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A citação é de um livro de Luciano Amaral, “O impacto do grupo CUF na economia portuguesa em 1973”, 2024, que tem um excelente prefácio de Vítor Bento, de onde retiro a segunda citação (simplificada por mim para ficar mais clara a ideia central que me interessa destacar):
"a hostilidade aos lucros, ao capital e à sua acumulação, bem como às grandes empresas ou grupos empresariais ... continua a marcar a superestrutura ideológica da vida política que subjaz às políticas públicas. Do que resulta uma estrutura empresarial assente em microempresas – que captam 44% do emprego das sociedades não financeiras, contribuindo com 22% do VAB correspondente –, onde as grandes empresas ... absorvem apenas 22% do emprego ... e contribuem com 35% do VAB do sector não financeiro. Não admira, pois, que esta estrutura empresarial não deixe descolar a produtividade ... e seja uma pesada âncora para os baixos salários".
Quando Mariana Mortágua ou Paulo Raimundo falam de lucros milionários, e se insurgem com o impacto da redução no IRC no aumento dos juros que vão para os bolsos dos accionistas, não há jornalista nenhum que lhes pergunte qual é a rendibilidade do capital que acham razoável.
As empresas, quando apresentam as suas contas, contribuem para esta conversa ao falar sistematicamente nos valores absolutos dos seus lucros, sem os relacionar com os capitais investidos.
Dizer que o sector bancário aumentou os seus lucros (Lucros dos bancos subiram 33% para 1,2 mil milhões no arranque do ano) deixando referências para a rendibilidade dos capitais próprios para o fim das notícias, sem relação com a sua evolução, não faz o menor sentido.
O habitual saco de pancada deste populismo de esquerda, o grupo de Jerónimo Martins, tem rendibilidades de capitais próprios interessantes, mas falar dessas rendibilidades em vez de falar do valores absolutos dos lucros não dá nenhum título de jornal, nem nenhum voto, porque não são extraordinários.
Tal como comparar os ordenados e apoio social dos trabalhadores dos caixas de supermercado da grande distribuição com o dos trabalhadores das pequenas mercearias de bairro não tem qualquer interesse para os jornalistas, apesar dessa comparação ser extraordinária na demonstração de como as grandes empresas tratam muito melhor os seus trabalhadores (e também os capitais dos donos) que as pequenas e micro-empresas (para já não falar dos seus clientes).
E, no entanto, continuamos a olhar para as grandes empresas com base no mito marxista de que o lucro é o roubo da mais valia criada pelo trabalhador, em grande parte porque a imprensa e a sociedade insistem em histórias da carochinha, como dizer que os grandes grupos económicos, as sete famílias, em 1973, dominavam totalmente a economia de Portugal, quando realmente representavam cerca de 10% da economia, e o que o 25 de Abril fez foi destruir capital, de que ainda não recuperámos totalmente.
Meus caros, do que precisamos é mesmo de grandes empresas e da possibilidade de uma micro-empresa poder passar a uma pequena empresa, depois para média empresa, depois grande empresa e, se tiver unhas, vir a ser uma multinacional de sucesso.
Continuar a alimentar o mito de que o lucro é o roubo da mais valia do trabalhador, sistematicamente atacado com base no populismo de esquerda que consiste em falar de "lucros milionários", "economia de casino" e outras patetices só tem o resultado que conhecemos: baixos salários e uma economia pouco interessante, pouco criativa e pouco remuneradora de trabalho e capital.
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