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A invisibilidade do outro

por henrique pereira dos santos, em 04.08.22

Praia cheia, um casal com aspecto perfeitamente normal resolve passear dois belos pastores alemães sem os levar pela trela.

Passam entre mim e cinco dos meus netos e comento que me parece óbvio que as crianças estão assustadas.

O senhor responde-me perguntando se acho óbvio, encolhe os ombros e prossegue sem o menor gesto para controlar os cães (aliás, educadíssimos e bem treinados).

Pergunto-lhe se não vê o resultado do que está a fazer e as crianças em pânico.

Responde-me que nem ele nem os cães fizeram mal a ninguém.

Insisto que isso é irrelevante, as crianças estão assustadas e os cães andam à solta, aproximando-se, mansamente, é certo, o que faz com que fiquem mais assustadas e, por vezes, a chorar de medo.

O resto da história não interessa, o que me faz confusão é a atitude que penso que tem, na base, uma opinião clara dos senhores: as crianças terem medo de cães é um erro de educação e o que é preciso fazer é ensinar as crianças a não ter medo de cães, não é respeitar o medo dos outros e evitar levar cães para o meio de uma praia onde há gente de toda a maneira e feitio, incluindo os que não gostam de cães, os que têm medo de cães e os que consideram os cães como membros da família.

Algures no tempo, talvez tenhamos perdido a noção de que a base da educação é o respeito pelos outros, tal como eles são.

Ou eu, simplesmente, estou desfasado deste mundo: não consigo perceber como se considera normal que o que eu penso sobre o mundo é mais relevante que a minha obrigação de respeitar as diferenças do outro em relação a mim.



18 comentários

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De Maria a 04.08.2022 às 23:03

Em países civilizados, sim civilizados os cães têm espaços próprios nas praias ou têm épocas em que podem andar na praia e épocas em que não podem andar na praia, e independente do treino, muitas vezes têm de ir pela trela, mas isso em países civilizados, não Portugal que está “sempre um passo à frente”, nem que seja na imbecilidade!
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De balio a 05.08.2022 às 11:41


Em Portugal os cães têm épocas em que podem andar na praia e épocas em que não podem andar na praia: na época balnear são proibidos cães nas praias, mas fora dessa época as praias não são vigiadas e muitas pessoas levam os seus cães para lá.
Quero dizer, em geral os cães são sempre proibidos nas praias, mas em praias não vigiadas ou fora da época balnear não há ninguém para pôr em prática a proibição.
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De G.Elias a 05.08.2022 às 16:39

Os cães só são proibidos nas praias concessionadas. Nas praias não concessionadas não há qualquer lei que proiba as pessoas de levarem o seu cão, no entanto qualquer que seja a época do ano o cão tem de ir sempre pela trela. Não pode haver cães à solta na via pública (e isto inclui as praias).
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De Hugo a 04.08.2022 às 23:48

É interessante constatar, que do grupo que o Henrique encontrou, apenas os dois cães não eram umas bestas.
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De Cecília a 05.08.2022 às 13:14

Meu caro, cada vez mais constato que, há muitos e muitos cães a passear bestas. 
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De L.I a 05.08.2022 às 00:56

Concordando que o comportamento dos donos desses cães é,  no mínimo, arrogante, a mesma argumentação não pode ser usada para o medo que algumas pessoas têm em partilhar espaços fechados com pessoas sem máscara, por causa do Covid?
Eu não tenho informação que me leve a achar que as máscaras são relevantes para a protecção das pessoas contra o Covid. Os donos dos cães acreditam que os animais não são um risco para ninguém. Eu não uso máscara nos transportes (eu sei que é proibido) e acho que o cidadão que vai ao meu lado não tem nada a ver com isso. Os donos dos cães passeiam-nos sem trela *sabem que é proibido) e acham que i cidadão que está ao lado deles não tem nada a ver com isso. Há diferença substancial nos dois cenários? Para simplificar, podemos imaginar que não há crianças envolvidas mas há adultos com medo de cães.
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De balio a 07.08.2022 às 22:20

Há uma diferença crucial entre o medo dos cães e o medo do sars-cov-2. Toda a gente sabe que os cães podem ser perigosos. Toda a gente já teve experiência, ou sabe de experiências, de ataques por cães. Os dentes dos cães são bem visíveis. Pelo contrário, o sars-cov-2 é uma coisa de cuja perigosidade muita gente duvida. Ao contrário dos cães, que são evidentemente e consabidamente perigosos, não é de forma nenhuma evidente, nem que o sars-cov-2 exista, nem que ele seja perigoso.
Quando uma pessoa nos exige que coloquemos uma máscara para que não a possamos contaminar com sars-cov-2, é legítimo responder-lhe que "está a sonhar com ladrões".
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De Luís Serpa a 05.08.2022 às 06:42

Não me parece correcto impor às crianças uma vida isenta de susto. As pessoas - qualquer que seja a idade (com a possivel excepção dos mais velhos) devem saber conviver com o medo.


(Isto dito, levar cães para uma praia cheia é uma palermice sem fim. Atrelados ou não.)
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De balio a 05.08.2022 às 11:49


levar cães para uma praia cheia é uma palermice sem fim


A praia não tem que estar cheia para ser uma palermice.


Há que ver que os cães são animais irracionais, que não têm a noção do decoro. Eles invadem o espaço das pessoas para as farejar, para tentar brincar com elas, e ocasionalmente para urinar nas coisas que as pessoas têm pousadas na areia. E fazem isso mesmo que só haja na praia uma ou duas pessoas a quem fazer isso.


Por isso cães na praia ou em qualquer espaço público devem andar sempre com trela e açaime. A não ser que o espaço público esteja, comprovadamente, totalmente sem pessoas.
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De G.Elias a 05.08.2022 às 16:41

O espaço público, pelo facto de estar sem pessoas, não deixa de ser espaço público e por isso o facto de não haver pessoas não dispensa a obrigação de levar o cão com trela.
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De Cecília a 05.08.2022 às 13:12

Vivo muito perto de praias: do outono à primavera, tenho quase uma praia privada de tão selvagem e pura que é, com acesso por passadiços. uma paz. ninguém se lembra dela.
no verão vou para concessionada. porquê? cães. Na concessionada não há aborrecimentos. Na outra, vai tudo com os cães. Cheguei a pedir desculpa (em modo ironia claro está) por levar crianças para a praia (3 filhas pequenas) em vez de ter adotado um filho cão! 


E a estas pessoas que levam cães para a praia eu pergunto (e nunca me sabem responder) porque nunca vejo eu um cão abandonado dirigir-se por sua livre e espontânea vontade para um areal?...
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De G.Elias a 05.08.2022 às 16:42

Por acaso já vi cães "errantes" a passear na praia sem serem acompanhados do respectivo dono, o que não significa que não tivessem dono
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De Anonimo a 05.08.2022 às 13:50

Quando finalmente os multitrans conseguirem igualdade, ficam a faltar exclusivamente os perros. Quem não os aceitar no café, restaurante, ou a cheirar os nossos pés na praia, é perrofóbicoe tem que ser cancelado.
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De Anónimo a 05.08.2022 às 13:51

Nas praias não concessionadas os cães têm de andar pela trela. Sem trela, só com açaime. Nas praias e em todos os espaços públicos. O que realmente se lamenta é a Polícia Marítima olhar para o lado quando vê ilegalidades praticadas com os donos dos cães. Por vezes penso que têm ordens para não ver. Ou então estão em auto-gestão.
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De G.Elias a 05.08.2022 às 16:43

Independentemente da atitude do dono dos ditos cães, e independentemente de os cães serem mais ou menos mansos, é bom lembrar que qualquer que seja a época do ano o cão tem de ir sempre pela trela. Não pode haver cães à solta na via pública (e isto inclui as praias).
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De maria a 05.08.2022 às 17:54

Qualquer pessoa que leva cão a passear é arrogante e burrifa-se e empolga-se para qq chamada de atenção.
Se ladram até chatiar dizem, é a voz dele.
 As mais valias é conspurcar e cheirar a Urina e defecam em qualquer lugar, escadas, elevadores, etc.
Há pouco passei por um trilho  no meio de um jardim , à esquerda e á direita montes de m.rda. Nem pensam em crianças.
Há 5 anos passei por uma zona de armazéns e de repente um cão avança sobre mim. O dono gritava; não faz mal!
Fui atirado para um carro e sofri lesões no tornozelo  direito. Andei 6 meses
 com problemas e pensei que não me curava.
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De Anónimo a 06.08.2022 às 16:28

Ha 2 frases feitas que são proferidas por donos de cães, uma é a que indicou e a outra é o "Não se preocupe que não morde". À primeira costumo responder que ele pode não fazer mal mas eu faço. Normalmente, é suficiente para pegarem no cão. Para a 2a frase, por regra, respondo de que se trata de um cão extraordinário e pergunto que raça é, pois até à data nunca conheci um que não mordesse. 


Gostaria de saber o que dizem os manuais da aula de Cidadania sobre isto. 
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De Anónimo a 09.08.2022 às 22:13

"Os cães não fazem mal" já foi a última coisa que ouvi, uma vez, antes de ser mordido. 

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