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A Igualdade é um valor que precisa de ser revisitado!

por Jose Miguel Roque Martins, em 07.03.21

A igualdade de oportunidades, de tratamento perante a lei e a justiça, são valores sólidos e inquestionáveis. Mas, mesmo nestas circunstâncias, a igualdade  não é necessariamente virtuosa. Lembre-mo-nos de regimes em que as leis são eminentemente injustas ou que a liberdade está ausente das escolhas individuais: todos serem obrigados à escravidão e a comportamentos indesejáveis não fere o principio da igualdade, mas são sinónimo de injustiça profunda. A igualdade, para ser um valor positivo, tem que vir acompanhada de outros valores.

Uma população ser colectivamente obrigada a, igualmente, praticar ou sofrer o mal, a incinerar seres humanos, ou a auto-infligir-se sofrimento e violência psíquica ou física, não parece uma grande conquista.

A imposição de igualdade pode também ser uma violência em sim mesmo. Basta não considerar outras circunstâncias que inevitavelmente ocorrem e diferenciam as situações.

Na actual pandemia, quando são os mais velhos que mais sofrem, será razoável impor uma igualdade de acesso à vacina? Parece óbvio que não. E embora politicamente assumida, este caminho não parece ser  aplicado como deveria. Ao contrario, foi também em nome da igualdade, que se isentou os grupos mais vulneráveis a consequências mortais, de medidas de prevenção mais duras do que a população em geral. O que, na minha modesta opinião, deveria ter sido feito, sem prejuízo da sua liberdade individual. Permitindo concentrar meios na protecção dos que assim o quisessem e precisassem. O que também não aconteceu, enquanto se travou a vida de todo, por igual, independentemente das suas diferentes circunstâncias.

 

Quando alguém trabalha mais, é mais produtivo e capaz, deverá ser-lhe imposto a mesma remuneração de que todos os outros? Só se quisermos tratar de forma igual o que é diferente. Condenando a própria sociedade a um nivelamento na mediocridade.

 

Quando alguém é portador de deficiência, não será justo que a sociedade considere um tratamento especial a esse cidadão? Porque objectivamente não tem condições para garantir o seu sustento? O que é diferente de discriminações positivas a supostas injustiças baseadas na cor da pelo, no sexo, no peso, na beleza pessoal  ou na pertença a um grupo que tem as suas próprias regras sociais. O combate à descriminação não será o caminho, ao invés de  impor mais descriminações e menos igualdade?

Vivemos num mundo em que o conceito de igualdade é usado como arma de arremesso para justificar o justo ou o seu contrário.

Isto tudo, para responder a um dos comentadores habituais do Corta Fitas, o Sr. Carlos Sousa.

Enfatizei a falta de igualdade de tratamento entre os trabalhadores da Tap e, agora os da Groundforce relativamente a dezenas ou centenas de milhar de trabalhadores, que ao contrario destes, vão mesmo perder o seu trabalho. Não porque considere que compete ao Estado salvar todas as empresas, pelo contrario, acho uma ideia impossível e com consequências negativas, mas porque me parece injusto que alguns, sem circunstâncias objectivamente diferentes, sejam tratados de forma diferente.

A ideia de que, como não vamos salvar todos salvamos alguns, é profundamente injusta, já que esses meios que eventualmente existem, podem ser canalizados para todos, mitigando o sofrimento de todos e não os concentrando apenas nalguns afortunados.

A igualdade é um valor que precisa ser revisitado!



4 comentários

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De Carlos Sousa a 07.03.2021 às 15:19

Se utilizarmos analogias para definir conceitos, convém que essas analogias não contenham nenhuma carga ideológica.

Quando se especificam alguns trabalhadores como exemplo negativo para ilustrar uma teoria, mais não estamos a fazer do que a mascarar o objectivo que pretendemos atingir.

Talvez o facto de estarmos sentados no alto da nossa cátedra nos impeça de ver o que os trabalhadores da TAP já contribuíram para esta pandemia. Lay-off simplificado com inicio em Março de 2020 com menos 1/3 do vencimento, após o lay-off houve o apoio à retoma com 77% do vencimento, depois, dois meses normais para aplicação do regime sucedâneo, e agora regime de lay-off normal com menos 1/4 do vencimento.

É certo que houve pessoas que perderam o seu sustento, mas também é certo que houve pessoas que não perderam um cêntimo. Até há quem diga que são os burgueses do tele-trabalho.

Mas quando temos a responsabilidade de escrever num blogue,  e pretendemos que a nossa mensagem seja séria convém que o conteúdo tenha alguma credibilidade, e não misturar alhos com bugalhos, fica mal.

E insisto nas perguntas que fiz, o que é que tem a ver a nacionalização da TAP com o problema da Groundforce? E qual é a companhia aérea da Europa que está melhor que a TAP?

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De Anónimo a 07.03.2021 às 15:39

Quanto á ligação da TAP á groundforce, parece clara: se não houvesse ligação porque também irão ser salvos ao contrario dos outros todos? 
Quanto á pergunta de quem está melhor do que a TAP, não há aparentemente nenhuma melhor. O que não inive que se questione porque são os contribuintes a pagar mais de 300.000 euros para salvar um posto de trabalho! E aqui é a grande diferença em termos de igualdade: que outra empresa é apoiada em 300.000 euros por posto de trabalho? 


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De Carlos Sousa a 07.03.2021 às 16:14


Continuo a não perceber o nexo casualidade do facto da TAP ser nacionalizada com o problema da Groundforce.
Se a TAP fosse privada não havia o problema da Groundforce? Ou se a TAP fosse privada o contribuinte ficava melhor?
Isto faz-me lembrar a privatização do Novo Banco, por acaso correu tudo bem, o contribuinte não pagou um cêntimo.
Deixemos a ideologia, porque há bons gestores tanto no público como no privado tem de haver é seriedade, coisa que infelizmente não abunda.
A TAP antes da pandemia não estava mal, o contribuinte não metia um tostão, veio a pandemia, e a TAP é a única companhia europeia que não recebe ajudas pelos danos sofridos por essa mesma pandemia.
É evidente que isto obedece tudo a um plano, ideológico claro, interessa denegrir, desvalorizar, para depois vender a um privado por uma tuta e meia, e esse privado é a Lufthansa, não é à toa que o próximo gestor é alemão.
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De Anónimo a 07.03.2021 às 20:01

"Quando alguém trabalha mais, é mais produtivo e capaz, deverá ser-lhe imposto a mesma remuneração de que todos os outros? Só se quisermos tratar de forma igual o que é diferente. Condenando a própria sociedade a um nivelamento na mediocridade."
Falando num exemplo: Os nossos gestores bancários e os gestores da PT por ex. foram claramente improdutivos. Poucos trabalhadores destruíram tanto valor nas suas empresas como eles. Foi o seu salário ligado à sua produtividade? É que se foi, deveriam ter ganho um milionésimo do que ganha o trabalhador que lhes limpa as retretes. Não foi isso que aconteceu.


Mas o trabalhador que lhes limpa as retretes foi condenado a pagar o prejuízo que eles fizeram.

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