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A Grécia e o almejado fim da austeridade

por Vasco Mina, em 07.12.15

Parlamento grego aprova orçamento de austeridade.

No princípio era a luta contra a austeridade e o fim da troika. Era o tempo de virar a página da economia grega, de acabar com a miséria da população e de iniciar um novo diálogo com as instituições. Menos de um ano depois tudo acaba com o regresso à austeridade. A diferença é que agora é de esquerda e por isso é como no Carnaval: ninguém leva a mal. O silêncio de António Costa e de Catarina Martins sobre estas medidas gregas são o melhor sinal da forma como as nossas esquerdas leem os acontecimentos na Grécia e daqui a um ano cá estaremos para assistir (se lá chegarem) ao final de austeridade com o Orçamento para 2017.



11 comentários

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De Slade a 07.12.2015 às 12:16

Já que se sente vingado pelo que, presumo, chame de falhanço grego, ao menos espero que não tenha escrito o que escreveu com satisfação!
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De Fernando S a 08.12.2015 às 11:37

Pois eu escrevo aqui com uma dupla satisfação que aqueles que eram criticos da austeridade estão agora a aplicar a austeridade !...
Satisfação por serem desmascardos na demagogia e no oportunismo.
Mas também satisfação por estarem a fazer, embora tarde e menos bem, aquilo que é mesmo preciso fazer.
Mas a satisfação seria ainda maior se na proxima oportunidade, tão cedo quanto possivel, os eleitores gregos tirarem as lições e as consequencias do enorme embuste que foi o Syriza e voltarem a por no governo aqueles que, melhor ou pior, foram criticados e afastados por causa da ... austeridade !...
Ah, ja me esquecia ... Como sou de "direita", evidentemente que adoro a austeridade e tenho uma enorme satisfação em ver as pessoas, sobretudo as mais pobres e vulneraveis, com privações e em sofrimento.
Viva a austeridade !!
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De slade a 09.12.2015 às 08:59


Ao meu caro, se bem vejo, não lhe faltam satisfações. Conto cinco, com a possibilidade de uma sexta.
Já eu na minha santa e oblíqua inocência julgava que ninguém sentia satisfação com o mal dos outros, quando são praticamente irmãos... Como tal, olho em volta e tenho muito poucas satisfações. Na verdade, quase nenhuma.
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De Fernando S a 09.12.2015 às 11:43

Caro slade ,

A sua "santa e oblíqua inocência" é que ve estranhas satisfações em pessoas que obviamente não as teem e não ve à sua volta muitas das razões para qualquer pessoa ter algumas reais satisfações.

Obviamente que ninguém tem qualquer satisfação pela austeridade, mesmo que seja a favor e de direita. Obviamente que a minha ultima satisfação era irónica (surpreende-me que não tenha percebido !...). Como diz, somos todos "praticamente irmãos" pelo que ninguém deseja o mal de ninguém sem ter razões pessoais concretas para tal. Uma coisa muito diferente é pensar que a austeridade ao nivel do pais é uma inevitabilidade e uma necessidade durante algum tempo no sentido de corrigir o que está mal e criar condições duradouras para que se possa estar melhor no futuro. Na vida real há muitas vezes sacrificios imediatos que é preciso fazer para se poderem ter satisfações futuras. As pessoas que, como eu, defenderam a austeridade em Portugal fizeram-no apenas porque, com ou sem razão, consideraram ser do interesse bem compreendido dos portugueses e não por qualquer sadismo perverso.

As minhas outras 4 ou 5 satisfações são reais mas dizem apenas respeito aos falhanços politicos daqueles que andaram a criticar e a prometer o fim da austeridade se estivessem no governo e, uma vez no governo, estão a impor ... austeridade ! Esta gente fez e faz mal ao seu pais e aos seus concidadãos. Não tanto pelo facto de estarem agora a dar o dito por não dito e estarem a aplicar austeridade (ainda bem que o fazem, mais vale tarde e mal do que nunca, para mim é uma satisfação !...) mas antes porque criaram falsas ilusões e, deste modo, fizeram com que se perdesse tempo e se desperdiçassem recursos em prejuizo dos seus concidadãos. Por isto é que ficarei ainda mais satisfeito quando os eleitores perceberem e tirarem as consequencias politicas do logro em que cairam. Porque o melhor para o pais é que o governo não esteja nas mãos de gente tão irresponsavel e oportunista.

O meu caro slade diz não ver nenhum motivo de satisfação olhando à sua volta. Ve mal !... Porque, em boa medida graças à politica de austeridade que foi levada a cabo pelo governo anterior, o pais esta hoje numa situação muito mais favoravel do que estava : com as contas publicas mais equilibradas, com a economia a crescer, com o desemprego a baixar. Tudo isto é bom para os portugueses. Deveria ser motivo de satisfação para quem, mesmo tendo estado à partida contra o que foi feito, se preocupa efectivamente com o futuro e o bem estar nosso e dos outros. 

Pela parte que me cabe, olhando neste momento à minha volta, eu tenho, entre outras, uma preocupação e uma insatisfação pelo rumo que o nosso pais está a tomar com o programa e a actuação do novo governo em Portugal. Ainda mal assumiram a governação e já estão a degradar a credibilidade do pais dentro e fora de portas. Se levarem completamente a cabo o programa que se propõem, do fim da austeridade e da reversão do ajustamento feito anteriormente, a situação financeira e economica no nosso pais vai degradar-se séria e rapidamente e os portugueses em geral vão pagar e sofrer com isso. Esperemos que, tal como Holland em França e o Syriza na Grécia, façam o menos possivel aquilo que prometeram e que acabem por voltar a aplicar o nivel de austeridade que for ainda necessario para o nosso pais. Desejo que falhem o respectivo programa politico porque desejo que tenham o maior sucesso possivel na gestão da nossa economia. Para o bem da maioria de todos nos !

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De slade a 10.12.2015 às 10:11

No fundo, é a forma de olhar; nunca conseguirei ver melhoria na pobreza; nunca conseguirei deixar de ver que a credibilidade foi conseguida pela intervenção do BCE e não por políticas que, em rigor, nos deixam no ponto em que estávamos, mas com melhores juros; e, acima de tudo, nunca conseguirei ver de tal forma que uns são sempre bons e outros são sempre maus... Lá está, é uma questão de tipologia do olhar.
Um esclarecimento, a ironia tem um preço lógico, e o meu caro não a pode chamar a si se não está disposto a pagar esse preço. Se quer ser irónico, então não pode (i.e., poder até pode, perde é o rigor lógico) ter um discurso em que tudo o resto é ressentido. 
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De Fernando S a 10.12.2015 às 12:17

slade : "nunca conseguirei ver melhoria na pobreza"

Quantas vezes é preciso repetir que ninguém (eu incluido, naturalmente) vê melhoria na pobreza ou tem qualquer satisfação por ela existir ?!...
Está a bater-se contra um moinho de vento !!
Deixe-se de especular sobre os supostos sentimentos dos outros e concentre-se antes na discussão sobre as diferentes propostas concretas para fazer face aos problemas existentes.  
.
slade : "a credibilidade foi conseguida pela intervenção do BCE e não por políticas que, em rigor, nos deixam no ponto em que estávamos, mas com melhores juros;"

A politica do BCE ajuda a baixar a taxa de juro.
Mas não explica tudo, não explica o essencial.
Sem as politicas de rigor, Portugal nem poderia beneficiar das medidas do BCE.

E sem as politicas de rigor, mesmo com a ajuda do BCE, as taxas de juro seriam mais elevadas, eventualmente muito mais elevadas.

Veja-se o exemplo da Grécia.
As politicas de rigor não nos deixaram no ponto em que estavamos em 2011 : não estamos a 2 semanas da bancarrota do Estado, não estamos em recessão, o desemprego não esta a aumentar, não estamos fora dos mercados, não precisamos de um programa de resgate, o déficit orçamental é muito mais baixo (o primario até é positivo), a divida publica está estabilizada e controlada (na verdade, sem os juros da divida herdada do governo Socrates, a divida estaria agora a baixar), as contas externas estão equilibradas, o investimento e o consumo estão a aumentar, etc, etc.
.
slade : "nunca conseguirei ver de tal forma que uns são sempre bons e outros são sempre maus... "

Até vê, só que ao contrário ... 
.
slade : "Se quer ser irónico, então não pode (i.e., poder até pode, perde é o rigor lógico) ter um discurso em que tudo o resto é ressentido."

Como quizer ... Mas olhe que é tão absurdo alguém admitir ter alguma satisfação com o sofrimento dos outros que a maioria das pessoas percebe logo que é ironia ... Vejo que consigo tem de ser tudo dito no primeiro grau ...
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De slade a 11.12.2015 às 11:19

Dado o primor que colocou na resposta, não o vou obviamente contradizer. Só num ponto, quando digo que ficámos na mesma, refiro-me (e não o especifiquei) a certos dados macro onde em poucos ou nenhuns deles melhorámos entre 2010 e 2015. Como desemprego, dívida pública, índices de pobreza e, mesmo, o défice, que insiste (e veremos este ano) em não ser cumprido. E nem sequer assaco culpas ao Governo anterior em alguns deles, como a dívida pública, que obviamente tinha de aumentar com o pedido de resgate, ou o défice do ano passado, devido à crise do GES-BES.
Podia ter sido evitado muito do que aconteceu caso o BCE tivesse intervido mais cedo. Como podia ter sido evitado caso tivéssemos sido melhor governados nos seis a dez anos anteriores ao pedido de resgate, é verdade.    
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De Fernando S a 12.12.2015 às 02:41

slade,
Registo, agora com satisfação ( :) ), que reconhece que muitos dos aspectos negativos dos ultimos anos "podia[m] ter sido evitado[s] caso tivéssemos sido melhor governados nos seis a dez anos anteriores ao pedido de resgate" "[] e nem sequer assac[a] culpas ao Governo anterior em alguns deles".
Isto é muito importante. Muito do que se possa dizer a seguir não pode deixar de ter isto em conta.
Os exemplos que refere, da divida publica que tinha inevitavelmente que aumentar e do déficit de 2014 que foi maior do que o orçamentado por causa do caso GES-BES, são pertinentes.

É verdade que alguns dados macro não são hoje melhores do que eram em 2011.

Mas, tal como a divida publica, não podiam mesmo ser melhores.
Pela simples razão que o pais estava em 2011 em quase bancarrota e foi de seguida preciso corrigir e ajustar o que estava desequilibrado.
E nada disto se faz sem consequencias a varios niveis : produção, rendimentos, investimento, emprego, etc.
Mesmo assim, o mais urgente no ajustamento foi feito em apenas 2 anos e desde 2013 que todos os indicadores (digo bem, todos, com a parcial excepção da divida publica que tinha forçosamente de crescer) teem vindo a recuperar, varios deles estão hoje ao nivel de 2011 (por exemplo, o desemprego) e outros estão hoje ja melhores : déficit orçamental (o nominal baixou para menos de 1/3 e o primario passou a positivo), juros, contas externas, etc.
E, pelo andar da carrugem até agora, a situação deveria continuar a melhorar e todos os indicadores recuperarem e ultrapassarem os niveis de 2011.
Com uma enorme diferença e vantagem : é que agora as finanças estão mais consolidadas e a economia esta mais equilibrada.
Dito isto, e ao contrario do slade, eu não acredito que uma intervenção mais cedo do BCE teria podido evitar que Portugal tivesse passado por uma fase de austeridade e ajustamento.
A intervenção do BCE apenas pode beneficiar aqueles paises que entretanto conseguiram fazer o trabalho de casa necessario para tal. Veja-se o contra-exemplo da Grécia.
De resto, se porventura tivesse existido mais liquidez mais cedo, Portugal e outros paises não teriam tido o incentivo para fazerem os ajustamentos indispenaveis e, por isso, estariamos hoje pior, mais atrasados no processo de ajustamento e equilibrio.
Portanto, até foi melhor assim : fizémos mais sacrificios numa fase inicial mas foi graças a eles que também conseguimos sair mais cedo da emergencia e que estamos hoje em melhores condições.
Esperemos apenas que o novo governo socialo-comunista não faça aquilo que prometeu levaria certamente o pais a perder rapidamente tudo aquilo que conseguiu dificilmente nestes ultimos anos.      
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De slade a 12.12.2015 às 09:49

Já podia ter registado mais cedo - Bastava ter perguntado se eu tinha simpatias socratistas. Ter-lhe-ia respondido que não. Teria depois acrescentado que um Durão em fuga para uma vida melhor seguido de um Sócrates como nós sabemos que foi (Santana não teve tempo para contar), junto com um certo e forte pudor que me afasta irremediavelmente do comunismo (creio demasiado na individualidade), me tornaram num abstencionista convicto...  
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De Fernando S a 12.12.2015 às 19:15

slade : "Já podia ter registado mais cedo - Bastava ter perguntado ..."

Não estou aqui para perguntar mas para comentar ...
Ja agora, o slade também podia ter dito mais cedo ...

slade : "me tornaram num abstencionista convicto... "

Depois de ter dito o que disse é dificil perceber porque se abstem... Por causa da "fuga" do Durão Barroso ? Não quero acreditar...
Claro que a direita também tem as suas responsabilidades e também faz coisas mal feitas. Mas não se pode por tudo no mesmo plano. O mal que o "socratismo" fez ao pais e aquele que muito provavelmente o "costismo" vai ainda fazer nos proximos tempos, é de longe muito pior.
A abstenção de pessoas como o slade é um enorme desperdicio e pode custar caro. Olhe, por exemplo, é uma das causas da situação actual, com um pais entregue e um governo de "maioria de esquerda" e um sério risco de que tudo o que se obteve com sacrificios nestes ultimos anos possa ir de novo por agua abaixo !...
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De oscar maximo a 07.12.2015 às 17:41

O problema da direita parece ser aplicar a austeridade com satisfação, comentá-la com satisfação, se fossem muculmanos andavam certamente a cortar cabeças. Já a opção ideológica que os esquerdistas fizeram, prova o bom intimo dos aderentes, e se a prática não corresponde ás melhores intenções, deve-se a boicotes e sabotagem da direita.

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