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Um quarto de século depos, a Esquerda conseguiu impor o esquecimento das vergonhas vivenciadas para lá do Muro de Berlim. Com o mesmíssimo desplante com que rasgou a página do PREC português. E apagou da fotografia Brejnev, Honecker, Fidel, Tito, Cunhal... Apenas restou Salazar, como pedras lançadas aos que não afinam pelo mesmo diapasão.
Ao melhor estilo estaliniano: militarista se vier a propósito, pacifista quando as "massas" ainda não despertaram.
Mas obrigada por força das circunstâncias históricas a engavetar o socialismo, a Esquerda agarrou-se - "nacionalizou, dela" - a generalidades como a Liberdade e a Solidariedade e susteve - "nacionalizada, sua" - a Igualdade. Curiosamente, não insiste na Fraternidade! Repescou o até então reformismo burguês da social-democracia e, entrelinhas, foi mantendo bem viva a cartilha da luta de classes (evitando, é claro, alusões a "operários e camponeses"). Alguns comportamentos que tinha por desviantes, e prejudiciais à sociedade comunista, transformou-os em estandartes da batalha pelos direitos das minorias.
Não tem um discurso capaz de se justificar. Opta, conforme as conveniências, pela vaia, pela vitimização, pela desconversa, pelo contra-ataque em jeito comparativo. Na maior desorientação ideológica, riposta tudo ideologizando. Assim nasceram o "neo-liberalismo" e outros labéus.
Logrou uma única experiência governamental europeia. A grega. Numa algazarra imensa e destruidora, mas capaz de nebular a aliança do heróico Syriza com o nacionalismo (afinal, um "salazarismo" local) do ANEL.
Ainda não contente, eterniza-se na rotulagem dos outros. Escandaliza-se se ouve criticas a decisões judiciais do seu agrado, intoleráveis violações ao princípio da separação de poderes; sai à rua na situação oposta, sob o pretexto de ingerências políticas nos tribunais...
Alguém recentemente comentou, a blogosfera surgiu como um espaço não controlável pela Esquerda (sempre conformadora da opinião pública) e por isso muito merecedora da sua atenção interventiva. Concordo em absoluto. Com a legitimidade de quem nunca teve pachorra para deambular pelos blogs da margem de lá - cujo direito ao disparate não contesto nem me apetece contrariar.
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