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A falência moral da esquerda

por Miguel A. Baptista, em 13.01.26

Quem me acompanha sabe que não me revejo nas alternativas da direita populista. Ainda que muitas delas identifiquem problemas reais e concretos, as respostas que oferecem não os resolvem: limitam-se a explorar a frustração, o ressentimento e o medo, sem apresentar soluções consistentes ou responsáveis. 

Mas rejeitar a direita populista não me aproxima, automaticamente, de uma esquerda que considero hoje moralmente falida. Pelo contrário. 

A atitude, ou, mais precisamente, a ausência dela, face aos acontecimentos recentes no Irão é talvez a demonstração mais clara dessa falência. Se existisse uma esquerda minimamente decente, o Irão seria uma causa óbvia e inescapável: um povo que, sob risco real de prisão, tortura ou morte, luta pela liberdade, pelos direitos das mulheres e contra uma teocracia violenta que não só oprime internamente como procura exportar o seu modelo através do terror. 

No entanto, essa esquerda prefere o silêncio cúmplice. Os ativistas das flotilhas simbólicas ou dos tapetes vermelhos de Los Angeles revelam-se incapazes de se comprometer com uma causa que exige coragem moral e coerência intelectual. A cegueira ideológica e um ódio profundo à sociedade aberta, da qual paradoxalmente beneficiam, tornam-nos incapazes de reconhecer vítimas reais quando estas não se encaixam no seu mapa mental do mundo. 

Não é apenas hipocrisia. É degradação moral em estado puro. 


23 comentários

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De balio a 13.01.2026 às 15:33


Que sabe você sobre "o estatuto da mulher nessas geografias" na atualidade?
Eu tenho conhecimento de que tanto na Arábia Saudita como no Irão (como em Portugal) as mulheres têm um nível educativo superior ao dos homens e desempenham muitas profissões que requerem grande especialização técnica e científica.
Também sei que no Irão a taxa de natalidade é extremamente baixa, comparável à portuguesa --- sinal seguro de que lá as mulheres mandam nos seus próprios corpos e não são consideradas pela sociedade como simples parideiras.
Convém não confundir o estatuto da mulher na atualidade com os estereótipos, baseados em tempos pretéritos, que dele temos.
É verdade que nessas geografias as mulheres (e os homens) são forçadas a obedecer a códigos de vestimenta estritos, mas o estatuto da mulher consiste em muito mais do que simplesmente as vestes que as mulheres são supostas usar.
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De Anónimo a 13.01.2026 às 19:19

É evidente que a uns 7000 KMS só sei por ouvir dizer.


Também já tinha lido que a educação das mulheres é por regra superior á dos homens, ignorando no entanto se isto diz respeito á generalidade da população, ou somente a certos estratos.


Sei também que elas são obrigadas a um rígido código comportamental e de vestuário.


E sei que uma mulher chamada creio que Masha Amin, foi assassinada pelas Forças de Segurança por uma questão de penteados.


Sei ainda que não gosto daquela malta sobretudo por quando uma data de manfios se acham puros e  pensam que isso os autoriza a converter, á força, os outros á sua pureza, por regra, a coisa dá para o torto.


Aproveito para acrescentar que a meu ver os problemas dos Iranianos devem ser resolvidos, e só serão bem resolvidos, por eles próprios e não por "mãozinha" externa.


Uma nota. Portugal ainda tem muito caminho pela frente, mas creio já ter ultrapassado a fase em que as mulheres eram vistas como parideiras.
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De balio a 14.01.2026 às 10:00


a educação das mulheres é por regra superior á dos homens, ignorando no entanto se isto diz respeito á generalidade da população, ou somente a certos estratos



Quando se fala da educação dos mulheres referimo-nos a estatísticas sobre, por exemplo, a percentagem de mulheres entre os estudantes do ensino superior. Ou seja, não nos referimos à educação das mulheres de certos estratos, mas sim a estatísticas que abrangem toda a população.


não gosto daquela malta sobretudo por quando uma data de manfios se acham puros e  pensam que isso os autoriza a converter, á força, os outros á sua pureza



Eu não sei se já alguém tentou converter o anónimo. Eu convivo regularmente com muçulmanos, e a única vez que algum me tentou converter foi há 40 anos, e a pessoa que o fez foi um jovem marroquino. Nunca, jamais, algum outro muçulmano me tentou converter ou de alguma forma me chateou por causa da religião.


Vejo também frequentemente mulheres com os cabelos tapados a conviverem amigavelmente com outras (e outros) de cabeça destapada. Não acredito que essas muçulmanas que assim convivem andem a chatear as pessoas a propósito da religião delas.
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De M.Sousa a 14.01.2026 às 08:52

Balio, meu caro, o Sr é o perfeito exemplo da degradação (indigência, diria eu) moral da esquerda. 
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De Anónimo a 14.01.2026 às 11:23

Se me permite a pergunta;


Que tem a Esquerda a ver com o caso ??

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