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A história como arma de arremesso

por João Távora, em 14.06.24

Carmo Afonso, a advogada que, nos últimos anos, tem protagonizado alguns dos mais rasteiros momentos do comentariado nacional — como, por exemplo, este seu rol de boatos e insinuações sobre a vida privada de Sebastião Bugalho —, brindou-nos neste 10 de Junho, Dia de Portugal, com um apelo a que se alterem os programas do ensino da nossa História.

Incomodada com o orgulho que os portugueses têm no seu passado, acha que isso tem de ser revisto a começar logo nos bancos da escola. Efectivamente, Carmo Afonso considera que a História que nos foi e continua a ser ensinada é uma “visão benigna” de um passado que, ao contrário da famosa canção dos Da Vinci, “tem mais de subjugação, escravidão e sangue do que de cultura e ternura”. (...) 

(...) A História que ensinamos às nossas crianças e adolescentes está cheia de omissões. É inevitável que assim seja porque o tempo lectivo é limitado e há que escolher muito criteriosamente o que cabe dentro desse tempo e dentro da aprendizagem (ou da memória) dos alunos. O problema das omissões é, aliás, comum a todo o estudo de História, mesmo para adultos e mesmo para historiadores. A História é uma narrativa e não é possível, ainda que se quisesse, narrar tudo o que aconteceu em cada segundo, sob todos os pontos de vista e em todos os cantos da terra. A História é, portanto, um saber muito incompleto, e, repito, cheio de omissões, e isso é ainda mais evidente e inescapável ao nível do ensino básico e secundário. Querem um exemplo? Quando eu dava aulas no secundário, nos já longínquos anos 70 e 80 do século passado, a história de Alexandre Magno não fazia parte do programa nem constava dos manuais pelos quais os alunos estudavam. Os políticos que então governavam a área da educação tinham decidido omitir esse acontecimento central da História da humanidade e das relações euro-asiáticas, e posto em seu lugar e de outros acontecimentos omitidos, dando-lhes grande destaque, abstrações e conceitos marxistas como “luta de classes”, “modo de produção”, etc. (...) 

João Pedro Marques a ler na integra aqui


11 comentários

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De balio a 14.06.2024 às 10:41


Excelente artigo. Saliento a frase:


A História que ensinamos às nossas crianças e adolescentes está cheia de omissões. É inevitável que assim seja porque o tempo lectivo é limitado



(Negrito meu.) Muitas vezes os adultos esquecem-se disto: o tempo letivo é limitado e a capacidade das cabeças das crianças, também. O saber ocupa lugar.
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De Jorge a 14.06.2024 às 10:50

A insistência da extrema-esquerda nestes temas tb tem uma vantagem. Milhares de jovens só conheciam a escravatura do sec 18/19 do tráfico transatlântico para a América.  Estudando o tema e lendo os diversos artigos que se vão publicando, hoje já têm uma ideia mais abrangente. Não foram os brancos europeus que iniciaram a escravatura mas foram estes mesmos que puseram fim à escravatura no sec 19. 







 
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De Anónimo a 14.06.2024 às 11:00

Ah! A azougada  palma cavalinho do nosso (des)contentamento.


Juromenha
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De Elvimonte a 14.06.2024 às 16:37

A História é escrita pelos vencedores. O que constitui factos pode ser muito diferente daquilo que resulta "the conscious and intelligent manipulation of the habits and opinions" (Edward Bernays).


Para que o embuste se consume, por vezes nem é preciso mentir, basta omitir. Infelizmente, fruto do tribalismo ideológico, raramente se encontra pessoas capazes de identificarem mentiras e omissões nas percepções da realidade provenientes da sua própria trincheira, atribuindo-as sempre à trincheira oposta.
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De Anónimo a 14.06.2024 às 23:48

a única omissão  que nos interessa é que o mexilhão sempre se lixa. os homens , no geral , são incapazes de ler a história , ofuscados por contos de glória e conquistas , é que isso , para nós , povinho, não interessou um chavo. estamos como no egipto , a construir pirâmides que não sevem para nada , apenas para ostentar e servir a vaidade de uns quantos. antes eram físicas , hoje são incorpóreas , as corporações.
os estados nação resultaram apenas de ambições de poder de uns tipos , a unidade politico territorial  humana é a tribo , hoje município.
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De lucklucky a 15.06.2024 às 21:12

A história não é escrita pelos vencedores, é por quem a escreve e tem os jornalistas do seu lado.
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De Anonimus a 16.06.2024 às 10:28

Nem o Cassete Carvalhas diria melhor.
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De lucklucky a 15.06.2024 às 15:23

Palavras que faltam: Marxismo, Extrema Esquerda.
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De Anonimus a 16.06.2024 às 10:34

A História também é uma interpretação dos factos. As conquistas de Alexandre deverão ter visão diferente sejam contadas por gregos ou persas.
E claro, existe uma romantizaçao da mesma, algumas vezes misturada com o que os gringos chamam de wishfull thinking. A História que aprendemos no liceu tinha os portugas a ir de barco aqui e ali e levar tudo à frente à base de coragem e meia dúzia de canhões. Percebe-se que há mais complexidade que isso, e acho bem que a História ensinada seja menos simplificada. 
Também se deve acabar com os bons e maus, só que aqui diverge a doutrina, por mais que neguem, a nova geração de intelectos quer manter este padrão, apenas invertido. Continua a haver bons e maus, opressores e oprimidos, colonizadores e colonizados, mudando os papéis. 
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De Anónimo a 16.06.2024 às 11:53

A " história" é o que Hollywood ( versão Disney...) disser  ( para a "clientela ocidental" , bem entendido )...


Juromenha
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De Anónimo a 17.06.2024 às 13:43

Arturo Pérez Reverte sobre o mesmo tema : "Estais jodido, Antonio" , El Bar de Zenda, El Confidencial, 17 Jun 2024.
zendalibros.com/cia/el-bar-de-zenda-perez-reverte/


Juromenha

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