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A farsa do semi-presidencialismo à portuguesa

por Corta-fitas, em 06.02.26

Vozes de políticos e comentadores sábios avisaram-nos que as presidenciais eram as únicas eleições que não dependiam dos partidos, mas sim de candidaturas individuais que depois poderiam ser ou não apoiadas pelos tais partidos. Para confirmar tão clara distinção, logo surgiram candidaturas que correspondiam precisamente a todos os partidos com representação parlamentar (com excepção do PAN e do JPP, de deputado único), outros sem essa representação e ainda candidaturas independentes, com destaque para a do almirante Gouveia e Melo, que não descansou enquanto não tentou “roubar” (no dizer dos analistas) eleitores a partidos à esquerda ou à direita, conforme soprava a direcção do vento das sondagens.

Como acontece desde 2001, cerca de metade do eleitorado (47,75%, com o meu contributo) absteve-se na primeira volta. Entre 11.039 milhões de eleitores, Seguro teve 1.755 milhões de votos, Ventura teve 1.326 milhões.  Ou seja, quem for eleito terá merecido a preferência apenas destes eleitores, já que na segunda volta, segundo os politólogos, escolhe-se sobretudo rejeitar um dos candidatos. Uma extraordinária “representatividade”, como está à vista.

Na segunda volta, a questão partidária, a tal que não era a mais importante nas presidenciais, sobrepõe-se a todas as outras. Se Seguro ganhar, de acordo com os analistas, terá que apoiar o Governo para satisfazer os eleitores da AD, se quiser ser eleito para um segundo mandato. Ou, a partir de Belém, irá “reconstruir” o PS. Ou “defender a democracia” hostilizando o Chega. Já Ventura nem perde tempo a dizer que quer “unir os portugueses”: quer é ser líder da Direita, quer presidencializar o regime, quer mudar a Constituição, quer fundar a IV República, quer três Salazares, quer o Diabo a quatro.

E é este o nosso ridículo e ineficiente sistema semi-presidencial, no qual os poderes do chefe de Estado continuam a precisar de ser explicados 50 anos após a sua instauração. Uma farsa interminável, que dura há mais de um ano, ocupando espaços informativos e de comentário insuportavelmente enfadonhos, dando-nos um espectáculo de fingimento, com os candidatos a prometerem resolver problemas na saúde, na educação, na habitação, na economia, na imigração, nas relações laborais, na Protecção Civil e em mais mil e uma áreas onde a responsabilidade é dos governos e não dos presidentes.

Os comentadores também fingem acreditar nesta farsa, discutindo à exaustão o que o candidato A faria de diferente do candidato B perante qualquer assunto que apareça na agenda mediática da semana, sabendo perfeitamente que a única coisa que um presidente pode fazer não é tomar medidas, mas sim vetar determinadas leis que, se voltarem confirmadas pelo parlamento, terá que promulgar. Ou então enviá-las para o Tribunal Constitucional, algo que os partidos também podem fazer. Tem ainda a possibilidade de dissolver o parlamento e convocar novas eleições, mas isso só excepcionalmente, não pode ser de três em três meses.

Resta a famosa “magistratura de influência”, traduzida em discursos no 25 de Abril ou noutras datas solenes, em “presidências abertas”, em “recados” em declarações avulsas aos jornalistas à porta de um qualquer evento, que não levam a nada se o poder executivo não lhes ligar. Mesmo a demissão de ministros julgados incapazes pelo presidente não dá em nada – como foi exemplo recente o caso Galamba X Marcelo – se o primeiro-ministro não estiver para aí virado.

Que continue a haver gente – inclusive pessoas que respeito e até admiro- a defender este semi-presidencialismo é algo que me ultrapassa. Julgo que só pode ser por preconceito, inércia intelectual ou medo de aparecerem como menos democráticos e progressistas se criticarem estas eleições directas para a chefia de Estado, que tanto têm contribuído para a nossa instabilidade política e os problemas que daí advêm.

Duarte Calvão


19 comentários

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De balio a 06.02.2026 às 16:50


é este o nosso ridículo e ineficiente sistema semi-presidencial


A democracia é um sistema ineficiente. É muito ineficiente ter que se pagar os políticos que estão no Governo e os que estão na oposição, e ainda ter a trabalheira de fazer eleições.


Uma ditadura é muito mais eficiente, e até menos ridícula.


Penso que, no fundo, é isso que Duarte Calvão gostaria de ter. Um rei que reina e um príncipe que virá a reinar, e mais nada. Isto sim, é altamente eficiente.
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De Anónimo a 07.02.2026 às 07:13

E além disso poupava-se imenso dinhero. Ora deite-lhe as contas!
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De balio a 07.02.2026 às 17:42


Claro. A democracia é uma coisa cara porque, além de se ter que pagar aos políticos que estão no poder, tem também que se pagar, de alguma forma, aos que estão na oposição.
A ditadura é mais barata: só tem que se pagar a quem está no poder.
(Além do custo das eleições.)
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De balio a 06.02.2026 às 16:55

Duarte Calvão tem, em minha opinião, toda a razão em queixar-se dos poderes nulos, ou próximo disso, do Presidente da República. Em minha opinião, já que nos damos ao trabalho de eleger diretamente um Presidente, ele deveria ter mais poderes. Quanto mais não fosse, o poder de escolher os juízes do Tribunal Constitucional, o presidente do Banco de Portugal e os de outras autoridades reguladoras, e os chefes de ramos das Forças Armadas.
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De Anónimo a 06.02.2026 às 17:47


Há várias farsas por cá e também as vemos nos blogues. Uma delas são alguns que fingem se preocupar com o país, quando apenas estão preocupados com eles. Assim só querem saber do que escrevem para os outros lerem e nos comentários raramente há diálogo.
Como é você?


Como saberá, o assunto política já é mais do que visto e comentado nas TVs. Parece que os jornalistas não veem mais nada! Assim não precisamos de mais assuntos de política. Não precisamos que "chova mais no molhado". Precisamos de pessoas que façam a diferença e falem nas várias farsas que temos.
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De balio a 06.02.2026 às 17:50

O regime constitucional português era semi-presidencial com a Constituição de 1976. Mas após as revisões a que foi sujeita, a Constituição retirou muitos poderes ao Presidente e o regime passou de facto a ser parlamentar. Os jornalistas - e Duarte Calvão neste post - insistem em falar e, semi-presidencialismo, mas estão errados. O nosso regime é parlamentar puro. Não é semi-presidencial.
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De Anónimo a 06.02.2026 às 18:19


Os comentadores discutem à exaustão muitos assuntos que aparecem na agenda mediática porque os jornalistas "sábios" assim querem. Está na hora dos jornalistas também serem escrutinados e responderem a perguntas. Eu quero saber como decidem o que devemos saber.
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De Anónimo a 06.02.2026 às 19:10

Talvez o Presidente tenha poucos Poderes e o da "Palavra" seja o menor deles.


Mas Sampaio usou esse Poder e a coisa ficou do avesso.


E convenhamos que a Palavra se for Límpida e Clara, se acima de tudo tiver do seu lado a Verdade, a Verticalidade e a Retidão, então a Palavra pode muito.


E diria também que usada como deve ser, pode tudo
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De Anónimo a 06.02.2026 às 19:18

A farsa da Presidência da Repúlica é apenas uma instância exemplar da farsa da Situação política geral: uma oligarquia partidocrática sob capa de "democracia".
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De Anónimo a 07.02.2026 às 09:28

Num certo sentido isso encaixa em todas as Democracias e em todos os tempos.


Mesmo na Grécia Clássica, até aí a Democracia era a Democracia do Grupo que estava no topo.


Daí para baixo apanhavam, comiam e calavam 
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De Manuel Dias a 06.02.2026 às 19:27

Competências do:
PR-nomear o primeiro ministro, que, por sua vez, formaria governo. O PR teria  a competência de nomear o CEMFA, o PGR e o presidente do TC e outras competências, que hoje tem. 
Governo - função legislativa e sua execução.. A estrutura da administração pública mantinha-se, com alterações necessárias. Os cargos de Direção seriam atribuídos, através de concurso público universal. Os apurados, fora dos partidos políticos, poderiam, assim,  estar o tempo suficiente para poder fazer  um trabalho valioso.  A nomeação seria em comissão de serviço, porque pode ser conveniente a substituição, mas por outro com  aprovação em concurso.
Deputados -  Eleitos tal como são na atualidade, a partir  dos partidos políticos e outras organizações,  Têm como função a aprovação ou rejeição dos diplomas, emanados do governo. 
Tribunal Constitucional - As nomeações seriam feitas como hoje o são, com exceção do seu presidente.
Os representantes dos  partidos políticos apenas podiam fazer parte da AR ou semelhante e do TC. Seria nestes dois órgãos, que a população, em geral, via-se representada. 
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De balio a 07.02.2026 às 17:48


Em minha opinião todos os juízes do Tribunal Constitucional deveriam ser nomeados pelo Presidente. A Assembeia poderia ter poder de veto sobre eles (ou seja, recusar o nome proposto pelo Presidente), mas não o de eleger qualquer juiz.
A razão é simples e está atualmente bem à vista: havendo mais do que dois grandes partidos na Assembleia, não há forma de se obter uma maioria de 2/3 para a nomeação de seja quem fôr. Por esse motivo, a nomeação de pessoas não pode ser competência da Assembleia.
Por outro lado, o Procurador Geral da República deve ser nomeado pelo Governo, uma vez que a política judicial deve ser da responsabilidade deste. Deve ser o Governo quem decide quais são os crimes que se deve preferencialmente investigar e quais são os crimes que, pelo contrário, não devem ser investigados.
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De Anónimo a 07.02.2026 às 10:49

Quanto à "eficiência" das ditaduras não ponho em dúvida. Por várias razões. Não a desejo, (cruzes!) mas têm a vantagem única e preciosa de disporem do tempo todo do mundo. São regimes que não conhecem  limite temporal. Longe de mim fazer a apologia de semelhantes regimes, mas pelo que nos é dado a conhecer no actual panorama, nas autocracias (como as que temos tido ocasião de observar diariamente) o líder e a sua "entourage" não se focam (apenas) numa legislatura, nem na próxima, nem na seguinte!. Beneficiam desta coisa única: São eles os donos e senhores do Tempo que quiserem e desejarem ter pela frente e por isso nunca têm pressa: há um sentido de posse do Tempo e é este que espera pelos "senhores" e decorre ao sabor da sua Vontade, não precisando de usar expedientes para apresentar resultados satisfatórios dentro dum tempo-limite pré-estabelecido, para agradar ao eleitorado, com vista às próximas eleições para serem reeleitos.Como acontece nas Democracias.  Essa é uma questão que não existe na forma mental dos  ditadores. Logo, não há essa necessidade de dar satisfações, ou de prestar contas, ou mostrar "serviço"  num tempo imediato, para agradar ao povo e, assim, serem merecedores da sua aprovação de 4 em 4 anos! 
Sim, na realidade estes regimes ditatoriais que se prolongam indefinidamente no tempo têm essa enorme "vantagem" (!) acima dos outros, o de terem mais tempo, o que os torna mais eficazes nos seus "desígnios" e nos objectivos que se propõem alcançar e... ao seu  próprio ritmo.  E mais: podem prosseguir nos seus propósitos, a seu bel prazer, porque  não são escrutinados, não são contrariados, não têm opositores, o "ruído" elimina-se _ há sempre aquela varandinha periclitante ou um peitoril de janela mal construída onde invariavelmemte há pesoas que se desequilibram...em quedas fatais...
As ditaduras pensam e projectam sempre a longo prazo, sem pressão, o tempo está a seu favor, uma vez que se eternizam no poder por essa razão podem fazer cálculos, i.e., avaliar demoradamente as situações mais vantajosas (ou não) e medir as consequências. Deste modo, conseguem ser mais eficientes a agendar as "suas" prioridades ,  e a cometer menos erros, (ou antevê-los) porque a longa permanência no poder trouxe-lhes a experiência e o saber antecipar as "jogadas". Assim,  "podem" programar, "planear"  e  "conseguem" delinear com êxito porque o fazem de forma mais calculada e premeditadalevando a cabo os "projectos" que "desenharam". E, sublinhe-se uma vez mais,  porque têm a seu favor estes factoressem pressa, porque não estão sujeitos ao julgamento popular _ por eventuais erros que desagradem _ e  que os poderia apear e substituir _ que é a suprema vantagem da alternância democrática dos regimes democráticos liberais. 
Por outro lado, sendo  "a democracia o pior dos regimes, excetuando todos os outros que têm sido experimentados " quantas vezes ela acaba desvirtuada e por descambar, quando privilegia a demagogia enganadora mas que agrada ao povo, porque diz ao povo o que o povo quer ouvir?...E quantas vezes não cumpre as promessas "eleitoralistas"? E ainda há que enfrentar (e bem) o escrutínio, a crítica constante, o ruído e o tumulto da oposição, a rua.... E há a pressa e a falta de tempo, a pressão constante para "mostrar serviço" num horizonte temporal demasiado curto _ uma só legislatura_  e a exigência do povo _quantas vezes sob a batuta da oposição! _ que quer ver resultados instantâneos para ontem!.
Mas, é como diz o povo, "depressa e bem, há pouco quem!"

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De Anónimo a 07.02.2026 às 12:01

PS. - Por lapso, não referi que estava a responder ao 1º comentário do Balio .
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De balio a 07.02.2026 às 17:54


Os regimes ditatoriais têm uma outra vantagem: a de saberem o que querem, a de terem uma opinião clara e única sobre aquio que querem.
Nas democracias o processo decisório é muito lento e muito impreciso, porque há diferentes entidades públicas que querem coisas diferentes e prosseguem políticas frequentemente opostas umas às outras.
Isso vê-se por exemplo na atual política dos EUA em relação à guerra ucrano-russa. Enquanto que o Pentágono e o Presidente têm políticas tendencialmente pacifistas, a CIA e o Congresso têm políticas pró-guerra. De um lado temos o Presidente a tentar fazer a paz com os russos, do outro temos a CIA a ajudar os serviços secretos ucranianos a assassinar generais russos em Moscovo.
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De Anónimo a 07.02.2026 às 21:18

A Democracia assenta em Paradoxos e quando se começa a esmiuçar a conclusão é inevitavelmente, do tipo "venha o diabo e escolha".


Todos estamos de acordo que para Pilotar um jacto comercial, praticar  cirurgias, ou construír pontes, convém pessoas Altamente Qualificadas.


Mas qualquer Besta Quadrada por mais analfabeta que seja, pode Governar um País, mesmo que  grande e moderno, bastando para tal ser eleita.


Há racional nisto ??
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De cela.e.sela a 07.02.2026 às 11:09

não voto. ainda se acaba a votar alforrecas.

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