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Há mais de dois anos (5 de Fevereiro de 2023), assinalei uma crónica de Ana Sá Lopes no Publico.
O que a crónica tinha de notável é que Ana Sá Lopes, a partir da sua experiência directa como utilizadora de um hospital, reconhecia que se tinha enganado, ao contrário das suas convicções de toda a vida, afinal o Estado não era intrinsecamente melhor que os privados a gerir hospitais e era manifesta a degradação da qualidade do serviço prestado desde que tinha deixado de ser uma parceria publico privada.
O debate sobre políticas de saúde, nos jornais, sofre do mesmo problema: um monte de jornalistas que acreditam que a saúde não é um negócio (claro que é, e ainda bem, tal como a alimentação, uma coisa ainda mais básica que a saúde, em que existem grandiosas experiências de nacionalização da produção e abastecimento alimentar durante o século XX, sempre, sempre com o mesmo resultado: escassez e fome) e que passam o tempo todo, não à procura de saber como funcionam os sistemas de saúde para os mais pobres, mas à procura de situações em que achem possível responsabilizar o ministro de turno (acontece com todos os ministros, mais ferozmente com os ministros que o PC resolve contestar usando as estruturas sindicais e umas fantasmagóricas comissões de utentes que ninguém sabe onde, como e com quem funcionam, menos ferozmente com os ministros que o PC resolve poupar, por razões táticas, mas acontece com todos).
Por muitas e variadas razões, algumas de fundo como o envelhecimento da população e o aumento do custo dos cuidados de saúde, outras conjunturais como o peso das corporações no sistema, Portugal tem problemas muito complicados para resolver no sector da saúde (não está sozinho nisso, com variações, é um problema transversal a todas as democracias ocidentais).
E claro que os ministros são os responsáveis pela gestão do sistema, sendo certo que quando se perde uma guerra, a responsabilidade é dos generais, nunca dos soldados.
Mas nenhum exército do mundo se entretém a substituir os seus generais a meio de uma guerra por cada problema concreto que ocorre, e por boas razões.
A ideia de andar sempre a responsabilizar os ministros por tudo o que acontece (ideia em que, infelizmente, a Iniciativa Liberal cedeu ao populismo, alinhando nessa parvoíce) inquina e impede a discussão racional do que corre bem e corre mal, inviabilizando a incorporação das lições aprendidas a cada problema que é preciso gerir.
Que as oposições políticas façam isso, é da natureza das coisas e as opções de cada um são avaliadas nas eleições seguintes.
Que a imprensa se demita da sua responsabilidade de descrever a realidade em toda a sua complexidade, deixando aos leitores os juízos de valor sobre o que se passa, isso sim, é um problema sério que concorre para que as nossas políticas de saúde sejam tão irracionais, tão irracionais, que até o que correu bem, como as parcerias publico privadas, acabem destruídas por ideias erradas a que a imprensa dá livre curso, sem a capacidade crítica que deveria ter.
É difícil ser ministro da saúde em Portugal.
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