no ensino privado (sabe-se lá por que razões e, às vezes, com que esforço).

É uma grande conquista conseguir-se que um jornal como o Público, e um jornalista como Manuel Carvalho, tenham finalmente perdido o medo de ser mal vistos "pelas pessoas que contam" e digam, preto no branco, o que Manuel Carvalho sintetizou no título do editorial: "Para travar o ensino privado, até a injustiça serve".

Claro que era melhor que tivessem descoberto isso antes, a propósito da vergonhosa actuação do Governo e de Alexandra Leitão na questão dos contratos de associação, que inclui ocultação e manipulação dos dados relevantes para a decisão, mas mais vale tarde que nunca.

Um dia a discussão sobre as questões de saúde também irá criar alguma erosão no bloco de opinião, fortemente ancorado nas redacções dos jornais, para quem a divisão Estado/ privados, na prestação de serviços sociais, é mais relevante que a discussão da vida concreta de pessoas concretas, em especial das mais frágeis e desamparadas.

Um exemplo, aliás recente e com origem numa notícia do Público, que teve continuidade numa discussão no Facebook, serve para ilustrar a ideia, prendendo-se com o facto de haver uma muito maior prevalência de cesarianas nas maternidades privadas que nas estatais.

De forma mais ou menos explícita, essa diferença é apresentada como sendo uma demonstração da maior qualidade da prestação de serviços de saúde pelas maternidades estatais, já que a percentagem de cesarianas num país é um dos indicadores de qualidade dos cuidados de saúde materno-infantis (quanto menor a percentagem de cesarianas, melhores os cuidados de saúde materno-infantis).

Logo, se as maternidades estatais fazem menos cesarianas, são melhores e os privados só fazem mais para ganhar mais dinheiro.

Esta última conclusão tem muito que se lhe diga, porque há um conjunto restrito de países que se aproximam da percentagem que se considera medicamente justificável, entre 10% e 15% (Israel e os países nórdicos que andam entre os 14 e os 20%) mas Portugal, e outros países como a Alemanha, tem maus resultados neste indicador, à volta do dobro do recomendável, sendo a média da OCDE perto dos 30%, acabando nos mais de 50% da Turquia.

O exemplo português parece apontar para uma ideia relativamente simples: quem pode escolher, escolhe mais vezes fazer cesarianas programadas, quem não pode escolher, faz menos cesarianas programadas, sendo certo que a responsabilidade da escolha é sempre da mulher, e não do médico (com certeza existe assimetria de informação entre a mulher e o médico, e com certeza a opinião do médico é determinante nos casos em que a mulher assim o permite, não existem, tanto quanto sei, cesarianas forçadas contra a vontade da mãe, excepto em eventuais casos de emergência médica que serão uma percentagem relativamente pequena de situações).

Claro que o Estado pode determinar que não paga cesarianas sem prescrição do médico nesse sentido, mas para além da questão da eficácia de uma medida dessas (na verdade apenas favorecia o negócio dos médicos que passariam prescrições a pedido), isso teria um efeito concreto: quem poderia pagar (incluindo seguros que não adoptassem essa restrição) teria possibilidade de escolha, quem não poderia pagar alienaria a sua liberdade de escolha a favor do médico.

Há muitas questões, incluindo éticas, relacionadas com estes procedimentos médicos que dependem mais da vontade das pessoas que de uma estrita necessidade médica, procedimentos que não se restringem às cesarianas, claro, basta pensar na cirurgia plástica.

O que me interessa realçar é que não faz sentido que o foco seja posto no suposto negócio da medicina e nas motivações económicas associadas, em vez de ser posto onde deve ser posto: nas pessoas concretas que tomam decisões, incluindo em matéria tão controversas como recorrer a uma cesariana ou não, com base em muitos factores, alguns nem sequer racionalizados, que incluem muita coisa para além do que diz respeito à medicina, são decisões que dizem respeito a opções de vida de cada um.

Se se considera que é bom que as cesarianas não ultrapassem os 15% dos partos, uma hipótese é dizer que os sistemas de saúde que fazem mais que esses 15% são piores que os que andam por esse valor, pondo a tónica nas razões pelas quais os sistemas de saúde fazem mais cesarianas que as "necessárias".

Outra hipótese é perceber que, em grande medida, isso corresponde a decisões concretas, de mulheres concretas, com vidas concretas, e que o foco do Estado, para se aproximar dos tais 15% ideais, deve estar na compreensão das razões pelas quais há muitas mulheres que optam por fazer cesarianas em vez de ter partos normais quando, aparentemente, seria melhor para elas evitar um procedimento médico muito invasivo, trabalhando com elas para que tomem as decisões que entenderem, mas tão conscientes quanto possível do que isso significa para o seu futuro.

O que, manifestamente, não faz sentido é usar o facto de haver mais cesarianas no privado como mais um argumento para atacar os operadores privados de saúde, como se as mulheres fossem maioritariamente manipuladas pelos médicos a que recorrem e não tivessem capacidade de decisão autónoma.

Um dia ainda haverá um editorial do Público a lembrar que é inaceitável que se menorize a capacidade das mulheres tomarem decisões sobre a sua vida só para atacar a medicina privada.

É pena que esse dia não seja amanhã.



32 comentários

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De entulho a 03.12.2022 às 09:49

o principal negócio é o do estado socialista que dá lucro porque não presta ...serviços em condições aceitáveis
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De Carlos Sousa a 03.12.2022 às 10:56

Realmente a gestão privada é uma maravilha, viu-se quando acabaram as parcerias público privadas dos colégios e muitos foram à falência. Vê-se nos empresários negreiros do Alentejo. Vê-se na gestão da banca. 
Vale tudo, interessa é o lucro, quais serviços sociais quais carapuça. 
Na saúde? Com os "especialistas" todos a receber dinheiro das farmacêuticas?
Pois... eu também acredito no Pai Natal.
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De entulho a 03.12.2022 às 21:46

o estado socialista proporciona o paraíso para os dirigentes
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De Anónimo a 03.12.2022 às 22:38

Já estava cheio de saudades das suas tiradas.
Então quer dizer que o ensino público dá lucro, é isso?
E na saúde, que eu saiba, recebem todos, até porque quase todos estão dos dois lados, já se tinha percebido que V. é uma pessoa que só vai a um dos lados.
Se fôsse aos dois via-os de um lado e do outro, assim resta saber a qual vai , é capaz de só ír ao privado e vir para aqui dizer coisas fofinhas, conheço vários.
O que é isso dos serviços sociais?
Aquilo que todos pagamos, mesmo os que não os usam (o que aliàs é justo) e funcionam maravilhosamente?
A única coisa certa que escreveu é a de que ainda acredita no Pai Natal, isso já todos tínhamos percebido.
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De Manuel da Rocha a 03.12.2022 às 11:30

Se os pais podem pagar 10000 euros para irem passar o natal e fim de ano a países "quentes", pagando 6000 a 20000 euros para os filhos estudarem em colégios privados, não são os 250 euros dos livros que fazem diferença. Gastam 1000 vezes mais que isso nos carros e em enviar os filhos em viagens de finalistas, todos os anos, que os colégios privados organizam. 
Acerca das maternidades, um seguro de saúde que inclua a possibilidade de cesariana pode custar 500 euros, a mais, anualmente e uma mulher só pode usar essa opção 1 vez a cada 10 anos. Seguindo as promoções do PSD-IL-Chega (cada mulher ser obrigada a ter, no mínimo dos mínimos, 3 descendentes antes de completar 40 anos de idade), surge um problema: a mulher só pode usar o seguro de saúde, para a cesariana, se tiver filhos entre os 18-20, 28-30 e 39-40. Fora disso, terá de pagar 10000 a 50000 euros para a fazer nos hospitais privados (com o resto das coisas, umas cobertas pelo seguro outras não). É isso que você defende... 
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De entulho a 03.12.2022 às 21:47

mais um rabejador da cauda da Europa.
quanto te pagam pelo serviço
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De Anónimo a 03.12.2022 às 23:15


Que o Manuel da Rocha é pouco dado à verdade já todos sabíamos.
Que nos toma todos por parvos, também sabíamos.
Mas que podia fazer um esforço e nunca faz já custa um bocado a aceitar. 
Portanto fica a saber que  para as cesarianas comparticipadas pela ADSE foi assim este ano:


https://www.jornaldenegocios.pt/economia/funcao-publica/detalhe/grupo-cuf-anuncia-que-vai-manter-partos-pela-adse-a-partir-de-janeiro

 
Portanto quer V. dizer que a ADSE conseguiu que só custassem menos de um terço do valor mínimo que V. aponta, óbviamente então com um prejuízo maluco para a CUF.
Como os outros seguros de saúde andam ali pelos mesmos valores, como é óbvio, isto quer dizer que técnicamente falando, a CUF deve estar a ír à falência só por causa das cesarianas (então as de 50 mil nem imagino).


Já agora pode pôr aí onde descobriu essa das cesarians de 10 em 10 anos?


As promoções  de uns sendo as despromoções de outros, você (ou os seus filhos e netos, se os tiver ou  vier a ter) não vão ter reforma.

Porreiro, pá!
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De balio a 03.12.2022 às 17:16


as famílias pobres e remediadas que têm os filhos no ensino privado


Custa-me muito a conceber que haja em Portugal alguma família remediada, já nem digo pobre, que tenha um filho no ensino privado. Não deve haver mesmo nenhuma. Dificilmente uma família remediada terá 400 euros mensais para pagar a propina de uma escola privada.
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De Anonimo a 04.12.2022 às 14:45

Mas têm. Paga o Estado.
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De henrique pereira dos santos a 05.12.2022 às 06:36

O facto de te custar a conceber uma coisa não altera o facto de ela existir.
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De balio a 03.12.2022 às 17:24


a responsabilidade da escolha é sempre da mulher, e não do médico


Isto não é, ou pelo menos não deveria ser, sempre assim.


Um médico tem, parece-me a mim, obrigação, ou pelo menos direito, de se recusar a colaborar num procedimento que vai contra os melhores interesses da saúde do paciente, da sociedade em geral, ou de outros.


Por exemplo, se uma pessoa vai ao médico e lhe pede que lhe receite um antibiótico, o médico tem o direito e, de facto, a obrigação de a mandar dar uma volta, se vir que o mal da pessoa em questão não é suscetível de ser tratado por antibiótico.


Da mesma forma, um obstetra tem o direito e, de facto, até a obrigação de se recusar a fazer uma cesariana a uma mulher que lha pede por razões não estritamente de saúde. Tendo em conta os malefícios que a cesariana consabidamente acarreta para a saúde do nascituro.


Portanto, parece-me a mim que sim, o obstetra também tem alguma responsabilidade na escolha.
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De balio a 03.12.2022 às 17:29


não faz sentido que o foco seja posto no suposto negócio da medicina e nas motivações económicas associadas, em vez de ser posto onde deve ser posto: nas pessoas concretas que tomam decisões



Eu a mim parece-me que faz todo o sentido.


Da mesma forma que na corrupção há corrupção ativa (aquele que paga dinheiro para corromper) e corrupção passiva (aquele que recebe dinheiro para ser corrompido), e ambas são crime, assim também, numa cesariana que não é por motivos médicos, há quem a pede (a mulher) e quem aceita fazê-la (o obstetra), e ambos têm a sua quota de culpa. Não se deve colocar todo o ónus da culpa sobre a mulher, desculpabilizando totalmente o obstetra.
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De jo a 03.12.2022 às 22:53

Se não têm dinheiro para pagar os livros os pais podem sempre matricular os filhos no ensino público, está aberto a todos. A seguir vão exigir que o Estado pague os ordenados dos professores dos colégios, já que paga os do ensino público.
A decisão de fazer a cesariana pertence à mulher, mas a orientação do médico conta, e muito. Se o médico não mostrar contraindicações e apoiar a mulher na decisão de fazer a cesariana temos uma coisa, se proceder de maneira diferente temos outra, não é indiferente.
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De Anónimo a 04.12.2022 às 13:11

Não é uma questão de dinheiro para os livros nem nunca foi.
O Estado acaba de dar 125€ a pessoas com até 2700€ de rendimento mensal, o que não os adianta a ponta de um chifre e desvia dinheiro de outros mais carenciados.
A desconversa nestes temas sempre foi um mau hábito "ideológico" seu que parecia ter melhorado.
Estas últimas recaídas são preocupantes.


Na segunda parte do texto parece que ainda há esperanças.
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De Anónimo a 04.12.2022 às 23:21

Se não é o dinheiro para os livros, o que é?
Os livros oferecidos são diferentes dos comprados pelos pais?
E porquê ficar pelos livros?
O Estado podia pagar os professores, os restantes trabalhadores das escolas e as instalações dos colégios. Não faz isso no ensino público? Aos colégios ficava só a despesa das atividades extracurriculares e de emitir as faturas.
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De Anónimo a 05.12.2022 às 12:53

Respondo sempre, mesmo que com atraso.
Como não sei desconversar, aconselho-o a ler melhor o que eu escrevi a seguir à 1ª frase e desejo-lhe a saúde (física e mental) possível.


"Os livros oferecidos são diferentes dos comprados pelos pais?" é um argumento digno dos meus netos quando tinham 6 anos, agora já passaram todos os 18 anos.
O seu último parágrafo é "ideológico-básico" e nem se apercebeu do ridículo.


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De Anónimo a 05.12.2022 às 19:40

Continua a não se explicar muito bem. 
Acha que é um direito inalienável ter os livros pagos pelo Estado?
Os alunos nos colégios privados não foram impedidos de frequentar escolas em que os livros são fornecidos pela escola, basta a escola que eles frequentem querer.
Se considerarmos que os livros pertencem à escola e são só emprestados aos alunos não se compreende que as escolas emprestem livros a alunos que as não frequentem.
É ideológico básico dizer que as despesas em livros suportadas pelas escolas públicas são para os alunos das escolas públicas, já não é ideológico dizer que o Estado deve subsidiar alunos de escolas privadas.
É o sonho molhado dos liberais tugas: um mundo em que os privados prestam os serviços e os contribuintes pagam. Assim o pagamento está garantido.
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De henrique pereira dos santos a 05.12.2022 às 20:35

Todo o ensino é financiado com o dinheiro dos contribuintes ou dos utilizadores.
Ninguém financia escolas.
O Estado tem obrigação de financiar igualmente todos os alunos, simples, ou, se preferir, financiar apenas aqueles cujas famílias não conseguem pagar o investimento em educação.
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De Anónimo a 06.12.2022 às 10:00

O Estado tem obrigação de financiar todos os alunos, por isso o ensino público é universal, não se pode recusar ninguém porque o pai é muito pobre ou muito rico. Os alunos que não estão no ensino público estão lá por opção.
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De henrique pereira dos santos a 06.12.2022 às 11:06

Esqueceu-se de acabar o comentário: por opção legítima.
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De Anónimo a 08.12.2022 às 18:03

Ninguém diz que é ilegítima. O que se diz é que a opção exclui receber livros do Estado, e quem matricula os filhos nessas escolas sabe disso.
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De Anónimo a 06.12.2022 às 13:40

"Acha que é um direito inalienável ter os livros pagos pelo Estado?"



Nunca respondo a pessoas que me põem a dizer as coisas que lhes convinha que eu tivesse dito para assim justificarem irem por aí fora com a conversa que lhes convém.
Passe bem. 
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De Anónimo a 06.12.2022 às 22:54

Não reponde porque não tem resposta. Não consigo compreender porque é que o ensino público tem de pagar meios do ensino privado.
Já agora os livros não são dados  aos alunos, são emprestados para serem  devolvidos e reutilizados nos anos seguintes. Quem faz a gestão, recolhendo os livros quando já não são precisos e emprestando-os a outros alunos é a escola, logo pensar que os livros são dos alunos é falso. Os livros são um recurso da escola que é utilizado pelos alunos, tal como o professor ou o mobiliário. 
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De Anónimo a 07.12.2022 às 13:58

Tenho as respostas que me apetece ter mas V. está de má fé e continua a desconversar.
Que porra é essa de um "liberal tuga"?
Um liberal tuga que andou no público, teve os filhos no público, teve os netos no público e considera que pagar os impostos razoáveis que paga é de elementar justiça pois é para ajudar outros menos abonados que eles servem?
Eu chamei-lhe alguma coisa?
Onde é que eu escrevi essas coisas todas que V. me continua a "atribuír"?
Onde é que está escrito por mim que os livros são dos alunos?
Porque é que haviam de ser dos alunos no privado?
Claro que é ideológico dizer que o Estado deve subsidiar alunos de escolas privadas.

Mas não é ideológico dizer que o Estado deve apoiar escolas privadas que cubram deficiências do próprio Estado, assim como apoia uma maluquice de actividades privadas a que não consegue "chegar".


Se é para desconversar aqui vai: até hotéis de estrelas da TV...


https://www.cmjornal.pt/famosos/detalhe/estado-perde-fortuna-com-hotel-de-joao-baiao?ref=HP_PrimeirosDestaques





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De Anónimo a 08.12.2022 às 19:08

Desculpe, não pretendia estar na discussão de má fé. 
Tanto que fui reler o que escreveu a seguir à segunda frase e compreendi que não se referia aos projetos de lei que foram chumbados no parlamento. É que esses não se referiam a alunos carenciados no privado, referiam-se a alunos do privado simplesmente, o que faz uma certa diferença.
Um "liberal tuga" não existe, foi uma invenção minha. É uma provocação. Considero um liberal alguém que pensa que o Estado deve ter uma intervenção tão pequena quanto posível na vida pública e na economia, cabendo-lhe sobertudo o papel de regulador. Essas pessoas pensam que a iniciativa privada, ao ter de otimizar custos para ter lucro, gere melhor que o Estado e que não devem ser os contribuintes em geral a pagar certos serviços, como a educação e a saúde, mas sim quem se utiliza deles (o que não excluí formas de seguros privados, evidentemente).
O liberal tuga, que se dá muito em Portugal, concorda com os liberais mas pensa que os serviços devem ser prestados por particulares, que gerem melhor ao buscarem o lucro, e pagos pelos contribuintes para eliminar os riscos.
PS: Fico muito satisfeito por saber que andou no ensino público e que os seus filhos também lá andaram, mas pode dizer-me em que é que isso contribui para a discussão? Ou é só desconversa?
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De Anónimo a 10.12.2022 às 00:09

Esqueceu-se dos netos.
E claro que é só desconversa.
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De balio a 04.12.2022 às 10:35


as famílias pobres e remediadas que têm os filhos no ensino privado


Uma família que se pode dar ao luxo de pagar uma propina de 300 euros a uma escola privada dificilmente pode ser "remediada", muito menos "pobre".
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De henrique pereira dos santos a 05.12.2022 às 06:39

Estás a partir do princípio, errado, de que todos os que estão no ensino privado pagam essa propina.
E estás a partir do princípio, errado, de que mesmo que paguem essa propina, o Estado não os deve tratar da mesma maneira que trata todos os outros alunos, pelo facto de a poderem pagar.
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De balio a 09.12.2022 às 10:16


estás a partir do princípio, errado, de que mesmo que paguem essa propina, o Estado não os deve tratar da mesma maneira que trata todos os outros alunos



Não me parece um princípio errado.


O Estado deve ajudar aqueles que necessitam de ser ajudados. Não aqueles que não necessitam.


O Estado não tem nada que apoiar financeiramente todas as pessoas por igual. Não tem nada que fornecer serviços de borla a toda a gente por igual.


Note-se que isto que escrevi é uma posição que costuma ser assumida pela direita política. A esquerda política é que diz o contrário - que o Estado deve fornecer serviços gratuitamente a toda a gente de forma igual.
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De henrique pereira dos santos a 09.12.2022 às 11:01

Estás a gozar comigo, não é?
A propósito de uma decisão de trata de forma desigual os alunos em função do tipo de escola que frequentam, independentemente da sua situação económica e social, tu argumentas que faz sentido porque o Estado não tem nada que apoiar as pessoas igualmente, só que precisam.

Vou partir do princípio de que estás simplesmente a gozar porque te conheço o suficiente para saber que não é por falta de inteligência que argumentas assim
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De balio a 04.12.2022 às 10:41


a responsabilidade da escolha é sempre da mulher, e não do médico


Não. Não se pode isentar o médico de responsabilidade na escolha. Porque o médico tem deveres profissionais a cumprir. O médico não pode estar sempre às ordens do seu paciente. Por exemplo, se o paciente tem uma doença viral e solicita ao médico que lhe receite um antibiótico, o médico tem o dever de recusar.


Tem que se entender que uma cesariana não é a mesma coisa que uma operação plástica. Esta última apenas afeta a saúde do paciente que a sofre. A cesariana, pelo contrário, prejudica fortemente a saúde do nascituro. A mulher que deseja fazer uma cesariana está, de facto, a prejudicar o seu filho. O médico tem o direito e o dever de recusar fazê-la. Se não recusar, estará a violar os seus deveres deontológicos.

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