Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A inversão do ónus

por henrique pereira dos santos, em 07.03.25

O Partido Socialista entende que ao abrigo do art.º 13, nº3, alínea b, sub-alínea i) da lei 52/ 2019, de 31 de Julho, se justificam uma série de perguntas sobre a sociedade na qual Montenegro tem interesses por via da sua mulher, nomeadamente, lista de clientes, afectação de colaboradores, e mais umas quantas coisas do mesmo tipo.

Passo a citar as normas em questão.

"1 - Os titulares de cargos políticos e equiparados e os titulares de altos cargos públicos referidos nos artigos 2.º e 3.º, bem como os referidos no artigo 4.º apresentam por via eletrónica junto da entidade legalmente competente a definir nos termos do artigo 20.º, no prazo de 60 dias contado a partir da data de início do exercício das respetivas funções, declaração dos seus rendimentos, património, interesses, incompatibilidades e impedimentos, adiante designada por declaração única, de acordo com o modelo constante do anexo da presente lei, que dela faz parte integrante. ... 3 - A declaração referida também deve incluir os atos e atividades suscetíveis de gerar incompatibilidades e impedimentos, designadamente: ... b) A inscrição de interesses financeiros relevantes, que compreende a identificação dos atos que geram, direta ou indiretamente, pagamentos, designadamente: i) Pessoas coletivas públicas e privadas a quem foram prestados os serviços;"

O PS resolveu fazer uma interpretação maximalista (ou melhor, uma interpretação oscilante, que distingue empresas a sério de empresas de familiares de consultoria) destas normas, interpretação essa que significa que qualquer empresa de qualquer de político teria a sua lista de clientes devassada (por exemplo, uma ministra casada com um cabeleireiro em comunhão de adquiridos teria de expor a lista de clientes do cabeleireiro por se entender que qualquer pagamento de serviços ao cabeleireiro é um pagamento indirecto à ministra) a pedido de qualquer pessoa, com o objectivo de qualquer pessoa poder avaliar se há conflitos de interesse potenciais.

Na verdade, isto constitui uma inversão do ónus da prova, passa a partir-se do princípio de que as pessoas não cumprem a lei, e por isso se exige este nível de escrutínio, em vez de se partir do princípio de que quem acusa tem de indiciar o incumprimento da lei que justifica a investigação das entidades competentes.

Que o PS faça isto, nada contra, discute-se nas eleições, mas tenho pena desta degradação do PS pelo que implica de fragilização institucional, substituindo a discussão política pela investigação policial.


6 comentários

Sem imagem de perfil

De cela.e.sela a 07.03.2025 às 15:50

um antigo prof. nunca se pode defender de ser conhecido  por '' anus da prova ''
Sem imagem de perfil

De Anonimo a 07.03.2025 às 18:34

que distingue empresas a sério de empresas de familiares de consultoria


Qual  diferença (não perdebi se era o ps que diferenciava)?
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 08.03.2025 às 07:11

Tem de perguntar a Pedro Nuno Santos, ele é que invocou essa diferença entre as empresas a sério, como aquela de que é herdeiro presuntivo, e a de Montenegro, no debate da moção de censura do PC.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 07.03.2025 às 18:47

Foram os politicos que colocaram a inversão do ónus da prova em várias leis. 
Sem imagem de perfil

De Filipe Costa a 07.03.2025 às 18:47

Disse tudo. Eu apoio um partido, nada mais, isto porque "qualquer empresa de qualquer político teria a sua lista de clientes devassada (por exemplo, uma ministra casada com um cabeleireiro em comunhão de adquiridos teria de expor a lista de clientes do cabeleireiro por se entender que qualquer pagamento de serviços ao cabeleireiro é um pagamento indirecto à ministra) a pedido de qualquer pessoa, com o objectivo de qualquer pessoa poder avaliar se há conflitos de interesse potenciais."

Era o que me faltava andarem a querer saber a cor das minhas peugas.
Sem imagem de perfil

De anónimo a 08.03.2025 às 01:50

Entretanto não é de imaginar Passos Coelho tornar a aceitar a bancada do outro.

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com



Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Espero que a usem com força e eficácia.

  • Anónimo

    A Polónia tem muito mais razão de queixa dos Alemã...

  • Anónimo

    Em cheio. É isso precisamente e dito com exemplar ...

  • Anónimo

    Pode ter a certeza que defraudar quem votou é a úl...

  • Anónimo

    Muito bom.Esta gente toda esquece-se (ou nem seque...


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2025
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2024
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2023
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2022
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2021
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2020
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2019
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2018
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2017
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2016
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2015
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2014
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2013
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2012
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2011
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2010
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2009
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D
    222. 2008
    223. J
    224. F
    225. M
    226. A
    227. M
    228. J
    229. J
    230. A
    231. S
    232. O
    233. N
    234. D
    235. 2007
    236. J
    237. F
    238. M
    239. A
    240. M
    241. J
    242. J
    243. A
    244. S
    245. O
    246. N
    247. D
    248. 2006
    249. J
    250. F
    251. M
    252. A
    253. M
    254. J
    255. J
    256. A
    257. S
    258. O
    259. N
    260. D