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Portugal, no ranking da União Europeia, está em décimo no conjunto dos 27 países, no que toca ao número de infectados com a pandemia Covid-19. O que é uma boa notícia. É também uma boa notícia o facto de não haver uma explosão de casos de contaminação e sobretudo o de não haver um grande número de mortes e a maioria dos infectados detectados ter apenas sintomas ligeiros.

Mas a mesma sorte o país não vai ter na economia. A verdadeira mortandade vai-se dar nas empresas.

Primeiro porque as linhas de crédito com garantia do Estado tendem a ser destinadas a empresas com capitais próprios positivos e com resultados fechados. Ora há uma fatia de PME que não cumpre nenhum dos requisitos.

Os bancos estão a conceder esses créditos com garantia mútua a uns juros de 2% e 3%, muito acima do preço a que se financiam.

A ideia do Governo adiar o pagamento de impostos e contribuições sociais é muito positiva, mas se não se resolver o problema de liquidez das empresas a medida não tem grande eficácia.

Sobre o chamado lay-off simplificado, que é a capacidade das empresas suspenderem os contratos de trabalho por três meses porque a atividade está diminuída, pagando o Estado uma parte desse salário, é de lembrar que se aplica a empresas que têm 40% da redução do seu rendimento comparado com o ano anterior. Mas para beneficiar disso as empresas têm de provar que a quebra das receitas é reportada aos dois meses anteriores. Ora a crise começou em março pelo que as empresas só podem apresentar o pedido em maio (60 dias depois de março). Até lá quem vai pagar salários se a atividade parou? 

Quanto tempo aguentam as empresas sem atividade ou sem clientes?

Depois com isto virão os salários em atraso e os despedimentos, e dispara o malparado (aguardemos pelas moratórias), tudo porque a economia fechou.

A análise macroeconómica também não é mais animadora. A flexibilidade da Comissão Europeia aos auxílios do Estado não é suficiente, e no limite pode criar uma crise de dívida soberana. Ao flexibilizar as metas de défice e dívida para todos os países ignorando que cada país membro tem rácios de endividamento diferentes, pode ser o gatilho para uma subida dos juros da dívida soberana e no limite o fecho dos mercados (que trouxe no passado recente a troika).

O Governador do Banco de Portugal defendeu num artigo do Jornal Económico que “é necessária uma resposta conjunta a um desafio comum”.

Carlos Costa defende agora na Reuters que o Mecanismo Europeu de Estabilidade  (MEE) emita Corona bonds a 30 anos.“Tais ‘Corona bonds’ são não só um reforço mas também um complemento necessário ao recém-anunciado Pandemic Emergency Purchase Programme do Banco Central Europeu”, defendeu o Governador do Banco de Portugal no artigo da Reuters.

Carlos Costa lembra que “contrariamente às circunstâncias que conduziram à crise de 2008, a situação com que nos defrontamos agora reflete a propagação de uma crise sanitária para a economia real e desta para o sistema financeiro, com os seus efeitos a serem amplificados pelo sistema financeiro internacional e pelas cadeias de valor globais”.



3 comentários

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De Luís Lavoura a 23.03.2020 às 17:16

não haver uma explosão de casos de contaminação

Como assim?! Os casos de contaminação estão a crecer a uma taxa de 25% a 30% diariamente. Isto é um crescimento muito rápido!

 não haver um grande número de mortes

Como assim?! Há mais de 1% de mortes, o que já é uma taxa bem alta se se tiver em conta que as contaminações começaram relativamente tarde e que portanto muitos doentes ainda não tiveram tempo de morrer. Com o tempo, é expetável que a percentagem de mortos venha a aumentar bastante.
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De Luís Lavoura a 23.03.2020 às 17:22

O Carlos Costa quer que se emitam Corona Bonds a 30 anos.

O problema é que, bem antes de passados esses 30 anos, é mais que provável que apareça outra crise muito grave. Quiçá causada por uma seca devastadora na Península. Ou por uma epidemia de tuberculose multirresistente. Ou por um terramoto brutal.

Dentro desta ideologia de mercados, em que o Estado só se pode financiar junto dos mercados, em breve bateríamos na parede. Os Corona Bonds sobrepor-se-iam
aos Tuberculosis Bonds e aos Quake Bonds e mais ninguém nos quereria emprestar dinheiro.

A solução passa pela criação de dinheiro, não por mais empréstimos.
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De Anónimo a 23.03.2020 às 18:42

morrem mais que nas estatísticas da falta de saúde

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