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A hipótese do frio

por henrique pereira dos santos, em 26.01.21

Há uns posts atrás escrevi que me parecia absurdo esquecer a importância da anomalia meteorológica que começou a 24 de Dezembro e terá terminado entre 13 e 19 na explicação da evolução da epidemia.

Inicialmente a hipótese que formulei (que palavra pretensiosa, mas é a que encontro agora para o que quero) partia do princípio de que haveria uma relação quase imediata entre frio e mortalidade, para além de presumir, erradamente, que o episódio de frio tinha terminado no dia 13, provavelmente influenciado por ser nesse dia que acabava a análise do IPMA.

A vantagem de dizer asneiras publicamente é que há sempre umas almas caridosas que nos dizem que não é assim e nos mandam informação relevante.

Foi por isso que reformulei a hipótese, tendo em atenção o desfasamento de 4 a 7 dias que a literatura dizia que se verificava entre o frio extremo e o seu reflexo nos dados da mortalidade, para além de deixar de partir do princípio de que a anomalia das temperaturas mínimas tinha terminado a 13 de Janeiro (o que é mais ou menos verdade para a raia a Norte do Tejo, mas não tanto para o litoral).

Se esta hipótese estivesse tão certa como admiti, por estes dias, 25, 26 de Janeiro, a mortalidade global estaria em queda livre.

Não é, de maneira nenhuma, o que se verifica há de facto uma relativa paragem do crescimento da mortalidade global por volta do dia 15 de Janeiro (com um máximo a 20 de Janeiro) e uma descida lenta que parece estar a acontecer (os dados de hoje ainda são demasiado frágeis, mas sugerem que talvez os números da mortalidade global desçam ligeiramente em relação a ontem). Ao mesmo tempo a mortalidade covid continua a subir e vai aumentando o peso na mortalidade global.

Apesar deste gráfico ter erros e imprecisões, fi-lo só para me ajudar a pensar, dá uma ideia do que estou a dizer (já com os dados de mortalidade covid de hoje).

Sem Título.jpg

Ou seja, a minha hipótese em relação à mortalidade global não parece ter uma base muito convincente, mas o arrastamento da mortalidade covid permite pensar que talvez não esteja totalmente errada e a subida excepcional verificada combine mortalidade covid e frio, a primeira a descer mais tarde, a segunda descendo mais cedo.

Amanhã avalio a hipótese de que as previsões sobre a evolução da epidemia não seguiria as previsões da equipa de Manuel Carmo Gomes, tal como apresentadas pelo Público na sua primeira página do dia 13 de Janeiro, quando tiver os dados da DGS de amanhã, 27, que era quando acabavam essas previsões.



5 comentários

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De Carlos Sousa a 26.01.2021 às 17:23

Não seria de equacionar também a primeira toma da vacina?
Parece que quem toma a primeira dose acusa positivo. Não digo que aumente o número de mortes, mas aumenta de certeza o número de infectados.
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De balio a 26.01.2021 às 17:45


Eu não estou especialmente interessado em que a mortalidade diminua. Desde que quem morre sejam velhinhos que estavam em lares sem fazer nada, ou então em casa a viver da sua pensão, não fazem cá muita falta (a não ser, naturalmente, para os seus familiares e amigos) e não lamento a sua partida. A morte faz parte - é de facto uma parte imprescindível - da vida.
O que estou é interessado em que desçam as infeções por sars-cov-2, para ver se o governo deixa de nos morigerar a vida com restrições. E suspeito bem que estejamos já, de facto, no princípio da descida, tal como eu esperaria uma semana após o fim do frio e da seca.
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De Anónimo a 26.01.2021 às 18:07

não gostam que se diga porque e como se chegou aqui sem precisar de confinamentos totais.
de inicio deviam ter fechado fronteiras e fazer confinamentos parciais para evitar dispersão



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De Antonio Maria Lamas a 26.01.2021 às 18:35

Por dever de ofício ( floricultura) sigo os dados meteorológicos diariamente em diversos sites.
Um que gosto particularmente é o da AEMET, ate pela proximidade geográfica e do sei rigor.
Ainda ontem li e ouvi que este Janeiro é o que teve e vai ter mais anomalias de temperatura. Acima, muito abaixo, normal, e para esta semana muito acima, quase primaveril.
Só mesmo por ignorância ou corporativismo bacoco se pode negar a evidência entre temperatura e doenças respiratórias.
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De Anónimo a 26.01.2021 às 23:42

Pois eu continuo a dizer que é do frio.
E da gripe e de todas as maleitas tratadas e por tratar pelos covidianos.
Cumpts.

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